CONTINUAMOS A RECEBER PROBLEMAS POLICIÁRIOS

Com a próxima edição do torneio de decifração “Solução à Vista! – 2016” a vinte dias de arrancar, com a publicação da sua primeira prova, recebemos atá ao momento 8 (oito) dos problemas policiários que irão colocar à prova as meninges dos nossos “detetives”. Mas ainda faltam mais enigmas. E esses são os que se apresentem como candidatos ao concurso de problemas policiários “Mãos à Escrita!  – 2026”, que continuamos a aguardar até finais de março do próximo ano. Entretanto, como prometido, recordamos a solução de autor do problema vencedor de 2022.

 

enigma vencedor do concurso “Mãos à Escrita! – 2022”

FADO DO LADRÃO ENAMORADO, de Bernie Leceiro

Solução de Autor

“Nunca fui grande ladrão / Nunca dei golpe perfeito / Acho que foi a paixão / Que me aguçou o jeito”, assim canta Rui Veloso a letra de Carlos Tê no seu “Fado do Ladrão Enamorado”, o que poderia ser o epilogo perfeito para o depoimento do autor do roubo à ourivesaria da rua da Paz, mais não é do que parte da música que deu o mote e o enredo para a escrita deste enigma policiário fazendo a ligação a um personagem enigmático cantada por outro autor que muito admiro.

Há músicas que conquistam a nossa empatia pela mensagem que transmitem, outras conquistam-nos pela beleza do seu instrumental, há ainda aquelas com as quais nos identificamos por falarem de determinado estado de espírito ou ponto de vista que partilhamos. No entanto, existem outras músicas, com que simpatizamos, não por nenhum dos motivos nomeados atrás, mas porque gostamos, sem saber bem porquê, dos personagens por elas trazidos e pela simbiose que eles criam com o instrumental que lhes serve de base.

No mundo da ficção, sempre nutri uma especial empatia por aqueles criminosos e larápios que nos eram apresentados de uma forma quase poética pelos seus criadores. Como se a forma quase lírica com que eles nos eram apresentados nos fizesse gostar deles, mesmo que não aprovássemos o que eles faziam. Jeremias, o fora-da-lei de Jorge Palma, é um desses personagens. O produtor de bombas caseiras que as considerava eloquentes e que, ao contrário da maioria dos criminosos, não se sentia vítima da sociedade. Aquele que se vestia de negro, que gostava do quente da aguardente e da forma como os homens se engasgavam quando pronunciavam o seu nome. Jeremias ganha a nossa simpatia no imediato. Não pelo que representa, mas, uma vez mais, pela forma original como foi criado e pela criatividade com que nos foi apresentado. Eu gosto destes foras da lei, aqueles que só existem nos filmes e nas músicas.

Do álbum O Lado errado da Noite de 1985, Jorge Palma canta assim (a negrito, as evidências do problema):

“Vou falar-vos dum curioso personagem: Jeremias, o fora-da-lei

Descendente por linhas travessas do famigerado Zé do Telhado

Jeremias dedicou-se desde tenra idade ao fabrico da bomba caseira

Cuja eloquência sempre o deixou maravilhado

Para Jeremias nada se assemelha à magia da dinamite

A não ser talvez o rugir apaixonado das mais profundas entranhas da terra

Só quando as fachadas dos edifícios públicos explodirem numa gargalhada

Será realmente pública a lei que as leis encerram

Há quem veja em Jeremias apenas mais uma vítima da sociedade

Muito embora ele tenha a esse respeito uma opinião bem particular

É que enquanto o criminoso tem uma certa tendência natural p’ra ser vitimado

Jeremias nunca encontrou razões p’ra se culpar 

Porque nunca foi a ambição nem a vingança que o levou a desprezar a lei

E jamais lhe passou pela cabeça tentar alterar a constituição

Como um poeta ele desarranja o pesadelo p’ra lá dos limites legais 

Foragido por amor ao que é belo e por vocação 

Jeremias gosta do guarda roupa negro e dos mitos do fora-da-lei

Gosta do calor da aguardente e de se seguir remando contra a maré

Gosta da maneira como os homens respeitáveis se engasgam quando falam dele

E da forma como as mulheres murmuram: o fora-da-lei

Gosta de tesouros e mapas sobretudo daqueles que o tempo mais maltratou

Gosta de brincar com o destino e nem o próprio inferno o apavora

Não estando disposto a esperar que a humanidade venha alguma vez a ser melhor

Jeremias escolheu o seu lugar do lado de fora”

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Antes de passarmos ao ponto de situação dos torneios que animam neste momento o espaço virtual, cumpre-nos informar que na próxima edição d’ O Desafio dos Enigmas daremos conta do número de leitores do jornal AUDIÈNCIA GP que responderam ao nosso desafio de enviarem proposta de solução a este enigma, revelando também o nome (ou pseudónimo) do autor (ou autora) da solução mais criativa e o respetivo prémio alcançado com mais esta sua performance.

ECOS DO TORNEIO DO CINQUENTENÁRIO

Já é conhecido o 12º e último problema do Torneio do Cinquentenário de “Mistério Policiário”, cujo prazo de envio de propostas de solução expira na última badalada do ano 2025.

ECOS DO TORNEIO “QUEM É?”

Hoje mesmo foi também conhecido a última prova do Torneio “Quem É?”, que testa os conhecimentos de literatura policial dos concorrentes e aguarda respostas até ao último dia do ano.

ECOS DO TORNEIO “PORTUGUÊS SUAVE”

No próximo dia 15 deste mês será publicado o derradeiro problema do Torneio “Português Suave”, que aguardará propostas de solução dos concorrentes até dia 14 do primeiro mês do ano.