Costuma dizer-se em linguagem familiar que “o bom filho à casa torna”, para caracterizar alguém que após anos de ausência, regressa ao ponto de partida, isto é, a um lugar ou um ambiente familiar e/ou laboral onde militou e se sentiu realizado. Vem isto a propósito do regresso do treinador Abilio Novais ao centenário Vilanovense FC, clube cujas cores representou ainda como jogador profissional, na II Divisão Nacional e posteriormente, já como técnico, guardando do velhinho Parque Soares dos Reis as melhores recordações desses tempos, quer no âmbito desportivo, quer social.
Progenitor do centro-campista profissional do Sporting de Braga, João Novais, o técnico Abílio não é para mim um desconhecido. O primeiro contacto que com ele tive data dos tempos em que representava o Departamento de Formação do Clube Desportivo do Candal, cujas cores envergou até ao escalão de juvenis, abrindo-se-lhe então a via do sucesso a partir do acolhimento que teve na maior colectividade formadora da região nortenha – FC Porto – que fez dele um profissional determinado a vencer. Curiosamente, o próprio filho, João Novais, trilhou os mesmos caminhos em termos de formação, sendo hoje reconhecidos os atributos que o caracterizam ao serviço da grandiosa instituição bracarense ao qual está vinculado (Sporting de Braga), depois de uma breve passagem pelo Rio Ave.

Com a equipa actualmente na “cauda” da tabela classificativa de uma das séries da Divisão de Elite da AF Porto, em termos objectivos, é evidente que a tarefa que espera o recém-regressado técnico não se traduz em cenário muito risonho, uma vez que o agora Vila Futebol Clube, sob cuja denominação compete esta colectividade com estatuto “centenário” (tal como os vizinhos Desportivo do Candal e SC Coimbrões), tem pela frente hercúlia tarefa, embora esteja por disputar uma segunda volta competitiva, tempo mais que suficiente para concretizar a necessária recuperação. E essa é a grande expectativa da massa associativa da lendária instituição de de Soares dos Reis, fundada, entre outros, pelos irmãos António e Francisco Cândido Portugal, no ano longínquo de 1914.