Estar em equilíbrio com o nosso “eu interior” é o desejo mais profundo, deste povo plantado à beira-mar.
O bem-estar psíquico  tornou-se um diamante em bruto, pois são raros os casos em que o sorriso e felicidade, iluminam e harmonizam o ambiente familiar..
Portugal ocupa o segundo lugar, depois da Irlanda,nas doenças de foro psiquiátrico. A ansiedade destaca-se, seguindo-se o humor,, controle de impulsos e consumo de substâncias proibidas. Curioso mas as perturbações mentais  e comportamentais psiquiátricas ultrapassam as doenças oncológicas..
Neste panorama, pintado de negro, apenas uma pequena percentagem recebe os cuidados básicos, os outros continuam a sofrer em silêncio, aumentando exponencialmente os sinais de fragilidade mental. As depressões agravam-se, os suicídios aumentam e a violência contra os demais intensifica-se .Os meios de informação, transmitem quase diariamente situações  limite, onde a violência e tristeza imperam, conduzindo os informatizados a um estado de impotència, dormência , nervosismo, medo e ansiedade.
Portugal é o quinto País da OCDE que apresenta o maior consumo de  antidepressivos, mais de oito milhões de embalagens foram vendidas nos últimos tempos. Isto reflete, sem dúvida, o mundo em que vivemos..
Com a pandemia, e sucessivos confinamentos, o desemprego aumentou, muitos negócios fecharam e a miséria de muitas famílias passou a ser uma realidade difícil de digerir..A saúde mental ficou comprometida pois como diz o velho ditado ” Em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão”.É imperativo identificar e ajudar estas famílias, a partilha e solidariedade nunca foram tão importantes quanto agora..
O medo de contágio e ser contagiado pelo coronavírus, travou os pedidos de ajuda e uma assistência primordial em casos problemáticos como por exemplo: a esquizofrenia, bipolaridade, demência e depressão..
Decidi, neste artigo, auscultar a opinião de alguém que  lida diariamente com o quadro referido e que, sem dúvida, pode desmembrar um pouco mais este assunto.
A Dra Filipa Caetano é médica de psiquiatria no hospital de Magalhães de Lemos e acedeu, gentilmente, a responder a algumas questões.:
–  Afinal, para si Dra Filipa, o que é a saúde mental?
 – A saúde mental é um termo muito abrangente e não significa apenas
ausência de doença. Para dar uma definição mais consensual, a Organização Mundial de Saúde define ” saúde mental” como um ” estado de bem-estar no qual  um indivíduo percebe o seu potencial, é capaz de lidar com o stress do quotidiano, consegue trabalhar de forma produtiva e é capaz de contribuir para a sua comunidade “
– Acredita que os meios de comunicação e as redes sociais têm um papel relevante na saúde mental?
– Acredito que podem influenciar de forma positiva e de forma negativa. Por um lado, a partilha de experiências de pessoas com doença mental, de uma maneira inclusiva, a educação para a saúde mental e a partilha de linhas de apoio e recursos na comunidade, pode ser muito positivo para  quem luta com problemas de saúde mental. Por outro lado, o sensacionalismo, a divulgação das chamadas ” fake news”, a desinformação e a divulgação de tratamentos, não validados, pode lesar a saúde mental das populações. De qualquer forma, é importante alertarmos os nossos pacientes para as duas faces da moeda, ensinando a olhar de forma crítica para a informação veiculada, por estes meios de comunicação.
– No caso das doenças psiquiátricas, pode indicar por ordem decrescente, as mais frequentes na sua consulta ?
– Na minha consulta, tenho observado mais casos de ansiedade, depressão e alterações de comportamento nas demências.
– Deve deparar-se com casos extremos,pode referenciar alguns?
– Na especialidade de Psiquiatria, deparamo-nos com situações de grande sofrimento para o doente mas também temos casos de enorme resiliência e superação.. Diria que, para mim,os casos mais difíceis são as patologias em que, pela natureza da doença, o paciente não tem consciência que está doente. Isto pode gerar grande angústia no próprio  e dificultar o tratamento e a avaliação do mesmo..
– Parece que existe um enorme consumo de benzodiazepinas. Verdade? Acarreta perigos para o consumidor ?
– As benzodiazepinas são, sem dúvida, fármacos muito prescritos na prática de Psiquiatria. Na verdade, a curto prazo, podem  ser utilizadas de forma segura e eficaz no tratamento da ansiedade, com ou sem associação de antidepressivo. O problema com as benzodiazepinas começa  quando são utilizadas de forma excessiva e/ ou por longos períodos de tempo, uma vez que têm potencial de causar dependência.
–Entrando no seu mundo, diga- me, se puder, qual a substância mais prescrita por si no seu dia a dia ?
– No meu caso,uma vez que me tenho dedicado às perturbações depressivas e da ansiedade, os fármacos mais prescritos são os antidepressivos.
– Terminando, acredita que pode haver uma melhoria na saúde mental?
–A curto prazo, associado aos efeitos diretos e indiretos  da pandemia COVID 19, penso que a saúde mental da população ainda poderá estar em risco.A título individual, é importante estarmos atentos a pequenos sinais e pedidos de ajuda dos nossos amigos, familiares e colegas de trabalho. Por vezes, a pessoa sentir que não está sozinha, já faz uma grande diferença. Se  notarem que algo não está bem, podem sempre recomendar o recurso aos cuidados de saúde , idealmente nos centros de saúde  mas em casos mais graves, existem serviços de urgência de psiquiatria, espalhados pelo País.É urgente tratar a saúde mental com o mesmo rigor com que tratamos a nossa saúde física. Só assim podemos melhorar a saúde mental no nosso País.
—Agradeço a disponibilidade e agradeço em nome de todos os Portugueses, a sua contribuição , dedicação e esforço ,nesta vertente da saúde que, na minha opinião é primordial mas infelizmente, muitas vezes é passada para segundo plano.
Tudo o que dizemos ou fazemos, é controlado pelo cérebro, quando ele decide desligar-se, ou seja ficar sem corrente elétrica, acontece a morte cerebral e, por consequência, a física. O coração bate, mesmo ligado a suporte básico de vida mas …a morte acontece.
Os antigos têm razão quando afirmam: ” mente sã,corpo são”,porque quando a nossa mente está obscura, o corpo responde  enviando sinais, em forma de sintomas: cefaleias,  ritmo cardíaco acelerado, visão turva etc. Neste denso nevoeiro em que vivemos, temos que procurar uma brecha e ver o sol. Sim, depende de nós visualizar um caminho de saída, porque “quando se fecha uma porta, abre-se uma janela”. Temos que acreditar em nós e acreditar que tudo muda num segundo.
Temos que tentar ser felizes com muito menos. Se o fizermos, o nosso cérebro agradece e o bem-estar acontece. Por que não pedir ajuda?
A vida são dois segundos…e um já passou.
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