O cantor Hernâni Rodrigues é natural do Porto e viveu a maior parte da infância em Oliveira do Douro. Por volta dos 20 anos, apaixonou-se pela música através de atuações de grupos e artistas. A música faz parte da vida de Hernâni há 40 anos, tendo o artista já feito parte de vários grupos, entre eles, “Boiengs” de Avintes, “Música & Som” e o Duo “Hernâni & Sérgio”. Atualmente, dedica-se à sua carreira a solo e lançou recentemente um CD que conta com a participação de vários amigos. Em entrevista ao AUDIÊNCIA, Hernâni Rodrigues abordou um pouco da sua carreira musical e falou das ambições para o futuro.

 

 

Como surgiu a sua paixão pela música?

Esta paixão surgiu por volta dos 20 anos e já estou na música há 40 anos. Eu andei com uns amigos numa escola de música e tinha um professor eu nos ensinava a tocar vários instrumentos e me despertou o interesse para ingressar no mundo do música.

 

Quando é que começou a sua carreira musical?

Eu comecei a minha carreira no grupo “Boeings” de Avintes, onde esteve 15 anos. Em 2000, mudei para um grupo rival deles, “Música & Som”, e esteve lá sete anos. Depois destas passagens por grupos, esteve seis anos com o meu amigo Sérgio, com o Duo “Hernâni & Sérgio”, com quem fiz muitas dançarias aqui na zona norte e centro do país. Neste momento, optei por regravar uns temas inéditos da minha autoria, que tinha gravado entre 1993 e 1995.

 

O que pretende transmitir através da sua música?

O que eu tento transmitir através das minhas canções é o valor das músicas nacionais, de forma a conseguir elevar o nome da música portuguesa. Para muitos é boa, para outros é má, mas como português gosto da música portuguesa.

 

Sente que a população portuguesa valoriza a música nacional?

É complicado, a música portuguesa também não está bem. Em Portugal, os artistas só são lembrados até à hora da morte. No meu ponto de vista, a música portuguesa devia ser mais apoiada no país, muito mais, mas o que vem de fora é que é bom.

 

Se pudesse destacar o momento mais marcante do seu percurso, qual seria?

Tenho muitos, fiz muitas coisa boas. Como é que eu posso explicar, ao longo da minha carreira, mesmo com grupos e tudo, fiz coisas muito boas. Eu lembro-me de um dos maiores momentos que eu teve na minha vida foi numa véspera de 25 de abril, na Câmara Municipal do Porto, com os Boeings, aquilo estava à pinha. Tive também o prazer de fazer as primeiras partes de muitos artistas, entre eles, Trio Odemira, Marco Paulo, Toy.

 

Quais os projetos que tem para este ano?

Este ano estou com o cd e tenciono fazer vários espetáculos por aí fora. Fazer uma carreira a solo, porque tenho todas as condições e as qualidades para que possa ter um bom espetáculo. Já tenho convites para realizar espetáculos em setembro, no Luxemburgo e na Suíça, para as comunidades portuguesas. E é uma oportunidade para mostrar que a música portuguesa existe, é boa e recomenda-se.

 

Quais os desafios no seu futuro?

Os desafios que eu tenho é continuar a manter as minhas músicas, as minhas letras. Eu tenho registadas 30 músicas, gravei 13 agora e ainda tenho 17 músicas das quais quero fazer uma segunda edição de duetos. Com todo o respeito e carinho que tenho por toda a gente queria cantar as minhas músicas, estas letras se calhar não estão muito bem atualizadas, já foram gravadas quase há 40 anos, mas o que se gravou há 40 anos com a voltagem nova que foi feita, eu acho que ficou bonita. Eu tenho um grande produtor o Filipe Rodrigues, que me acompanha desde 2005, onde gravou o trabalho “Hernâni&Sérgio”, foi ele que me fez agora este trabalho e vou continuar com ele: equipa que ganha, não mexe.

 

O Hernâni lançou um cd intitulado “Duetos”. Pode-nos falar sobre ele?

A ideia surgiu através de uma conversa com o meu filho onde ele me perguntou porque que não editava as músicas que tinha gravado no período de 1993 – 1995. Acabei por registar todas as músicas e fazer um cd a solo. Depois disso, o meu Célsio falou-me da possibilidade de regravar essas músicas em duetos com vários amigos meus e assim nasceu o cd “Duetos”. Está pronto desde setembro de 2020, mas com a pandemia teve fechado na gaveta.  Este cd conta com 13 músicas, porque eu sou crente no 13 e considero-me um ser abençoado por Deus. A seleção dos artistas foi feita por mim e pelo meu filho Célsio. Este cd conta com artistas da música popular portuguesa, com nomes sonantes como Nelo Silva; Marante; Jorge Amado; José Ricardo e o Neno, que foi guarda-redes do Vitória de Guimarães, do Benfica e da Seleção Nacional, que é a maior perda que eu tenho. Eu tenho de agradecer a todos do fundo do meu coração, mas o Neno tem um destaque especial neste cd. A partida dele marcou-me muito, porque ele era incomparável, fora do comum, por isso é que decidi fazer-lhe uma homenagem na detrás da capa do cd. Neste “Duetos” o que eu acho que foi mais importante de tudo é a amizade que eu tenho com os artistas que participaram neste cd. Uns disseram-me sim, outros disseram não, tinham motivos profissionais, porque tinham contratos com outras editoras. Contudo, eu tenho de agradecer a todos, os que estiveram e os que não tiveram presentes.