Basta de conversa e majestosas promessas, agora é a vez do eleitor se pronunciar. O decisor soberano vai castigar os “vendedores da banha da cobra” e escolher como seus representantes aqueles que demonstraram ter maior capacidade para servirem as suas terras e não servirem-se ou enlouquecerem as suas vaidades pessoais.
Um registo é já irrefutável: as populações estão menos dispostas a ouvir e mais interessadas em verem as promessas concretizadas. Multiplicaram-se as sessões públicas, mas, se observarmos, com muita atenção, as presenças são maioritariamente as mesmas. Concluindo, os candidatos “arrebanharam” conforme as suas capacidades um determinado grupo de pessoas para andarem de um local para o outro. Verifica-se que se tal não acontecesse a maioria das sessões estariam às moscas! Os eleitores estão cansados de políticos e políticas que nada lhes dizem. Querem obra, querem ação, querem ser parte integrante dos projetos, querem uma vida com esperança. Duvidam já da própria sombra, tantas são as traições que têm recebido da parte daqueles que prometem servi-los, sem interesses mesquinhos, pessoais ou de grupo e no fim criam uma rede de “tachos” e influências que os deixam à mingua. Desta vez os eleitores estão atentos e das conversas avulso que vou mantendo pelas ruas existem duas fortes correntes: uma que perdeu a esperança e não vai votar e outra, com grande disposição de dar um murro na mesa. Por isso, é quase certo, que nada ficará como está ou a democracia poderá estar em sérios riscos.
Estas eleições viram, também, aos magotes, aparecerem supostos debates públicos. Mais uma enorme farsa para confundirem os eleitores. Os supostos debates servem para os organizadores mostrarem que afinal existem e, se possível, sacarem mais uns milhares ao erário público e aos participantes demonstrarem aquilo que não são: disponíveis e atenciosos com as suas comunidades. O genuíno interessado não compareceu a nenhum desses debates. Os “arregimentados” sim e sim porquê? Têm de demonstrar serviço para conseguirem no futuro imediato, se os resultados forem de feição, um lugarzito num sítio qualquer!
Com o incremento das redes sociais, estas eleições ficam, também, marcadas pelo enorme aparecimento de perfis falsos e o convite ao ódio e ao insulto como motes de campanha. Esquecem os seus autores que isso só demonstra que o que procuram não é servir, mas sim servirem-se. Lembro que o cidadão consciente despreza este tipo de comportamentos e usará o voto como arma adequada de o demonstrarem.
Os que vão votar, temo que menos de metade dos portugueses, fazem-no como afirmação de coragem e num último voto de confiança nos verdadeiros disponíveis para a causa pública.
Vila Nova de Gaia, por onde tenho palmilhado nos últimos dias, nota-se o incómodo dos gaienses perante a imagem que transparece, para a opinião pública, sobre os últimos meses da atual gestão municipal e de várias freguesias. Os ventos pré anunciam a possibilidade de um furacão abalar o “modus operandis” do terceiro maior concelho do país. João Paulo Correia “carrega o peso” do bom e do mau dos últimos 12 anos e Luís Filipe Menezes, compreendido como o revolucionário que colocou Vila Nova de Gaia a dar cartas no panorama nacional, são os únicos que poderão ambicionar o cadeirão presidencial. Os restantes tentarão cativar os eleitores para as suas causas e viveram a esperança de sobrar um lugar na vereação.
A Invicta tem Pedro Duarte, uma escolha com dedo de Luís Montenegro, mas, ainda, um corpo estranho para a maioria dos portuenses e Manuel Pizarro, afável e distinto cidadão da cidade, como os grandes candidatos a residirem na Praça General Humberto Delgado. Os estudos de opinião, conhecidos até agora, vão pelo empate técnico e é com muita expetativa que se aguarda o sucessor de Rui Moreira. Os restantes candidatos são a “charanga” que não pode faltar em atos nobres como este e dificilmente ambicionam mais do que serem uma voz de alerta para temas pontuais da cidade e concelho.
Ao rubro estão Trofa e Gondomar. Duas cores invadem os céus destes concelhos: rosa e laranja, com o eleitor a entoar: “Eu tenho dois amores, que em nada são iguais, mas não tenho a certeza de qual eu gosto mais”. Amadeu Dias, um jovem, veterano em candidaturas vê, desta vez, com a divisão social democrata uma oportunidade ímpar para ocupar a presidência do novíssimo edifício municipal. A grande chatice é se o CHEGA lhe “rouba” os descontentes e lhe diminui até que ponto essas hipóteses. Sérgio Araújo, uma escolha de há muito de Sérgio Humberto, o homem que derrubou Joana Lima, desde então deputada à Assembleia da República, e modernizou o concelho, em auscultação que fiz no terreno parece em vantagem, com António Azevedo a ficar longe do objetivo. É preciso notar-se que a Trofa é empresarialmente um concelho muitíssimo forte, mas onde as pessoas se conhecem muito bem, por não ser populacionalmente muito preenchido e isto pode fazer toda a diferença. Assim todas as cartas estão em cima da mesa e o às de trunfo pode estar em qualquer uma delas.
Valentim Loureiro foi recuperado por Emídio Guerreiro para fortalecer a sua candidatura. O PSD quer aproveitar a divisão nas hostes socialistas. O candidato é uma figura com peso no partido, mas é duvidosa a sua pujança em Gondomar. Luís Filipe Araújo alavancado em Nuno Fonseca, autarca de Rio Tinto, procura dar continuidade a 12 anos de domínio rosa no concelho. Carlos Brás e Marco Martins são duas espinhas cravadas na garganta da candidatura. Veremos se consegue ultrapassar o “aperto” e convencer os gondomarenses. É mais um resultado de elevado grau de imprevisibilidade.
Augura-se uma noite de domingo recheada de grande expetativa e emoção e o desejo é que todos se sintam vencedores por contribuírem para um poder autárquico, cada vez mais, envolvido e ao serviço das comunidades locais.


