O mundo está a fechar as portas, lugares que antes ficavam repletos de gente tornaram-se agora cidades fantasmas, com enormes restrições impostas às nossas vidas, tais como, quarentenas, fechamentos de escolas, restrições de viagens e proibições de reuniões ou mesmo convívios tão do nosso agrado.

É uma resposta global a uma doença sem paralelo na história recente e o que todo o mundo preocupado quer saber é quando tudo isto vai passar e quando poderemos continuar as  nossas vidas, com a resolução dos problemas do desemprego, das injustiças sociais e da pobreza, pois a pandemia também acabou por proporcionar mais visibilidade a estes problemas existentes e mostrar mais vincadamente as desigualdades provocadas por um capitalismo selvagem que sem pejo se aproveita oportunisticamente para impor regras arbitrárias e despedimentos, com a complacência do poder instituido.

No entanto, mesmo que o número de casos pandémicos comece a cair nos próximos meses, ainda estaremos longe do fim, pois segundo a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico,OCDE, o coronavírus representa a «maior ameaça à economia global, desde a crise financeira de 2008» e a instituição estima que ela até poderá crescer, mas em ritmo muito mais baixo.

No ano passado, a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, UNCTAD, previu que a pandemia poderia custar à economia global cerca de 2 trilhões de dólares no referido ano e a situação não irá melhorar substancialmente este ano, pois a globalização faz com que as estimativas do impacto nas economias variem à medida que mais países adoptem medidas novas e diferentes acções para a contenção do vírus e a quarentena na Espanha e na Itália representa um exemplo das acções drásticas de alguns governos para tentar conter as infecções, porém  países que dependem em escala elevada da venda de matérias-primas, como o Brasil, estão em situação delicada.

«Os países em desenvolvimento e fortemente endividados, particularmente os exportadores de mercadorias  como minérios e gêneros agrícolas  que são produzidas em larga escala, enfrentam uma ameaça excepcional», devido ao menor retorno das exportações a que acresce um dólar mais forte, alertou Richard Kozul-Wright, diretor da divisão de estratégias de globalização e desenvolvimento da UNCTAD.

Do lado da oferta, a queda da atividade económica chinesa já causou consequências, dado que as restrições afectaram as cadeias de valor de grandes empresas, como por exemplo os fabricantes de veículos Nissan ou Jaguar Land Rover.

Do lado da procura, sectores como o turismo estão e continuarão a ser enormemente afetados, após restrições no transporte de pessoas e o cancelamento de grandes eventos atractivos sazonais, aliás, vários economistas acreditam que mundo está perto de uma recessão global.

A consultoria McKinsey calcula que o PIB global poderá «diminuir consideravelmente» dependendo das decisões tomadas e esta instituição diferencia dois cenários: um em que há uma recuperação rápida e se comprova que o vírus é sazonal e os governos possuem as ferramentas para detê-lo; outro em que existirá uma desaceleração global, na qual o coronavírus não seja algo sazonal e os países tenham de manter medidas de prevenção de contágio, mesmo que controlem a pandemia, como é o caso da China.

No caso da América Latina, por exemplo, a instituição calcula que, no primeiro cenário, as estimativas de crescimento iriam cair apenas 0,5%, mas já no segundo, as previsões de crescimento seriam reduzidas em 38%.

Aumentar a conscientização sobre o impacto económico desta crise é um dos motivos que podem ter levado a China a publicar seus números desfavoráveis, segundo especialistas como Alicia García Herrero, economista-chefe do banco Natixis na Ásia-Pacífico.

«Uma importante razão pela qual a China pode ter divulgado números desfavoráveis, além de ajudar a obter a curva em V de recuperação, alertará o mundo sobre o quanto a situação pode ser ruim e pressionará o Banco Central americano e outros governos a reagirem ao abaixamento da procura global», informou Alícia García Herrero, no Twitter.

Por outro lado, o governo do presidente Xi Jinping afirma que o País vai superar as consequências da pandemia de coronavírus, mas, apesar dos esforços do governo para redirecionar o País para um modelo mais baseado na procura doméstica, a China continua a ter uma forte dependência da procura externa, pelo que a situação em outros países afeta bastante a sua economia porque as exportações diminuem.

As estimativas de diferentes agências vão sendo ajustadas à medida que o vírus progride e as últimas previsões de bancos como o ING colocaram o crescimento do PIB chinês em 4,8% no ano passado com ligeira oscilação para este ano, o que já seria o menor índice em três décadas.

Neste mundo hiperligado, no qual a China tem hoje um grande peso, pois representa um terço da manufatura mundial e é o maior exportador de mercadorias do planeta, o que acontece no País asiático terá sempre um impacto global.

No nosso País são necessárias medidas de prevenção e contenção do vírus e de reforço da capacidade de resposta clínica, pois o  surto epidémico veio comprovar o papel do Serviço Nacional de Saúde como o único e poderoso instrumento para salvaguardar o direito à saúde do povo português, pelo que é imprescindível o reforço no seu investimento.

São necessárias soluções  que correspondam aos interesses dos trabalhadores e do povo e que proporcionem resposta aos problemas estruturais do País, pois as medidas anunciadas pela União Europeia não garantem essas necessidades, mas continuarão a aprofundar inaceitáveis assimetrias, desigualdades e relações de dependência.

Portugal deve assumir a firme defesa dos seus interesses, como tal impõe-se a libertação do País da submissão ao Euro articulada com a renegociação da dívida pública para libertar o País de uma dependência que se tem revelado prejudicial à economia nacional.

São necessárias medidas para combater os paraísos fiscais, colocar ponto final fim aos privilégios fiscais dos grupos económicos, combater a fraude e evasão fiscais, pôr fim aos milhares de milhões de euros de recursos públicos gastos com as Parcerias Público-Privadas e a banca, designadamente o Novo Banco, defender o regime democrático e o cumprimento da Constituição da República Portuguesa, o aprofundamento dos direitos, liberdades e garantias, o combate à corrupção e a concretização de uma justiça independente e acessível a todos, a defesa dos direitos fundamentais previstos na Constituição que constituem limites a abusos cometidos a pretexto do surto epidémico.

São necessárias medidas para diversificar a actividade económica, promovendo em particular a indústria, a agricultura e as pescas, combatendo dependências e défices que se arrastam há décadas, substituindo importações por produção nacional, garantindo a soberania alimentar e energética.

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