Desde a sua eleição, o presidente Trump tem-nos habituado às mais variadas diatribes e a um discurso errático e imprevisível de altos e baixos, mas também à falta de cumprimento de acordos firmados internacionalmente, o que não constituindo propriamente uma surpresa em relação à política externa norte americana, tornou-se no entanto numa preocupação global face ao extremismo agora demonstrado.

A escalada provocatória em todo o mundo com a instalação de bases militares visando a hegemonia geoestratégica e o saque de recursos naturais de países soberanos, com o cortejo criminoso de invasões, morte, destruição e a fuga de populações que batem à porta da Europa sem cessar, obrigam-nos à condenação sem equívocos.

É o caso dos últimos acontecimentos no Iraque, País invadido sob falsos pretextos e destroçado, onde todos os dias acontecem atentados que culminaram agora com o assassinato de um dos mais altos responsáveis militares do Irão levado a cabo pelas forças militares estado unidenses por ordem do seu presidente, constituindo um claro acto de guerra cujos desenvolvimentos podem ter consequências profundamente negativas para os povos do Médio Oriente e de todo o mundo.

Por esse motivo, são graves as posições assumidas pela NATO, Reino Unido, França,  Alemanha, União Europeia e mesmo pelo Secretário-geral da ONU perante esta acção belicista, não a condenando, mas apelando à contenção das partes e exigindo o cumprimento do Acordo Nuclear por parte do Irão, afirmando mesmo que este País deve evitar mais violência e provocações, ou seja, desresponsabilizando o agressor e responsabilizando o agredido, sabendo-se que foi o agressor a abandonar o Acordo Nuclear referido e quem continua a escalada das provocações.

Após três décadas de agressões imperialistas que semearam a morte e a destruição no Médio Oriente, a política belicista e agressiva dos Estados Unidos, com o prestimoso apoio do aliado sionista, ameaça conduzir o planeta a uma nova conflagração de enormes proporções e contribui para um grave clima de insegurança.

Torna-se, pois incompreensível, a posição recentemente assumida pelo Governo de Portugal ao proporcionar um encontro no nosso País entre dois dos mais importantes protagonistas da política belicista e de violação do direito internacional, Michael Pompeo, Secretário de Estado dos EUA, e Benjamin Netanyahu, Primeiro-ministro de Israel,  e agora não condenar veementemente  este acto de guerra e esta escalada provocatória, infelizmente seguindo as pisadas da Cimeira das Lages de má memória.

É criminoso um Estado decidir  assassinar um dos mais importantes dirigentes de um País, mesmo sendo adversário e quando ele está de visita a um País terceiro, pois assim se normaliza o terrorismo de Estado, dando azo a todas as arbitrariedades, baixando o padrão de exigência cívica entre povos e considerando como aceitável o que deve ser repudiado como inadmissível, tendo também em conta que não existe uma situação de guerra declarada entre os dois países e o general Soleimani ter sido um adversário do terrorismo.

É criminoso um presidente garantir que queria os soldados norte-americanos de regresso a casa, ao retirar-se parcialmente da Síria afirmar que os EUA iam deixar de ser «o polícia do Médio Oriente» e ordenar agora uma acção bélica seguida do envio de mais 3000 soldados para o Médio Oriente, chegando ao cúmulo de considerar que com este assassinato está a

«acabar uma guerra e não começar uma guerra» e não está a radicalizar as posições  do governo iraniano.

É criminoso que o presidente de uma das nações belicamente mais poderosas do mundo se sirva das redes sociais para, qual vândalo do século XXI, se gabar que os Estados Unidos têm 52 alvos no Irão, alguns deles de «grande importância» para a cultura iraniana.

Acresce que o secretário da Defesa norte-americano e chefe do Pentágono Mark Esper, admitiu não ter observado qualquer «prova» concreta de que o general iraniano Qassem Soleimani, assassinado numa ação militar, estaria a planear ataques contra embaixadas norte-americanas, como declarou Donald Trump.

Esta situação constitui um sério aviso aos povos do mundo para não seguirem o discurso e estas acções loucas sem sentido, mas sim repudiarem qualquer escalada belicista e afirmarem os princípios básicos da Paz e das relações de respeito mútuo entre países soberanos.   

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