AS MARAVILHAS DO DOURO VISTAS DO CARRASCALINHO

Orgulho de “forneiros” e “freixenistas”, o termo Carrascalinho bem poderia ser denominação territorial em qualquer ponto do planeta. Porém, neste caso concreto, falar do Carrascalinho é falar somente de um lugar paisagístico que diz muito ao sentimento bairrista dos naturais da aldeia de Fornos, de braço dado com a EN 221, a 16 Km da sede do concelho a que pertence, Freixo de Espada à Cinta, bem no coração do universo do Parque Natural do Douro Internacional. Com efeito, o Carrascalinho é a denominação do miradouro do mesmo nome, uma espécie de varanda do Douro, com localização privilegiada no termo de Fornos, que nos permite observar a imponência do vale deste mediático curso de água luso-espanhol (um dos maiores da Península), que dali se avista num cenário paisagístico verdadeiramente sublime. Mas a valência objectiva do Carrascalinho não se limita à nomenclatura do espaço que todos os naturais (e não só) veneram e conhecem fisicamente na escarpada margem direita do Douro Internacional. É que, desse mesmo espaço de observação, para além da sinuosidade do rio e das culturas humanizadas pelas poucas famílias que ali ainda teimam em resistir, podem observar-se diversas espécies predadoras aladas, cinegéticas e outras, que confirmam claramente a riqueza das espécies que vivem e se reproduzem ao longo do espaço territorial do Douro Internacional, compreendido entre Miranda do Douro, a montante e a foz do seu afluente Águeda, que delimita os dois países no lugar de Barca d’Alva (freguesia de Escalhão), já no município de Figueira de Castelo Rodrigo, no distrito da Guarda. Para além do excelente cenário paisagístico deste nordeste humanamente cada vez mais desertificado, são frequentemente visíveis aves de rapina como a Águia Real, Águia de Bonelli, Águia Cobreira e outras predadoras de menor dimensão, tais como falcões, milhafres e Cegonhas Pretas, a par de espécies necrófagas como são os Grifos e os Abutres do Egipto que também são frequentes naquelas paragensTratando-se Fornos de uma comunidade predominantemente rural, a actividade económica desta aldeia, que antes de 2013 tinha o estatuto de sede de freguesia, entretanto perdido por via da Reforma Administrativa realizada naquela data, integra agora o universo da União de Freguesias de Lagoaça e Fornos, centrando a sua actividade na cultura do vinho e do azeite, a par de algumas explorações de apicultura e pomares de citrinos e outros, a cujo fruto a proximidade do rio confere uma qualidade bastante apreciada.

Em relação à demografia desta antiga sede de freguesia, agora agregada à freguesia vizinha mais a norteFornos apresentava uma população de escassos 206 habitantes, segundo os números registados pelos Censos de 2011No entanto, analisando o quadro demográfico entre 1950 (com 875 pessoas, teve nesse ano a maior expressão populacional) e 2011, tendo por base a desertificação humana que tem atingido a região, o número de habitantes permanentes de Fornos tem descido sucessivamente Censo após Censo, apresentando nesse ano uma das mais baixas densidades populacionais de todo o concelho, com 7,2 habitantes por Km2embora se desconheçam ainda os valores registados no último recenseamento.