Assumindo-se como sendo povo e igual aos seus conterrâneos, Sérgio Humberto, presidente da Câmara Municipal da Trofa, fez, em entrevista exclusiva ao AUDIÊNCIA, uma retrospetiva do que conseguiu conquistar, nos últimos oito anos e meio, para o concelho que tanto ama. Lembrando o primeiro dia à frente dos destinos da terra que o viu nascer, o edil enumerou vários projetos e ideias, que ainda anseia concretizar, em prol dos trofenses. Sem esquecer algumas obras materiais que espera ver edificadas, o autarca voltou a reforçar a ânsia de ver o metro a chegar ao município do seu coração, que acredita que será “a capital da região Norte do país”. Sérgio Humberto teceu, ainda, duras críticas à Associação Nacional de Municípios Portugueses, acusando esta instituição de ser “um escudo do Governo”, enganar e não defender os seus associados. Enaltecendo que o futuro da Trofa será muito risonho, o presidente deste município sublinhou que as pessoas estão na linha da frente das suas prioridades.

 

O Sérgio Humberto está no seu último mandato à frente dos destinos da Câmara Municipal da Trofa. Que balanço faz destes oito anos e meio de liderança?

Eu ainda não quero pensar que é o último mandato. Eu tenho a convicção de que ainda faltam cerca de três anos e meio. Ainda há muito caminho a trilhar, há muita coisa a fazer. A Trofa tem projetos até 2032, portanto, esta é uma equipa que vai continuar, que tem um plano vencedor e diferenciador para este município e eu não tenho dúvidas nenhumas de que, depois de sair o Sérgio Humberto, isto vai continuar a carburar e a Trofa será, a meu ver como regionalista que sou, uma futura capital da região Norte do país. Olhando para trás, houve, obviamente, imensos ganhos neste território. A Trofa, há oito anos, era o segundo município mais endividado do país e, hoje, estamos entre os 50 mais estáveis, entre 308 municípios. A Trofa, há oito anos atrás, praticamente só se reunia com credores e, hoje, a dívida reduziu mais de 55 milhões de euros e estamos a fazer obra. A obra da Alameda da Estação começou e foi inaugurada em 2017 e era impensável há seis anos, pois tratava-se de um território abandonado e de uma antiga linha de comboio. Eu costumo comparar a Trofa a uma coluna vertebral. Valência desviou um rio, para ter uma grande coluna dorsal na cidade e nós reaproveitamos a linha de comboio e estamos a fazer essa coluna dorsal, com a Ciclovia Norte, a Escola EB 2/3 com um parque estacionamento, a Alameda, o Parque de Nossa Senhora das Dores e Doutor Lima Carneiro, os Paços do Concelho, a Praça da Independência e, depois, tudo o que ainda vai crescer a sul. A coluna dorsal está montada e o tecido urbano está a ser cozido, mas, obviamente, existem outros projetos que eu ainda quero concretizar durante este mandato, nomeadamente nós ligarmos toda esta coluna dorsal a um espaço desportivo urbano e verde, ao ar livre, com, por exemplo, uma pista de atletismo, campos de futebol com relvados sintéticos, cortes de ténis, aparelhos para as pessoas praticarem atividade desportiva, criação de bosques, sustentabilidade, tratar as nossas linhas de água e dar-lhes, se calhar, algum corpo, em termos de bacias hidrográficas e, portanto, tudo isto já a pensar naquilo que é o futuro daqui a 20 ou 30 anos. Portanto, é nisto que nós estamos a trabalhar. Vamos iniciar, este ano, o projeto para o futuro Auditório/Museu, que é muito mais do que isto, pois num auditório existirão dois, um de 300 e outro de 700 lugares, capacitado para todo o tipo de iniciativas, desde teatro a peças musicais, assim como um museu, espaços para a realização de eventos e conferências, disponíveis para o usufruto das nossas associações, pois é esse o nosso objetivo. Depois, temos em projeto a reconstrução da Ponte Pênsil da Trofa. Portanto, ainda recentemente estive a fazer contas com os nossos colaboradores relativamente às obras que estão a decorrer e percebemos que, hoje, nós temos cerca de 27 milhões de euros de obra no terreno, eu não estou a falar de projetos passados ou do acumular deste somatório, mas do presente. Posso dizer-lhe que são poucos os municípios em Portugal, dos 308, que têm este volume de obra, em andamento. Portanto, o que era a Trofa há oito anos e o que é hoje? Hoje temos parques infantis e áreas de lazer em todas as freguesias e no dia 4 de setembro vamos inaugurar a Ciclovia do Coronado. Vamos inaugurar, também, este ano, a requalificação que nós fizemos no Castro de Alvarelhos, na ordem dos 500 mil euros e vou aqui recompor aquilo que eu disse, pois aquilo que me tem dito o professor Rui Centeno, da Faculdade do Porto, é que nós devemos começar a falar da maior Estação Arqueológica da Península Ibérica, porque, nas últimas escavações que fizemos, foram encontrados achados da Idade do Ferro e da Idade do Bronze, que nos levam a um período anterior ao castrejo. Portanto, há muitas coisas a fazer, como a requalificação de Alvarelhos, alguma rede viária, mas, no fundo, existem, aqui, pilares muito sustentados, como por exemplo a Loja da Mobilidade, que vamos inaugurar, também, em setembro e podia continuar, aqui, com o infinito conjunto de projetos que estão em mente e que serão executados.

 

Já muito foi feito e ainda muito há para fazer. O que o inspira no seu dia a dia? Quais são as suas maiores motivações?

Em primeiro lugar, as pessoas. Eu amo aquilo que eu faço e quando uma pessoa ama o trabalho que faz, consegue mover montanhas. Às vezes é cansativo, mas são mais as coisas positivas, do que negativas. Depois, trabalhamos, todos os dias, em busca de um sonho. Todos os dias nós temos de tornar possível, aquilo que nos dizem que é impossível. Estamos a fazer, no fundo, o que os outros não fazem e, portanto, temos de trabalhar mais para sermos diferentes, para melhor, num território que está a recuperar de um primeiro quadro comunitário que não teve investimento. Portanto, é essa inspiração, são as pessoas e, sobretudo, um legado que é importante deixar aqui, na Trofa do futuro, um território de empresas, pessoas, famílias, qualidade de vida, bem-estar, onde se trata bem as nossas crianças, com excelente ensino, onde se trata bem os nossos mais idosos, com qualidade de vida, para que tenham um envelhecimento ativo, com bons cuidados de saúde e segurança, sendo que nós somos o segundo município do distrito do Porto mais seguro. Portanto, tudo isto são questões fundamentais, mas, para isto, é preciso trabalhar todos os dias e não um ou dois dias.

 

Enquanto presidente da Câmara Municipal da Trofa, qual foi o momento mais marcante, para si?

O momento que mais me marcou foi, muito sinceramente, a primeira tomada de posse, que ocorreu a 21 de outubro de 2013, pois no momento em que eu estava a intervir, em nome da equipa que eu tenho a honra de liderar, chovia copiosamente e houve um conjunto de desabamentos de muros e até o próprio Salão Nobre dos Bombeiros da Trofa, onde estava a decorrer a sessão, foi, no fundo, inundado pela chuvada. Portanto, comecei a trabalhar logo no primeiro dia. Demos imediatamente como encerrada a cerimónia e fomos para Guidões, onde tinha caído um muro em cima de um carro, e muitas estradas foram levantadas. Nessa mesma noite, houve um incêndio numa empresa e, como tal, eu acho que foi mesmo uma tomada de posse abençoada. E foi, sobretudo, ter a consciência da responsabilidade, que eu estava a assumir. Logo, esse foi o dia mais importante. Obviamente que, existiram dias muito felizes no meio disto, de responsabilidade, mas, também, de tristeza, quando recebíamos credores e imaginávamos como é que lhes íamos pagar, e de muitas dores de cabeça, pois tínhamos de dizer não a muita gente. Porém, a felicidade superou todos os momentos negativos, com, por exemplo, a inauguração do Parque de Nossa Senhora das Dores e Doutor Lima Carneiro, da Alameda da Estação, da Antiga Estação Ferroviária, do Parque das Azenhas, ou do lançamento da primeira pedra dos Paços do Concelho, dos parques infantis e de lazer em todas as freguesias, dos quilómetros de estradas, que foram requalificadas e das praças que nós reabilitamos. Portanto, foram muitos os dias positivos e vão ser muitos, ainda, aqueles em que vamos ser felizes no futuro, com certeza.

 

Fala de uma Trofa do futuro. Neste seguimento, quais são as suas perspetivas para o amanhã?

São ótimas. O caminho das pedras já está feito. Tudo o que pode vir, agora, são coisas muito positivas. Deixe-me dar-lhe um exemplo: se o tecido privado investir ou geminar 50%, até vou dizer mais, um terço daquilo que está previsto, no município da Trofa, representará uma mudança de 180 graus. Há pouco, não falei da Variante à Estrada Nacional 14, que é uma ânsia com mais de 25 anos e que está no terreno, representando uma obra de mais de 32 milhões de euros e temos outra luta, que é o metro e, portanto, a Trofa tem o futuro garantido. A nossa assinatura é “O futuro passa por aqui!” e, hoje, temos mais a certeza do que nunca. Se há oito anos, quando nós mudamos a assinatura, que não existia, eram várias, nós tínhamos a convicção de que éramos quase os únicos, que acreditávamos que o futuro passava pela Trofa, hoje, a grande maioria da população da Trofa, e não só, tem a consciência de que o futuro passa mesmo pela Trofa, e será aqui.

 

O município da Trofa nasceu, há quase 24 anos, da reivindicação do povo, mas, atualmente, também continua a vindicar muito, através do Sérgio Humberto. Relativamente à antiga luta pelo metro, enquanto vice-presidente da Área Metropolitana do Porto, o que é que está em cima da mesa?

Eu sou povo, eu sou Trofa e eu sou igual aos meus conterrâneos, pois é isto o que me caracteriza. Eu nasci, cresci, vivo e quero continuar a viver, assim como a constituir família na Trofa, pois é aquilo que eu tenho feito e o que me move é este legado que nós podemos deixar na curta vida que nós temos, que passa por coisas boas imateriais, que muitas vezes são mais importantes, mas, também, materiais e, neste caso, nós não tínhamos muita coisa, como o edifício dos Paços do Concelho e as obras que eu já enunciei antes. Eu vou continuar a ser reivindicativo. Claro que, era muito fácil, nestes três anos e meio, colocar as mãos dos bolsos, dizer que já muita coisa foi feita e pensar que aquilo que está para acontecer já está planeado, mas eu tenho, em nome da Trofa, de continuar a reivindicar, no fundo, projetos fundamentais, para o desenvolvimento do município e vou chatear, todos os dias, quem tiver de chatear, para que isso seja uma realidade, coisa que num passado recente, não aconteceu, infelizmente, pois deixou-se cair, cruzou-se os braços, uma vez que rebaixamo-nos a Lisboa ou, neste caso, muitas vezes até à Área Metropolitana e à Metro do Porto. Esta equipa não é assim. Nós não nos deixamos vencer, quando temos a certeza de que a verdade, as convicções, as razões e os factos estão do nosso lado e, portanto, vão ter de levar connosco nesta questão do metro e nós só vamos descansar, quando o metro estiver no Interface Rodoferroviário, aqui, no centro da cidade.

 

A descentralização de competências tem sido um dos temas mais polémicos do momento. Quais são as perspetivas sobre o impacto deste acordo nos municípios?

Houve, aqui, dois fenómenos que eu tenho de ressalvar. Primeiro, é o fenómeno Rui Moreira, pois eu tenho de parabenizar um colega que, realmente, teve a coragem de dar um murro na mesa e, depois, meia dúzia de autarcas, que se levantaram e que, também, deram esse murro na mesa, dizendo que não são complacentes com uma direção da Associação Nacional de Municípios, que trata da sua vidinha. E, portanto, os valores na educação, estão muito próximos de não se tornarem asfixiantes, para o município. Nós sabemos que vamos ter défice, temos essa consciência. Por exemplo, no caso das refeições, a indicação que eu tenho é de que, possivelmente, vão ser fechadas a 2,65 euros, quando andávamos a negociar a 1,64 euros. Agora, imaginem os milhares de refeições que são feitas, assim como os transportes que disponibilizamos, mas nós encaramos isto como um investimento. Agora, o que nós não queríamos era que fosse uma descentralização asfixiante e que os municípios apenas fossem tarefeiros, e pior do que isso, maus tarefeiros, porque não teriam dinheiro para prestar, pelo menos, os serviços que, hoje, estão a ser fornecidos pelo Estado central e que não são bons. Nós queremos melhorar e queremos mais competências para o fazer, principalmente para ajudar a nossa população. Portanto, o que tem resultado das nossas reivindicações é que nós tínhamos razão. Afinal, o Governo está a ir ao encontro daquilo que nós já vínhamos a alertar há meses e que a Associação Nacional de Municípios, antes do dia 1 de abril deste ano, dizia: “está tudo preparado”, “está tudo fechado”, o que era, realmente, uma falácia, pois estão a ir ao encontro dos nossos valores. Nós esperamos que aquilo que aconteça na área social e na saúde, não seja o que aconteceu na educação, que se antecipe tudo aquilo que são as dificuldades, aquilo que nós conhecemos no território, porque quem está nos gabinetes em Lisboa não sabe o que se passa no terreno, não sabe o que se passa em Bragança, em Viseu, na Trofa, no Porto, em Vila Real, em Tabuaço, em Freixo de Espada à Cinta, ou onde quer que seja, pois não contacta com as pessoas, nem com as realidades sociais e é isto o que nos deve mover. Para mim, a melhor profissão de político que uma pessoa podia ter é ser autarca.

 

Na Assembleia de Autarcas Social-Democratas, que se realizou no âmbito do 40º Congresso do PSD, no Porto, o Sérgio Humberto deu um murro na mesa e fez um discurso bastante efusivo, criticando o trabalho que está a ser executado pela Associação Nacional de Municípios Portugueses e pela sua presidente, Luísa Salgueiro. Considerando que, aqui, não está em causa o partido, na sua opinião, o que é que está mal e o que é que deveria ser feito?

Eu não critiquei só a atual presidente, eu critiquei, inclusive, um companheiro do partido, o presidente da Câmara Municipal de Aveiro, fosse ele o Papa. Não está em causa o partido. A questão é que a Associação Nacional de Municípios, nos últimos anos, tem sido um escudo do Governo. Acontece que se o escudo está a proteger o Governo e a servir de proteção para enganar os municípios, nós temos de o derrubar. Esta direção, tal como a anterior, estava, no fundo, a enganar os municípios e não estava a proteger os seus associados, coisa que no passado não aconteceu com Fernando Ruas e com Mário Almeida, duas pessoas de dois partidos diferentes, mas que defenderam, sempre, os municípios e, portanto, quem vai para este cargo não é para defender o partido, é para defender os concelhos, mas estava a ser conivente, rebaixando-se, deixando-se pisar, para resolver o problema dos seus municípios e não de todos os municípios. E é, aqui, que nós temos de demonstrar a nossa força e a nossa garra, porque nós devemos defender primeiro os nossos territórios e só, depois, o nosso partido.

 

Foi este descontentamento que conduziu à saída do Porto da Associação Nacional de Municípios Portugueses e que está a fazer com que tantos outros coloquem a hipótese de abandonarem esta instituição?

Claro sim, mesmo alguns municípios tendo a consciência de que são a favor e de que é importante uma associação. Mas, se esta associação não nos representa, o que é que nós ganhamos com isso? Nós temos de ter uma Associação Nacional de Municípios que nos represente e defenda. Por exemplo, nós tivemos aumentos da energia na ordem dos 40% e continuamos a pagar. Estamos a falar de iluminação pública, para as pessoas, e estamos a pagar 23% de IVA, enquanto servimos a população. Nós não somos nenhuma empresa, mas mais, nós assistimos, aqui ao lado, como ouviu, em Espanha, onde reduziram de 10 para 5% à população. Portanto, este Governo, este Estado, que é centralista, está a ter a maior carga fiscal de toda a história de Portugal e é aquele que está a prestar piores serviços. A desvalorizar a segurança, a desvalorizar, de uma forma histórica, a educação, a saúde, com os problemas que nós temos, a não reformar a justiça e tudo isto são pilares fundamentais de uma democracia, que é o único sistema político em que eu acredito. Perante isto, o que é que nós temos de fazer? Nós, como portugueses, lusitanos, conquistadores, patriotas e defensores da liberdade, temos de denunciar aquilo que está mal e não podemos deixar que um Governo, quase ditatorial, imponha regras e nos tire a voz. Portanto, é por isto que nós temos de lutar todos os dias, mas, aqui, não tem de ser o Sérgio Humberto, têm de ser todos, em prol de um bem comum, que são as nossas comunidades, o nosso território, para que seja um concelho que proporcione, cada vez mais, igualdade aos nossos habitantes. Portugal não é só Lisboa. Portugal é todo um continente, são as Regiões Autónomas, é a nossa plataforma continental marítima e é nisto que nós temos de trabalhar, para as nossas futuras gerações.

 

O Sérgio Humberto enviou, recentemente, uma proposta à Área Metropolitana do Porto (AMP), que não foi votada, por ter sido apresentada depois do período disponibilizado, mas que previa a alocação das verbas disponíveis dos municípios que não as aplicaram, para aqueles que já tinham investido a totalidade das mesmas. Como, na altura, não esteve presente, o que o levou a fazer esta sugestão? Qual era o seu objetivo?

O meu objetivo não era retirar dinheiro aos 17 municípios, mas, sim, que a Área Metropolitana do Porto não perdesse um cêntimo para o envelope financeiro, primeiro do Norte, e, depois, de Lisboa. Portanto, o meu intuito era, se algum município estivesse com dificuldades em utilizar o dinheiro, por exemplo, no pacto, poderia alocá-lo, trocando com outro município o mesmo valor, por exemplo, poderia não utilizar no pacto, mas teria mais dinheiro no PEDU. Esta proposta adveio no seguimento daquilo a que assistimos nos últimos quadros comunitários, em que os fundos que não foram utilizados no Norte, foram absorvidos por Lisboa. O objetivo era este, mas a proposta foi mal interpretada, de forma enviesada, porque eu não estava lá, porque o intuito era realocar verbas que alguns municípios tivessem dificuldades em executar, para os municípios não perderem, no fundo, os montantes. Neste âmbito, esta avaliação deve ser feita na AMP, para que nenhum município perca dinheiro para o envelope geral do overbooking. Esse era o meu primeiro objetivo, obviamente que, em última circunstância, se algum município visse que as empresas não completavam e abandonavam as obras, tivessem concursos desertos e não conseguissem concluir os seus projetos, a verba, aí, seria distribuída, obviamente dentro da Área Metropolitana do Porto, não englobando os maiores, bem pelo contrário, redistribuindo, sendo, depois, o município em causa, compensado no futuro, com outros verbas de futuros quadros comunitários. É, assim, que eu vejo que deve ser a Área Metropolitana, uma entidade de consensualização, não uma entidade de fratura e, portanto, foi esta a intenção, enquanto vice-presidente da AMP, de levar isto para cima da mesa, pois eu não gostava, por exemplo, que os municípios do Porto, Gondomar, São João da Madeira, ou da Póvoa de Varzim, libertassem verbas, que não seriam utilizadas no nosso território. Portanto, eu tenho a visão de que quanto mais fortes forem os nossos territórios vizinhos, mais forte é o nosso, pelo que se os municípios de Santo Tirso, Vila do Conde ou Póvoa de Varzim perderem, a Trofa também perde. Nós somos mais fortes quando os nossos territórios vizinhos são mais fortes também e se AMP for cada vez mais forte, obviamente, a Trofa também ganha com isso.

 

E acredita que será o futuro?

É claramente o futuro, obviamente, aquilo que se imagina é que a AMP cresça no futuro. Porque não pensarmos numa Área Metropolitana com o município de Famalicão? Cada vez mais faz sentido e eu vejo uma AMP com futuro e não quero ver uma Área Metropolitana fraturada e entre aqueles que são os mais populosos e os menos populosos. Eu quero é que na AMP exista uma boa rede de mobilidade, de cultura, de combate aos incêndios, no âmbito da proteção civil, e que muitos dos veículos sejam partilhados entre municípios, porque não são todos os municípios que podem ter, por exemplo, uma autoescada de combate a incêndios urbanos. Aquilo que eu vejo é, cada vez mais, a coesão entre municípios e não cada um fazer o seu trabalho, individualmente, per si.

 

Imagina-se a sair feliz, no final do seu mandato?

Eu acho que sim. Eu espero dar a minha tarefa, de serviço público, como concluída, quando chegar esse dia. Aquilo que eu lhe posso garantir é que vou trabalhar até o último dia, à semelhança da forma como entrei, pelo que espero terminar a minha liderança à frente dos destinos da Câmara Municipal a trabalhar e, sobretudo, mais do que feliz, quero sair de consciência tranquila e, nessa altura, espero que a maioria das pessoas, porque nunca agradamos a toda a gente, constate, no seu dia a dia, que a sua vida melhorou.

 

Qual é a mensagem que gostava de transmitir à população?

Primeiro, de que nós somos Trofa e só isso já nos caracteriza. O objetivo das nossas políticas são as pessoas, a melhoria da qualidade de vida, melhores serviços públicos, boa educação, saúde e segurança, para que as pessoas possam, aqui, trabalhar, residir, constituir família e, sobretudo, serem felizes. É esta a mensagem que eu gostaria de deixar a todos os meus conterrâneos.