Os veículos autónomos vão significar uma redução da poluição, vão trazer para as cidades ar menos poluído e, consequentemente, mais saudável. Quem o diz é um estudo do CESAM, uma das unidades de investigação da Universidade de Aveiro (UA), coordenado por Sandra Rafael.

Esta investigação, ao contrário de outras que apontam a segurança rodoviária como principal benefício da tecnologia autónoma nos meios de transporte urbanos, foca-se no conjunto de vantagens ambientais que, segundo os responsáveis, tem sido um âmbito pouco explorado e que está relacionado com a forma como o comportamento do condutor, através do processo de aceleração/desaceleração e travagem, influencia o consumo de combustível, as emissões atmosféricas e, em última instância, a qualidade do ar.

Assinado pelos investigadores do CESAM Sandra Rafael, Luís Correia, Diogo Lopes, Carlos

Borrego e Ana Isabel Miranda e pelos investigadores do Centro de Tecnologia Mecânica e

Automação, também da UA, Jorge Bandeira, Margarida Coelho e Mário Andrade, o estudo foi desenvolvido no âmbito de um projeto mais abrangente, o InFLOWence, e tem como objetivo perceber e otimizar a influência de veículos conectados e autónomos na eficiência ambiental de fluxos de tráfego rodoviário.

O estudo coordenado por Sandra Rafael utilizou “modelos de computação em dinâmica de fluídos para prever e conjugar vários cenários (número de veículos elétricos e não elétricos autónomos em circulação, morfologias urbanas, etc.) e avança com respostas muito promissoras para a qualidade do ar nas cidades percorridas pelos veículos do futuro”.

Considerando uma taxa de integração de veículos autónomos de 30%, os resultados do estudo publicado na revista Science of The Total Environment revelaram uma redução total de 4% das emissões de óxidos de nitrogênio, os gases nocivos à saúde produzidos por veículos com motor de combustão. Destes gases, só em dióxido de azoto, um dos mais perigosos para o ambiente, o estudo revela uma redução de 2 por cento.

“Estes dados, ainda que modestos, são relevantes no contexto de poluição atmosférica em que vivemos. A concentração de alguns poluentes atmosféricos, como é o caso do material particulado e do dióxido de azoto, permanecem demasiado elevados em grande parte das cidades europeias”, referiu Sandra Rafael, apontando os resultados ainda desanimadores, mesmo face à estratégia europeia para a redução de emissões.

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