O Partido do Trabalho da Coreia do Norte, numa das suas últimas comunicações, referiu que «a realidade mostra que a RPDC teve razão ao fortalecer o seu poder de dissuasão nuclear, que pode acabar com a ameaça nuclear de 60 anos e a chantagem dos EUA contra a RPDC e garantir firmemente a segurança e a prosperidade da nação e da paz da Coreia, da península coreana e da região».

O director-geral do Instituto de Desarmamento e Paz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Popular Democrática da Coreia, RPDC, divulgou, há dias, a seguinte declaração:

«Recentemente, os EUA organizaram outro simulacro de alerta de mísseis, com o Japão e as forças fantoches da Coreia do Sul, nas águas em redor da península coreana, sob o pretexto de detectarem e monitorizarem o míssil balístico da RPDC. O simulacro de alerta de mísseis liderado pelos EUA, o quarto deste tipo este ano, é uma séria provocação militar que agrava ainda mais a grave situação na península coreana e na região».

Continuadamente, os EUA organizam vários tipos de exercícios militares conjuntos contra a RPDC, incluindo dois simulacros de alerta de mísseis em 2016 e quatro em 2017, facto este a ilustrar bem o nível extremado das insanas provocações militares da administração Trump.

O simulacro de alerta de mísseis dos EUA visa acelerar a construção do Sistema de Defesa Antimísseis e a formação de uma aliança militar tripartida dos EUA, Japão e Coreia do Sul para manter a supremacia militar na região da Ásia-Pacífico.

Paralelamente, o presidente dos EUA declarou Jerusalém como a capital de Israel, revelando agressividade e contrariando a Resolução da ONU para anular esta decisão unilateral, condenada pela esmagadora maioria dos países, apesar das ameaças de Trump para, pasme-se, punir esses países monetariamente ou com outras sanções. Na sequência desta inacreditável chantagem, o presidente manda cortar a contribuição dos Estados Unidos à ONU em quase 300 milhões de dólares.

Perante o agravar da situação, a Rússia coloca-se à disposição para mediar tensões entre Coreia do Norte e EUA e, por telefone, os chanceleres discutiram as várias crises internacionais, tendo o ministro russo criticado a «retórica agressiva» norte americana.

Mais próximo de nós, a União Europeia encontra-se a negociar a saída de um dos seus membros, a lidar com a ascensão de populismos e extremismos, a braços com ameaças ao Estado de direito dentro das suas próprias fronteiras, a tentar ainda definir para onde vai, como vai e com quem, situação impensável há poucos anos.

«Quem não estiver de acordo com os valores europeus não deve estar connosco» diz o Comissário Europeu para a Investigação Ciência e Inovação, Carlos Moedas, também José Luís Carneiro, Secretário de Estado das Comunidades, afirma que «A Europa tem de ser capaz de acolher e integrar fluxos de países africanos», ocasionados pelas ingerências e invasões de países soberanos.

Mas quais valores e capacidades? Os da coesão social, desenvolvimento económico harmonioso e distanciamento em relação às pressões hegemonistas e ingerências norte americanas? Pelo andar da carruagem não parece, pois o «eldorado» para onde nos lançaram na miragem do clube dos ricos e do pelotão da frente não condiz com a realidade dos interesses em jogo e, como afirma o deputado europeu do PCP, João Ferreira, a total discórdia nas desigualdades e na concentração da riqueza, também existe quanto ao que qualifica como uma «deriva militarista e securitária», leia-se, a Cooperação Estruturada Permanente, a que Portugal aderiu há poucas semanas.

Por cá, embora a «geringonça» tenha dado passos positivos, muito caminho há ainda para percorrer, quanto à existência de mais de 2 milhões de conterrâneos nossos no limiar da pobreza e quanto aos aumentos de preços de bens e serviços essenciais, a que as melhorias nas pensões, reformas e impostos não conseguem equilibrar a contento os orçamentos de trabalhadores e população, facto que irá determinar uma intensificação da luta para uma mais justa distribuição da riqueza criada.

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