Como tem sido hábito, as autoridades israelitas ignoraram as advertências da ONU e UE e avançaram há dias com a demolição de zonas residenciais em Jerusalém Oriental, mais concretamente na cidade palestiniana de Sur Baher que foi invadida por militares acompanhados por bulldozers, obrigando centenas de residentes  a abandonar o bairro de Wadi al-Hummus declarado como zona de acesso interdito.

O exército de ocupação israelita justificou esta acção afirmando que os edifícios situados junto ao muro de separação, constituem «um risco para a segurança», tudo legalizado pelo Supremo Tribunal de Israel e conforme os desígnios expansionistas do sionismo.

Os palestinianos afirmam que esta situação abre um precedente para outras aldeias e cidades localizadas junto ao muro do «apartheid» mas na parte ocidental e acusam Israel de usar o pretexto da segurança para os expulsar da região, assim expandindo os colonatos israelitas ilegais à luz do Direito Internacional e dando continuidade à expulsão de milhares de residentes das suas casas em Jerusalém.

«O que se está a passar aqui hoje é a deslocação forçada, massiva da população que vive no bairro de Wadi al-Hummus», disse à agência Ma’an Ali al-Obeidi o presidente da comissão do bairro, enquanto outros habitantes chamaram a atenção para o facto de serem obrigados a passar a viver na rua, apesar de terem construído as suas casas com uma autorização da Autoridade Palestiniana, que exerce um poder limitado na Margem Ocidental ocupada por Israel.

O Supremo Tribunal israelita ignorou essas autorizações, tendo deliberado que as casas violavam uma proibição de construção naquela área, acrescentando que a construção perto do muro «poderia servir de protecção para atacantes».

Entretanto e não muito longe, em território sírio, Issam Hawsheh, director do Hospital Nacional de as-Suqaylabiyah, localizado no Norte da província de Hama, próximo de áreas ainda controladas por grupos terroristas, junto à planície do Ghab e  servindo uma população de 300 mil pessoas, lamenta os ataques quase diários de mísseis e morteiros «fabricados no ocidente, pagos pelos estados do golfo e fornecidos pela Turquia, França e Estados Unidos» em entrevista concedida à jornalista e escritora britânica Vanessa Beeley, a qual acrescentou que os civis desta cidade de as-Suqaylabiyah têm sido alvo de bandos terroristas, em que crianças foram assassinadas quando brincavam nas ruas, nas escolas e mesmo quando procuravam refúgio no mosteiro da cidade.

O director do Hospital Nacional, Issam Hawsheh, salienta ainda o impacte negativo causado pelas sanções impostas ao estado soberano da Síria no sector da Saúde, pois no seu hospital com capacidade para 200 camas, só 120 estão disponíveis e  há equipamento hospitalar, como máquinas de diálise e de suporte de vida na unidade de urgência, que deixou de funcionar, pois foi importado da Europa, as peças são europeias e a manutenção era feita por empresas europeias.

Salientou ainda as grandes perdas ao nível do pessoal médico, devido aos ataques terroristas lançados sobre o hospital diariamente e as pressões sobre alguns funcionários que tinham as suas casas ou as das suas famílias em áreas controladas pelos grupos terroristas, para que não continuassem a trabalhar para o Estado sírio.

Ao ser questionado sobre a «propaganda dos órgãos de comunicação ocidental», afirmando que o governo sírio bombardeia hospitais em Idlib, Issam Hawsheh esclareceu que «os cidadãos em Idlib são cidadãos sírios que estão a ser mantidos como reféns, se pudessem escolher nenhum deles ficaria mais um minuto em áreas controladas pelos terroristas», salientando que «é impossível que o governo bombardeasse infra-estruturas depois de trabalhar 40 anos na sua construção, incluindo hospitais e escolas».

Sobre os Capacetes Brancos, afirmou que se trata de uma «organização falsa, criada pelos serviços secretos britânicos, actores que aderiram à ideologia terrorista, que influenciam os media ocidentais, enganam as pessoas no Ocidente, fazendo aumentar a pressão sobre o governo sírio, não são uma organização humanitária, uma organização que significa cuidados médicos e humanidade, de forma alguma», sublinhou.

Entretanto, «A Síria expressa a condenação veemente da interferência continuada e destrutiva dos EUA nos seus assuntos, na medida em que visa prolongar e complicar a crise», lê-se num comunicado emitido pelo Ministério sírio dos Negócios Estrangeiros e divulgado pela agência SANA.

A nota acrescenta que Damasco «rejeita de forma categórica» qualquer tipo de entendimento entre a Turquia e os Estados Unidos, com vista à criação de uma «zona segura» no Norte da Síria, sublinhando que se trata de uma «violação flagrante da integridade territorial e da unidade nacional da Síria», bem como dos «princípios do Direito Internacional e da Carta das Nações Unidas».

A insegurança está, pois, na ordem do dia obrigando-nos a lutar pela Paz, denunciar os atropelos que contra ela são cometidos e desmistificar as acções imperialistas de domínio global a qualquer custo que colocam o mundo nos limiares da destruição.

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