Uma abordagem social da cunha, a sua controvérsia, a percepção pelo outro, a sua justificação e os juízos sobre acções de favorecimento. É este o resultado de uma exaustiva investigação que o jurista, sociólogo e diplomata internacional João Ribeiro-Bidaoui levou a cabo nos últimos oito anos e que agora é publicado no livro Anatomia da Cunha Portuguesa – As Figuras Que as Pessoas Fazem. A obra chega às livrarias no próximo dia 2 de Dezembro, com a chancela da Guerra e Paz Editores.

 

O que é uma cunha? Existem cunhas justas e cunhas injustas? A nossa sociedade terá mais ou menos cunhas no futuro? Algumas destas questões serviram de base às entrevistas que João Ribeiro-Bidaoui fez a vinte protagonistas do espaço público português, entre jornalistas, políticos e dirigentes da administração do Estado, com o objectivo de escrutinar a cunha em Portugal e encontrar justificação para algumas das controvérsias públicas em torno da cunha.

 

Aos depoimentos destes protagonistas, o autor acrescentou uma série de entrevistas a pessoas incógnitas que lhe deram a perspetiva externa destas redes de favorecimento. Os juízos de valor na definição popular da cunha somam-se e vão desde «passar à frente na fila por via das relações que se tem» até «indicar alguém conhecido a outro conhecido para exercer uma determinada função ou profissão».

 

Há até quem projecte um futuro melhor, do qual a cunha – evidentemente – não faça parte. «Menos cunhas faria com que houvesse menos desigualdade social. Faria com que fôssemos uma sociedade mais justa».

 

Duas visões distintas que permitiram uma análise plural do fenómeno social da cunha. O resultado é uma tese, agora publicada no livroAnatomia da Cunha Portuguesa – As Figuras Que as Pessoas Fazem, que apresenta um inédito olhar científico sobre a verdadeira anatomia da cunha portuguesa e dos seus elementos essenciais: oficiosidade, funcionalidade, relacionalidade, reciprocidade e o prejuízo de bens comuns.

 

No livro, o autor analisa ainda, de forma original e com base nas mais recentes abordagens sociológicas da escola francesa, como um certo contorcionismo dos indivíduos perante as cunhas revela a sua capacidade crítica.

 

«Conseguimos desenhar contornos e condições de exercício diferenciado da figura que mete a cunha e da figura que acede ao pedido, da figura que se escandaliza em público pela cunha do outro ou da figura que recusa a cunha, tudo figuras da mesma pessoa.»

 

Um longo trabalho de investigação, iniciado em 2012, que resulta num contributo único da investigação científica para a sociologia da emancipação e, sobretudo, para um conhecimento mais aprofundado da sociedade portuguesa.

 

Anatomia da Cunha Portuguesa chega às livrarias no próximo dia 2 de Dezembro. A obra poderá ainda ser adquirida através do site da Guerra e Paz Editores.

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