As questões energéticas e ambientais ganham hoje ainda maior importância na vida e nas relações internacionais, pois, face à importância e finitude de recursos, elas constituem factor de maior disputa económica, política e geoestratégica entre as grandes potências.

Os preços da energia sobem para máximos históricos, alimentando uma crise que vai afectar as bolsas dos consumidores já este inverno, nomeadamente na electricidade e por essa razão os governos procuram criar subsídios e cortar alguns impostos como compensação, seguindo, aliás, a recomendação sem precedentes da União Europeia que também sugere agora aos estados membros que financiem as pequenas empresas.

O preço do gás natural está seis vezes mais caro do que no ano passado e cerca de quatro vezes mais caro do que na última primavera e esta subida deve-se ao aumento da procura mundial, numa altura em que os países terminam ou aliviam os confinamentos e as economias tentam regressar à normalidade.

A especulação do mercado resulta na contínua subida dos preços dos combustíveis, que pela primeira vez em Portugal ultrapassaram os 2 euros por litro na gasolina 98, tem gerado uma onda de contestação, com cidadãos a apelarem à greve ao abastecimento, os camionistas a ameaçarem com protestos, alertas de aumento de bens essenciais como o pão e um aviso de que o transporte escolar até pode faltar.

O presidente da Associação Nacional de Transportes Públicos Rodoviários-ANTRAM, admite que pode mesmo haver protestos dos camionistas, dado que muitas transportadoras se encontram à beira da falência e a Associação Rodoviária de Transportes Pesados de Passageiros-ARP também se junta à revolta contra o aumento dos preços nos combustíveis, alertando que se nada for feito, «em Janeiro não há transporte escolar», acompanhando o presidente da Associação de Transportadores de Passageiros-ANTROP que apela a excepções e a um desagravamento fiscal para as empresas que actuam neste sector.

Entretanto, com os preços a disparar, sucedem-se os apelos ao governo para baixar os impostos sobre os combustíveis, havendo já uma petição pública destinada a «Redução do imposto sobre combustíveis e produtos petrolíferos – para a sua equivalência com Espanha» que conta com mais de 16 mil subscritores, mas o governo não aceita e o próprio ministro da economia considera que é preciso entender se esta subida de preços «é uma coisa esporádica e excepcional» antes de «alterar muito significativamente a estrutura destes impostos», sendo certo que na proposta de Orçamento de Estado para 2022, não está previsto qualquer alívio fiscal sobre os combustíveis para já.

Uma das preocupações que a União Europeia enfrenta é o facto de o armazenamento de gás natural ser inferior nesta altura ao que foi o ano passado, ou seja, cerca de 75% depois de um longo inverno, para os anteriores 95%, embora a Rússia como maior exportador de gás natural para a UE, representando 43,4% das importações desta, garanta que os contratos de exportação de gás a longo prazo da Gazprom estabeleçam níveis mínimos e máximos de fornecimento e a Gazprom nunca tenha recusado pedidos de mais fornecimentos por parte dos seus consumidores.

Embora o seu consumo tenha diminuído em relação a 2008, o gás natural é o segundo combustível mais utilizado nos 27 Estados da UE, a seguir ao petróleo e derivados, sendo por essa razão que alguns especialistas defendem a transição para mais energias renováveis, tais como, a energia das marés, pequenas centrais nucleares e energia de hidrogénio.

A indústria de combustíveis fósseis recebe subsídios de 11 milhões de dólares, cerca de 9.5 milhões de euros a cada minuto, de acordo com um novo estudo do Fundo Monetário Internacional-FMI, ou seja, isto equivale a cerca de 5.9 bilhões de dólares, cerca de 5 bilhões de euros por ano, numa indústria que produz petróleo, gás e carvão e num momento em que cortes imediatos nas emissões são necessários para melhorar o ambiente.

As contradições capitalistas emergem e mostram claramente que por este caminho não é possível superar as dificuldades deste sistema injusto e danoso que urge mudar.