A coligação “Bloco + Livre + …” acusa o consórcio LusoLAV e o executivo camarário de Vila Nova de Gaia de desvirtuarem o projeto inicial da Linha de Alta Velocidade, substituindo soluções sustentáveis por opções que aumentam impactos urbanos e sociais e transferem custos para os municípios.
A construção da Linha de Alta Velocidade (LAV) entre Porto e Lisboa foi lançada pela Infraestruturas de Portugal com requisitos claros, nomeadamente, cerca de 20% do traçado à superfície, uma única ponte rodoferroviária sobre o Douro e uma estação subterrânea em Santo Ovídio, integrada na rede do Metro do Porto. O consórcio LusoLAV venceu o concurso comprometendo-se a cumprir estas condições.
Contudo, segundo o “Bloco + Livre + …”, em junho deste ano, o consórcio apresentou alterações significativas ao projeto. Entre as mudanças estão a substituição da ponte única por duas pontes distintas, o aumento para quase 60% do percurso à superfície e a deslocação da estação de Santo Ovídio para Vilar do Paraíso. De acordo com a coligação, estas medidas desvirtuam a intermodalidade inicialmente prevista e transferem encargos para os municípios, incluindo manutenção de pontes e investimentos adicionais no Metro.
Por conseguinte, o “Bloco + Livre + …” considerou que “esta nova proposta representa um grave atentado ao interesse público nacional e à qualidade de vida dos gaienses”, alertando para os impactos sociais e ambientais destas alterações e apontando o aumento do número de demolições, expropriações e fragmentação urbana, além do ruído ferroviário que afetará milhares de residentes.
Para os partidos, “todo este processo evidencia uma alarmante falta de transparência e de respeito democrático. Alterações profundas foram apresentadas sem debate público, sem consulta às entidades competentes e ignorando as consequências sociais e ambientais para os habitantes de Vila Nova de Gaia”.
Assegurando que a Linha de Alta Velocidade “poderia ser uma oportunidade histórica para melhorar a mobilidade no Norte e ligar Portugal à Europa em condições de sustentabilidade e justiça social”, o “Bloco + Livre + …” frisou que “Vila Nova de Gaia não pode aceitar ser transformada num laboratório de soluções improvisadas, onde se sacrifica a população para reduzir custos privados”.


