“O meu maior sonho é que a democracia continue”

 

Ernesto Santos nasceu em 1947, no Bairro de São João de Deus, em Campanhã, no Porto. Começou a trabalhar com 11 anos e, ainda muito jovem, apaixonou-se pelo associativismo. Com uma vida de conquistas e de amor em prol da sua freguesia, o autarca foi distinguido, em 2016, pelo AUDIÊNCIA, com o Troféu Presidente de Junta, pela função que desempenha, de forma exemplar, desde 2013.

 

 

 

Para quem não o conhece, quem é o Ernesto Santos?

Eu sou um homem simples, humilde, amigo do seu amigo e grato por aquilo que tive e tenho.

 

Quais são as suas maiores inspirações?

As pessoas inspiram-me e gosto de trabalhar para o coletivo. A minha família também é uma fonte de inspiração e dá-me muito ânimo, muita força e motiva-me, de facto, a continuar. Este será, com certeza, o meu último mandato, e talvez, depois, me reforme, mesmo.

 

Pode falar-nos um pouco sobre o seu percurso de vida?

Eu nasci a 22 de maio de 1947, no Bairro de São João de Deus, em Campanhã, no Porto. Aos 11 anos saí da escola e fui trabalhar como trolha até aos 15 anos, altura em que fui para a área da metalúrgica, até ir para a tropa. Mais tarde, fui trabalhar para o Instituto de Habitação e, posteriormente transitei para o Processo SAAL. Porém, quando terminou, eu não quis ser mais funcionário público. Então, eu fui trabalhar para um armazém, onde acabei por ser chefe e labutei até aos 62 anos, altura em que me reformei. Relativamente ao meu percurso político, ele iniciou aquando do 25 de Abril, que foi uma revolução, na qual eu acreditei, inclusive que nos ia trazer vantagens e melhor qualidade de vida. Portanto, eu comecei a militar. Contudo, fui militante, não de partidos, mas ativo na revolução, que se vivia. Eu estava sempre lá. Paralelamente, eu também me dediquei muito ao associativismo. Fui presidente de um clube durante vários anos, depois fui vice-presidente da Associação de Futebol do Porto, durante cerca de 20 anos. Eu só ingressei no PS entre 1993 e 1994, altura em que concorri, como independente, às eleições da Assembleia de Freguesia, pelo Partido Socialista, mas só em 1997 é que entrei para o executivo e foi apenas em 1999 que me filiei no partido. Durante o meu percurso, fui secretário da Junta de Freguesia de Campanhã durante 12 anos e sou presidente há 8 anos, estando no meu terceiro mandato.

 

O que o motivou a entrar no mundo da política?

A vontade de libertação, especialmente porque, a partir do 25 de Abril, eu senti-me livre e foi isso o que me levou a continuar até aos dias de hoje. Eu acho que o 25 de Abril, com todas as suas virtudes e defeitos, proporcionou-nos, de facto, uma forma de viver muito melhor, porque eu lembro-me bem do que foi a minha infância e o 25 de Abril trouxe outra liberdade. Inspira-me, de facto, a mudança radical que teve a nossa vida, porque quem viveu o antes e vive, agora, o depois, pode, de facto, dar valor a tudo. Eu acredito que o 25 de Abril trouxe, verdadeiramente, liberdade às pessoas, pelo menos liberdade de expressão e nós, hoje, temos opção de escolha e de votarmos em quem quisermos.

 

Foi o amor pela sua freguesia que o fez ter vontade de trabalhar em prol dos destinos de Campanhã?

Naturalmente que sim, porque eu sou associativista desde os 23 anos, altura em que saí da tropa. Portanto, eu estive sempre ligado ao associativismo, até que vim para a política. Algo que só aconteceu, porque várias pessoas me conheciam e convidaram-me a entrar para uma lista da Assembleia de Freguesia. O meu objetivo sempre foi tentar fazer o melhor possível pelo próximo, porque isso é tudo nesta vida.

 

Até à data, qual foi o momento mais importante para si?

Tenho vários. Não podia deixar de esquecer o 25 de Abril, assim como a homenagem que a Associação de Futebol do Porto me fez com o Diploma de Mérito e o galardão que o AUDIÊNCIA já me atribuiu como autarca. Estes foram momentos marcantes, além do nascimento das minhas filhas e dos meus netos, porque a minha família também é muito marcante para mim.

 

Relativamente ao futuro, quais são os seus maiores sonhos?

O meu maior sonho é que a democracia continue. Quando acabar o meu mandato terei 78 anos e reformar-me-ei. Eu vou, finalmente, calçar as pantufas e dedicar-me à minha mulher, que bem precisa de mim, mas nunca deixarei de ser ativo e participativo.

 

Como vê a distinção com este segundo Troféu AUDIÊNCIA?

Este segundo Troféu tem muita importância para mim, porque é, efetivamente, o reconhecimento do meu trabalho e com certeza que fico muito grato por esta distinção. Logo, é com muito gosto que eu vejo esta homenagem, que me alegra e motiva, e eu acho que é merecida, até porque estou quase em final de carreira.

 

Que mensagem gostaria de deixar aos nossos leitores?

Primeiro, anseio que tenham paciência, porque esta pandemia há de passar, se Deus quiser. Segundo, desejo que sejam criadas condições para aqueles que recebem baixos rendimentos. Portanto, espero que o Governo que crie condições para essas pessoas, porque ninguém vive com 160 euros e quem recebe o Rendimento de Inserção Social, com esse dinheiro, não vive. Logo, eu gostava e espero que as coisas mudem significativamente, nesse sentido.