O economista político Rob Urie, numa tentativa de elucidar os seus leitores, escreveu no ano passado um artigo que começa da seguinte forma: O «Lóbi de Israel» trabalha para o complexo industrial Militar dos Estados Unidos.
Para exemplificar acrescenta que aquilo que é apresentado dentro dos Estados Unidos como «ajuda estrangeira» representa em muitos casos pagamentos do governo federal estado unidense a governos estrangeiros para que eles comprem bens e serviços de fornecedores americanos, ou seja, o governo federal subsidia as indústrias norte americanas por meio da chamada ajuda estrangeira, através da qual as nações receptoras são obrigadas a pagar os empréstimos, diretamente ou por meio de actos, como por exemplo iniciar guerras orientadas.
Já em 2007, também John Mearsheimer e Stephen Walt em publicação se referiram a este tema, acentuando que as relações públicas de alto nível têm servido como a principal explicação para a influência descomunal que a nação de Israel exerce sobre os políticos norte americanos.
Nessa narrativa, o AIPAC-American-Israel Public Affairs Committee e outros apoiantes de Israel, construíram uma máquina de relações públicas sofisticada e de longo alcance que promove os políticos americanos que apoiam Israel e pune aqueles que não o fazem.
Concebidos dessa forma, os ricos apoiantes de Israel financiam campanhas de relações públicas pelas quais os políticos americanos são «legalmente» subornados e coagidos a dar ajuda estrangeira a Israel, sendo essa ajuda entregue à nação israelita, essencialmente em dinheiro gasto em armas produzidas por produtores de armas americanos.
Desta forma e na medida em que o objetivo do «lóbi» é maximizar a ajuda estrangeira dos Estadops Unidos a Israel, ele também está a maximizar o financiamento para o MIC-Complexo Militar-Industrial norte americano.
Desta forma, o lóbi israelita gastou cerca de 2% da ajuda externa estado unidense em persuasão política, desde 1948, ou seja, a módica quantia de 6 mil milhões de dólares, mas obteve em contra partida a astronómica quantia de 280 mil milhões de dólares, sendo a maior parte destinada à compra de armas e outro material a fornecedores norte americanos.
A solução para acabar o genocídio do povo palestiniano só poderá acontecer se os Estados Unidos deixarem de financiar Israel, mas esse desiderato não está a ser possível, porque Donald Trump não quer perder o negócio para a Lockheed Martin e a Northrop Grumman empresas cruciais no dispositivo militar-industrial estado unidense, mas também não quer perder poder no Congresso dos Estados Unidos.
Nesta conformidade, os Estados Unidos vetaram recentemente no Conselho de Segurança da ONU uma resolução que pedia cessar-fogo imediato em Gaza, enquanto Israel lançava novos bombardeamentos e cortava as comunicações do território palestino, ampliando desta forma a sua ofensiva terrestre a um nível inadmissível, assim evoluindo negativamente de conflito para ocupação e genocídio.
Resta, pois, a atitude da sociedade civil mundial que está a mudar, caso por exemplo da Espanha que vai retirar-se da Eurovisão se Israel competir e quatro canais se recusaram a transmitir o concurso, das Voltas em bicicleta a Portugal, Itália, França e Espanha onde houve protestos pela inclusão de equipas israelitas, de um número crescente de universidades e órgãos académicos em todo o mundo que estão a cortar laços formais com instituições israelitas devido a preocupações sobre sua cumplicidade nos crimes militares em Gaza, de crianças palestinas feridas que aguardam vistos humanitários dos Estados Unidos para tratamento e a Grã-Bretanha ter recebido já o primeiro grupo para cuidados vitais e Bernie Sanders reconhecer pela primeira vez o genocídio palestino e denunciar a obstrução da ajuda humanitária por Netanyahu, de aumentar o reconhecimento do Estado da Palestina por países como a França, Andorra, Austrália, Bélgica, Canadá, Luxemburgo, Malta, Reino Unido, São Marino e Portugal, este após insistentes pressões do PCP e por a Resolução da Assembleia Geral da ONU de 12 de Setembro último, ter sido aprovada com 142 votos favoráveis, 10 contra e 12 abstenções e nela se incluir cessar-fogo imediato em Gaza, libertação de todos os reféns e criação de um Estado Palestino viável e soberano.
Será que nós europeus lamentamos e condenamos a perseguição dos judeus na Alemanha nazi e agora muitos de nós somos incapazes de condenar o nazi-sionismo que pratica as mesmas acções das hostes hitlerianas?


