Na política desde 1997, Dário Silva divide, atualmente, a sua vida entre ser presidente de Junta e professor de História. Em conversa com o AUDIÊNCIA, o autarca falou sobre os desafios da freguesia, o legado de Eduardo Vítor Rodrigues, o atletismo, o futuro e os jovens.

 

 

Quando é que a política apareceu na sua vida?
Entrei para a política em 1997, quando o então presidente da Junta de Freguesia de Oliveira do Douro, José Candoso, fez-me o convite para integrar a lista do Partido Socialista à Assembleia de Freguesia de Oliveira do Douro. A partir dessa altura tenho-me dedicado com todo entusiasmo e paixão pela vida da minha comunidade.

 

Quando assumiu a presidência, quais as dificuldades que encontrou?
Assumi a presidência da Junta de Freguesia de Oliveira do Douro num período particularmente difícil, pois tínhamos passado injustamente 36 meses sem receber duodécimos da Câmara Municipal, numa decisão perfeitamente discriminatória do então presidente da Câmara. Lembro esse final de mandato de uma forma dolorosa e, sobretudo, da forma corajosa e estoica em que, na altura, o presidente da Junta, Eduardo Vítor Rodrigues (hoje presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia) conseguiu resistir. Como se compreenderá os tempos que se seguiram foram de reorganização de forma a retomar o caminho de progresso que a freguesia tinha vivido.

 

Como é que as ultrapassou?
Foi um período muito difícil, de muitas solicitações e até de alguma desconfiança por parte das pessoas, sobretudo, para quem tinha de suceder a uma figura tão carismática como Eduardo Vítor Rodrigues. Porém, com muita determinação, trabalho e resiliência, acompanhado de uma grande equipa foi possível fazer um excelente mandato. A prova disso foi o resultado eleitoral obtido nas eleições autárquicas de 2013.

 

Durante estes oito anos, quais as obras que marcaram o seu mandato?
Posso dizer que tenho sido um presidente de Junta privilegiado, pois o trabalho e dedicação que temos posto nos nossos projetos têm sido coroados com grandes investimentos na freguesia. Gostaria de registar que, por intervenção direta ou indireta por parte da Junta de Freguesia, estes oito anos ficam marcados pela construção de dois centros escolares, dois lares, duas creches, um Centro de Alto Rendimento, a remodelação do Pavilhão Municipal, a construção do Pavilhão Maia e Brenha, a construção do Complexo Desportivo do Clube de Futebol de Oliveira do Douro, a requalificação da frente de rio e um conjunto de requalificações viárias sem paralelo, particularmente ocorrido nos últimos quatro anos. Se a isto juntarmos toda a nossa intervenção no domínio da educação e da ação social, áreas que sempre priorizamos, acho que podemos ter muito orgulho no que tem sido feito.

 

E agora, como é que está a freguesia?
Acho que é inequívoco que progrediu muito nestes últimos oito anos, seguindo uma linha de intervenção de há muito na freguesia. Somos uma autarquia que dispõe de equipamentos fundamentais que podem garantir qualidade de vida à sua população. Não temos medo de ser comparados a outras freguesias da nossa dimensão. Acho que não há muitas autarquias que se podem gabar de terem uma escola secundária, uma escola de 2º e 3º ciclo, dois centros escolares, dois auditórios, dois lares, jardins de infância e creches, alguns dos melhores equipamentos desportivos do concelho, um centro de alto rendimento, um Centro de Saúde, uma Unidade de Saúde Familiar de referência, uma esquadra de polícia, dois dos melhores parques urbanos do concelho e vários estabelecimentos comerciais de qualidade. Paralelamente, conseguimos ter um tecido associativo que em muitos casos servem de referência e modelo. Acho que a obra está à vista de todos!

 

Sente-se com o dever cumprido?
Como autarca que anseia sempre o melhor para a sua terra, sinto uma permanente insatisfação, na medida em que aquilo que está feito já faz parte do passado e, portanto, é preciso continuar a trabalhar para desenvolver e concretizar novos projetos. Apesar de tudo, acho que eu e a minha equipa temos que nos sentir orgulhosos daquilo que temos feito.

 

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Relativamente à população, as pessoas reconhecem o seu esforço?
Generalizou-se a má imagem dos políticos, todavia, acredito que as pessoas continuam a ver a esmagadora maioria dos autarcas de maneira diferente. Na verdade, por lidarem de mais perto com os autarcas, por acompanharem e participarem muitas vezes nos projetos desenvolvidos nas freguesias e nas Câmaras, elas reconhecem que trabalho desenvolvido é sobretudo um trabalho de dedicação e paixão pela sua comunidade. Felizmente que em Oliveira do Douro sinto esse carinho e reconhecimento por tudo aquilo que temos feito.

 

Que apoios a Junta dá às associações?
A Junta de Freguesia concede apoio logístico e financeiro às associações sociais, culturais, recreativas e desportivas da freguesia de acordo com o plano anual das mesmas e da candidatura que estas fazem para verem apoiadas as suas iniciativas. Importa referir que estes apoios são públicos, transparentes e votados em Assembleia de Freguesia.

 

A nível de atletismo, Oliveira do Douro tem bastante reconhecimento, qual a sua importância para a freguesia?
Tem sido com enorme prazer que temos vindo a acompanhar e apoiar a Academia de Atletismo do Clube de Futebol de Oliveira do Douro no panorama do atletismo português. Tal êxito deve-se ao presidente do clube que aceitou a aposta numa nova modalidade na instituição onde o futebol tem tido primazia e, fundamentalmente, ao trabalho extraordinário que os técnicos responsáveis da seção têm feito. Eles são os verdadeiros obreiros deste notável trabalho. Sem dúvida que é prestigiante para a freguesia sabermos que temos atletas campeões nacionais e com marcas desportivas de relevância, bem como muitos jovens a praticar desporto de forma saudável.

 

E relativamente à Festa da Bifana, qual a sua importância para o desenvolvimento da região?
A Festa da Bifana é já um dos grandes eventos de verão do concelho de Vila Nova de Gaia e que já traz muita gente de fora. Trata-se de um grande momento de afirmação da freguesia e das associações culturais e desportivas de Oliveira do Douro. Assume um papel muito relevante na vida financeira das mesmas, bem como para o comércio local face à grande quantidade de produtos consumidos no período da festa. Gostaria de salientar que sem o apoio que a Câmara Municipal tem dado tudo isto não seria possível.

 

Qual o balanço do evento este ano?
Acreditamos que este foi o ano que contou com o maior número de visitantes, o que se fez repercutir no rendimento obtido pelas associações. Mais uma vez, foram consumidas várias toneladas de bifanas, verdadeiro ex-libris da festa e vários milhares litros de cerveja. Do ponto de vista cultural, foi ainda um importante momento de afirmação do associativismo oliveirense, bem como um excelente fim de semana de festa, música e convívio.

 

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“Sinto-me muito motivado”

Oliveira do Douro pode contar consigo por mais quatro anos?
Claro que sim. Sinto-me muito motivado para poder continuar a trabalhar por todos os oliveirenses na construção de uma freguesia mais moderna, mais justa e solidária.

 

Apesar de tudo, o que ainda falta fazer por Oliveira do Douro?
Haverá sempre algo por fazer desde que saibamos escutar a população e de querermos, como queremos, construir uma freguesia moderna, mais justa e onde dê gosto viver. Como tive oportunidade de dizer, a freguesia está num patamar que lhe permite dispor, ao contrário da maior parte de outras, de equipamentos que conferem aos seus habitantes qualidade de vida, todavia continua a necessitar de investimentos que melhorem a prestação dos serviços prestados. A requalificação do edifício sede, a construção da VL10, a luta pela melhoria do sistema de transportes e adesão de todas as carreiras ao Andante, a manutenção da aposta no domínio da educação e ação social são desígnios para um novo mandato. Reservaremos a apresentação de outros projetos para a devida altura.

 

Como tem sido a relação entre a freguesia e a Câmara?
Excelente. O facto de termos um presidente de Câmara que já foi presidente de Junta e que manifesta uma sensibilidade e compreensão para o papel deste tipo de autarquias facilitou muito processo. Se a isso acrescentarmos o trabalho do vice-presidente e do restante elenco executivo municipal poderemos dizer que a gestão da freguesia, não sendo mais fácil, foi mais articulada e participada. Acresce ainda que, pela primeira vez em muitos anos, tivemos um presidente de Câmara que diversificou investimentos por todo o concelho, sem qualquer carácter discriminatório (reconhecido pelos próprios presidentes que foram eleitos por outros partidos) e que possibilitou um desenvolvimento de um projeto concelhio harmonioso num verdadeiro espírito de equipa.

 

Mas, o que é que a Câmara podia fazer mais pela freguesia?
Face às restrições financeiras a que a Câmara esteve sujeita e que implicou consequências financeiras para as Juntas, poderemos dizer que o trabalho feito foi muito bom, todavia houve alguns projetos que não foram realizados e que gostaríamos de vermos concretizados a breve prazo.

 

Os jovens são uma peça importante para o futuro, tendo lidado com vários jovens, como avalia a juventude de hoje?
Fruto da evolução dos tempos, os jovens são necessariamente diferentes, mais despertos e com apetências que lhes permitem uma melhor adaptação à mudança rápida do tempo em que vivemos. Muitos vivem o drama do desemprego e da falta de oportunidades para a construção de uma carreira ou até de uma vida familiar estável, todavia, acredito que eles próprios têm que ser o próprio motor da mudança. Há muitos exemplos no passado onde isso aconteceu, portanto espera-se da parte deles a irreverência, a criatividade que possa impulsionar o país para outros patamares de desenvolvimento.

 

Qual a relação deles com a política?
Vejo pouco entusiasmo na maioria dos jovens pela política, mas não só, eu diria pela participação de uma forma mais constante na vida da comunidade. Se é certo que eles se mobilizam muito rapidamente para determinadas causas, gostaria de os ver envolvidos de forma mais permanente na vida política da freguesia, bem como nas associações culturais e recreativas. Aos mais velhos compete-lhes sensibilizá-los para a participação e dar-lhes oportunidades. Se tomar como exemplo a lista do partido que me sustenta na Assembleia de Freguesia verá que é isso que temos vindo a fazer.

 

Os jovens têm a consciência que podem fazer mudança?
Acredito que sim, pois já deram muitas provas disso.

 

O que se pode fazer para incentivar os mais novos a aderirem mais à política?
Fazer aquilo que em Oliveira do Douro temos feito. Responsabilizá-los, dar-lhes a oportunidade de participarem e de mostrarem que a opinião e ação deles é determinante para o futuro.

 

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Enquanto Dário Silva, o que é que o motiva?
Continua a motivar-me muito o trabalho pela comunidade e pelo país onde vivo. Acredito convictamente que devemos fazer tudo para construir um mundo melhor para aqueles que nos sucederem. Nos tempos que correm não é fácil, mas sinceramente, tento fazê-lo todos os dias.

 

Abdicou de muitas coisas nestes anos todos de política?
Tal como em muitas áreas, a política, nomeadamente ao nível das autarquias, obriga-nos a abdicar de muitas coisas, tais como, o conforto das nossas casas, o gozo dos tempos livres em atividades que nos dão prazer (a leitura, as viagens, os projetos pessoais e profissionais), porém quem cá está sabe disso e, portanto, não tem que se lamentar. Saliento, todavia, que com isso posso bem, o mesmo não direi do tempo que deixei de estar com a minha família. Felizmente que, até à data, eles têm sido compreensivos e têm percebido o alcance da minha dedicação à causa pública.

 

Que sonhos ainda faltam cumprir a nível pessoal?
A cada dia que acordo sinto-me grato por levar a vida que levo e abençoado por ter a família e os amigos que tenho. Faço por viver o melhor que posso, um dia de cada vez, procurando construir e aproveitar as oportunidades que possam surgir. A vida tem-me aberto muitas portas pelo que acredito que o melhor estará sempre para vir.

 

O seu lema de vida é…
Como dizia, e muito bem, Fernando Pessoa: “Às vezes ouço passar o vento; e só de ouvir vento passar, vale a pena ter nascido.”