No seu segundo mandato à frente dos destinos da Junta de Freguesia de Rio Tinto, Nuno Fonseca não esconde que a situação da pandemia mundial do Covid-19 veio alterar todo um planeamento anual em que se previam comemorações muito especiais, como os XI Séculos da Lenda de Rio Tinto. Contudo, o autarca acredita que a população aceitou bem as medidas e afirma mesmo que a Junta de Freguesia preferiu “errar por excesso do que por defeito” nalgumas medidas de prevenção e limpeza.

 

 

 

Como está Rio Tinto a lidar com a situação da pandemia que assolou não só o país, mas todo o mundo?

Rio Tinto está certamente a lidar da mesma forma que toda a população, com uma imensa dificuldade e com a incerteza do caminho a percorrer, mas com uma enorme vontade para que tudo volte a normalidade o mais breve possível.

 

Houve muitos casos na freguesia?

Infelizmente não temos número de casos por freguesia, conforme é sabido houve sempre uma enorme confusão com os números de casos por concelho e nunca conseguimos ter uma informação dos casos relativos à freguesia. Mas fazendo uma relação com o concelho de Gondomar que tem, neste momento, um pouco mais de 1000 casos, pela dimensão de Rio Tinto dentro do concelho, certamente que teremos algumas centenas.

 

A Junta de Freguesia adotou várias medidas não só de prevenção como de limpeza e higienização de espaços. Pode-nos falar sobre essas medidas?

A Junta de Freguesia tentou sempre estar um passo à frente dos problemas e ir adotando aquelas que nos pareciam as boas práticas para cada ocasião. Adotamos todas as regras de contingência para os nossos espaços públicos, até ao seu encerramento, conforme aconteceu por exemplo com os cemitérios e chegado a um determinado momento de pré desconfinamento, pareceu-nos oportuno avançar também para a desinfeção dos espaços públicos com uma equipa dedicada ao efeito. Mesmo tendo depois surgido notícias de dúvidas sobre a eficácia do procedimento, pensamos que mais valeria errar por excesso do que por defeito e mantivemos a iniciativa.

 

Considera que a população aderiu e respeita as medidas tomadas?

Sim, sem dúvida alguma. No início foi difícil algumas práticas, pareceu-me que algumas pessoas não estavam a ter consciência da gravidade da situação, mas com o decorrer do tempo a situação foi-se alterando e cada vez mais se via e vê cuidados por parte dos cidadãos, quer com o distanciamento de segurança, quer com a utilização de máscara na via pública e/ou nos espaços públicos. Por outro lado, também me pareceu que todos aceitaram e entenderam de forma positiva as medidas de contingência que tivemos que implementar.

 

Que medidas se irão manter nos próximos tempos?

Vamos manter as regras de segurança, obrigação de se manter o distanciamento e utilização de máscara nos espaços públicos que estão sobre a nossa gestão e manter as campanhas de sensibilização para que estes novos hábitos não caiam na normalidade e acabem por deixar de ser cumpridos. A situação correu bem devido ao comportamento social e continuará a correr bem se todos mantivermos essas boas práticas.

 

De que forma este vírus “complicou” a economia financeira da Junta de Freguesia?

Eu não diria que complicou, diria antes que alterou de forma muito significativa. Também nós, tal como todo o Estado em si, tivemos de dispensar quantias bastante avultadas e que não estavam previstas em materiais de proteção individual, quer para os nossos trabalhadores quer para algumas Instituições que apoiamos com o fornecimento desse material. Por outro lado, sabemos que a utilização e a aquisição deste tipo de materiais, tal como, por exemplo, as máscaras, teremos que as adquirir durante bastante tempo pois iremos ter que manter a sua utilização como obrigatória durante os próximos meses. Agora teremos que nos adaptar financeiramente e alterar a gestão e direcionar verbas para estas novas necessidades retirando-as a outros projetos que terão que ser adiados.

 

Houve projetos e iniciativas que tinha em mente que ficaram descartadas então?

Sim, imensos. Nós somos caracterizados por uma enorme atividade e tivemos que suspender vários projetos tal como, por exemplo, o Orçamento Participativo deste ano e aquele que seria, no nosso entender, o grande evento de 2020/2021 que eram as comemorações dos XI Séculos da Lenda de Rio Tinto. Felizmente tínhamos projetado fazer estas comemorações ao longo de 2020 e 2021 o que nos permitirá reagendar mais para a frente todas as iniciativas que tínhamos previstas.

 

Já tem ideia se a tradicional Feira Medieval se vai realizar em 2020?

Sim, já definimos isso e infelizmente teremos que anular a edição de 2020. Uma feira da dimensão da nossa e realizada no espaço da Quinta das Freiras, não iriamos conseguir cumprir as medidas de contingência, principalmente o distanciamento social. Por outro lado é um evento que carece de uma enorme logística de organização e de investimento financeiro que não poderíamos neste momento arriscar a avançar e depois a termos que anular mais próximo da data. Penso que todos entenderão que é a melhor decisão a ser tomada e que lamentamos todos o ter que o fazer, mas estou certo que melhores dias virão e que voltaremos em força com a edição de 2021.

 

Até aparecer o Covid-19, como estava a Junta de Freguesia de Rio Tinto? Quais os projetos que tinha em mente para este ano?

Tínhamos imensos projetos conforme já tive oportunidade de referir, mas este ano iriamos dar uma especial atenção à Lenda de Rio Tinto e às comemorações dos XI Séculos. Toda esta questão é extremamente importante para nós porque nos cria um enorme sentimento de comunidade e de união quebrando com a imagem, algo depreciativa, de que eramos apenas um dormitório e sem grande importância, imagem que fomos alterando nos últimos anos e que agora já não é identificativa, pelo menos por aqueles que conhecem de forma mais próxima a nossa Freguesia.

 

Rio Tinto é das freguesias mais populosas do concelho e também das que mais requalificações tem sofrido. Há mesmo quem diga que está a ser beneficiada por parte da autarquia. Como vê essas acusações?

Não, isso é uma ideia completamente errada. Aliás, o presidente da Câmara de Gondomar não sente isso certamente da minha parte porque estamos sempre a reivindicar mais investimento e uma resposta a muitas das nossas necessidades. O que aconteceu nos últimos anos foi uma gestão muito mais correta e assertiva por parte do Município de Gondomar no que respeita à dispersão dos investimentos por todo o concelho. Durante vários anos, diria mesmo duas décadas, Rio Tinto sempre foi esquecido por parte da Câmara Municipal de Gondomar no que se referia a investimento avultados em Rio Tinto. Nunca ouvi lamento por parte daqueles que hoje, digamos de forma egoísta, criticam que finalmente se façam obras em Rio Tinto e se façam obras um pouco por todo o concelho. Não podíamos mais ser a maior freguesia conforme bem refere e os investimentos estarem sempre e de forma regular a ser realizados na sede do concelho. Não é que eu tenha nada contra a sede do concelho, mas se centralizarmos tudo no mesmo local, o que criamos é um concelho desequilibrado onde os equipamentos e as respostas estão centralizados e não estão próximos das pessoas que são os seus utilizadores.

 

A área social passou a ser uma prioridade agora?

A área social sempre foi uma enorme prioridade para a nossa gestão e canalizadora de muitas energias e recursos. Posso, por exemplo, relembrar que a primeira grande medida que tomei como presidente da Junta de Freguesia de Rio Tinto, logo após a tomada de posse em 2013, foi a criação do Banco de Emergência Alimentar e posteriormente a criação da Loja Social de Rio Tinto. Obviamente que neste momento iremos ter que canalizar ainda mais recursos para responder as diversas solicitações que nos chegam diariamente e que têm, infelizmente, aumentado desde o início desta pandemia. Mas é importante sublinhar que as respostas existem e estão no terreno, exatamente porque já eram no passado uma prioridade para nós.

 

Que impacto pensa que tudo isto terá para Rio Tinto e para a sua população nos próximos meses e anos talvez?

Eu acho que as próximas semanas irão ditar o grau de impacto que toda esta situação terá quer em Rio Tinto, quer no país ou no mundo. Já sabemos que os meses de confinamento e a perda de confiança e o receio criado nas pessoas irá ter impactos enormes quer a nível social mas acima de tudo a nível financeiro com perda de empregos e de rendimentos. Penso que estamos na fase da mudança e espero que seja mudar para seguirmos em frente sem ser necessário num futuro próximo ter que regredir nas medidas. Sinceramente penso que nada mais voltará a ser como antes, mesmo no que se refere ao confinamento, porque acredito que as pessoas, na sua generalidade, já entenderam a situação e já sabem o que terão que fazer e quais as atitudes a tomar. É agora ganhar confiança e seguir em frente.

 

De uma forma geral, como descreveria o seu percurso na Junta de Freguesia até este momento?

Eu penso que nestas questões o melhor será sempre o sermos avaliados em vez de nos avaliarmos publicamente. Obviamente que temos que fazer a nossa autoavaliação e de forma quase diária quando exercemos um cargo público, para perceber se o caminho que estamos a percorrer é o que vai ao encontro daquilo que as pessoas esperam e que os territórios necessitam. De forma global a melhor avalização são as eleições, onde de uma forma individual cada um de nós pode fazer avaliação daqueles que nos representam e, nesse campo, penso que a avaliação foi bastante positiva por parte dos Riotintenses no que respeita ao trabalho desenvolvido no mandato anterior e, no que se refere a este, continuam a chegar até nós avaliações na globalidade bastante positivas. O importante é mantermo-nos focados, sabendo que estamos a exercer e a prestar um serviço público de forma temporária e que devemos fazer o melhor possível enquanto tivermos esta oportunidade e este privilégio.

 

Qual o momento que mais destacaria?

Há vários momentos, não consigo destacar um em especial. Obviamente que o que mais me agrada é a mudança geral da nossa freguesia quer a nível de imagem quer a nível de respostas e equipamentos, mas acima de tudo a mudança na relação das pessoas com a sua terra e o orgulho que cada vez mais os Riotintenses sentem pela sua terra.

 

Qual o objetivo para as próximas eleições autárquicas? Já tomou uma decisão?

Ainda não estamos a pensar nisso, este início de ano trouxe muitas mudanças e tivemos que orientar o pensamento para situações mais urgentes e que nos envolveram de forma muito intensa. Em breve iremos em conjunto pensar no futuro e naquilo que iremos apresentar aos Riotintenses, bem como as pessoas que irão englobar e liderar este projeto.

 

Que mensagem gostaria de deixar aos Riotintenses?

A mensagem neste momento é uma mensagem de confiança. Confiar no futuro, acreditar que o futuro será melhor e continuarmos em frente sempre com a ligação a Rio Tinto e sem deixar de acreditar que Rio Tinto Somos Todos Nós e que este enorme coletivo é que faz de nós uma Freguesia muito grande, próspera e muito dinâmica.

 

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