Depois de dois anos praticamente parado, o Teatro Politeama, em Lisboa, tem um novo espetáculo de Filipe La Féria. Considerado como “um abraço à vida”, este novo espetáculo foi escrito já em altura de pandemia, enquanto La Féria se encontrava no Alentejo e conta com a participação de um elenco jovem mas de grande talento. Pelo palco passam todos os protagonistas da nossa vida política, cultural, social, desportiva, rábulas engraçadíssimas que fazem o público passar duas horas de boa disposição e de alegria. O AUDIÊNCIA esteve à conversa com Filipe La Féria para conhecer um pouco mais este espetáculo e os próximos desafios.

 

 

 

Quatro anos depois voltamos a estar frente a frente. E neste tempo, muita coisa aconteceu, mas agora está novamente à espera de todos no Politeama, não é verdade?

Exatamente. “Espero por ti no Politeama” foi assim, estávamos a fazer o musical “Laura”, estávamos nos primeiros ensaios, e caiu como uma bomba esta grande ameaça a toda a humanidade que foi a Covid. Tivemos de interromper, eu fui para o Alentejo, mas foram os próprios atores que me telefonaram a dizer que tínhamos de fazer qualquer coisa. Então comecei a escrever esta revista/cabaré onde aposto com um elenco muito jovem, cheio de talento, como o FF, a Paula Sá, a Filipa Cardoso, o Filipe Albuquerque, o João Frizza, a Bruna Andrade… um elenco extraordinário que fazem com uma força, uma genica e uma entrega que transformaram o “Espero por ti no Politeama” num enorme êxito.

 

Um elenco onde ressalta atrizes e atores que o acompanham há longos anos apesar de serem jovens.

Sim, são muito jovens, mas isto é uma prova dos novos, que saem aprovados com distinção e com um grande futuro que os espera. É um espetáculo muito diferente de tudo o que já fiz, costumo dizer que é uma revista/cabaré/pontapé, é uma critica a esta situação toda que vivemos, mas é um belíssimo espetáculo, não só da parte da encenação, como da música, mas, sobretudo, vale pela entrega, pelo amor que aqueles atores dão em cada representação.

 

Quem vem a um espetáculo seu, diz que foi o melhor espetáculo de sempre e que é impossível fazer melhor. Mas a verdade é que a seguir vem um espetáculo ainda melhor que o anterior. Como é que isso é possível?

A minha vida é isso, é fazer sempre melhor. É um desafio que faço a mim próprio, a vida só vale a pena se vivermos por inteiro, e eu arrisco tudo em cada coisa que faço.

 

Temos grandes encenadores e produtores em Portugal, mas a verdade é que não conseguem criar a grande originalidade que o Filipe La Féria tem… conseguiu ser diferente e com um selo de garantia. Como é manter ao longo destes anos todos este sucesso, seja na Figueira da Foz ou no Porto onde marcou a história?

É verdade. Só aqui no Teatro Politeama já são 32 anos. No Porto, com o “Jesus Cristo Super Star”, que tenho de voltar a por em cena um dia. Em Lisboa também foi bom mas onde foi extraordinário foi no Algarve, em Portimão. Fiz numa arena e foi fabuloso e teve sempre esgotado, eram milhares de espetadores todas as noites.

 

Tem no seu elenco uma atriz que antes de ser contratada para vir para o Politeama, recebeu em maio, nos Açores, o Troféu AUDIÊNCIA – Cultura e Espetáculo, a Paula Sá.

Sim, é uma grande atriz e uma grande cantora. Ela estreou-se comigo tinha 14 anos, e eu gostei tanto dela que na altura estava a fazer para a RTP o “Cabaré”, que teve muito êxito, e pu-la logo a fazer coisas dificílimas, mas essa menina de 14 anos trabalhou muitíssimo comigo, fez aqui espetáculos maravilhosos no Casino, no Porto, e muito variados porque ela tanto é uma atriz dramática como uma atriz cómica. Ela é uma atriz genérica, muito versátil e é um dos grandes trunfos do “Espero por ti no Politeama”. Mas são todos, na verdade, o FF também será, talvez, a melhor voz que temos desta nova geração, o Filipe Albuquerque que teve uma interpretação fabulosa na “Severa” aqui confirma o seu enorme talento, o João Frizza que comigo fez esta revista, foi o maior impulsionador e que trabalha comigo desde sempre. Ele era de Vila Real de Santo António e vivia obcecado pelo teatro, sabe os meus espetáculos todos de cor, o que é extraordinário. E vai ser um ator de grande futuro, aliás, todos sem exceção. O Jonas Cardoso que se estreou comigo ainda muito pequenino na “Música no Coração”… eles fazem de cada dia uma estreia. E depois, paralelamente ao “Espero por ti no Politema”, tenho a “Pequena Sereia” que é talvez um dos musicais, não penso que seja infantil, não é, é um musical para toda a família e talvez um dos melhores espetáculos que eu fiz na minha vida.

 

A produção dos seus espetáculos, ao longo dos últimos 10/15 anos, tem sido sempre assim, tem juntado um espetáculo sénior e um infantojuvenil. 

Sim, já há mais de 20 anos que faço isso. Felizmente o publico começa a não ter medo e começam a vir, não só de Lisboa, mas também da província e das escolas começam a vir.

 

Deve receber aqui muita gente com saudade do Porto, não?

Sim, muita gente.

 

E porque é que o Filipe La Féria não volta ao Porto?

Porque o Rui Moreira não quer. Ainda no outro dia o vi na televisão, a propósito do Museu Soares dos Reis e falou de uma forma de muito mau gosto. Porque o que é dramático é que no Porto não há teatro, mesmo uma companhia que queira ir ao Porto só pode ir ao Sá da Bandeira que é um teatro lindíssimo, mas sem condições.

 

Voltando aos espetáculos em cena, vão-se manter até ao início do ano, pelo menos, mas na sua cabeça já devem estar mais coisas…

Há sempre muitas outras coisas e, sobretudo, nunca vou esquecer de fazer este musical que vai ser o musical da minha vida, que tive de interromper, o “Laura”, que comemora este ano 100 anos do seu nascimento, Laura Alves, que foi a atriz que mais me fascinou ver nos palcos portugueses.

 

Será para estrear na primavera/verão?

Não sei, depende. A vida, e sobretudo agora depois desta pandemia, só podemos contar com o hoje, o amanhã é sempre uma incógnita.

 

E os Açores, são um meio pequeno, mas o turismo tem invadido fortemente e tem lá uma sala para mil espetadores, o Coliseu Micaelense…

Que eu inaugurei com a “Amália”. É maravilhoso. Fiz lá uma peça com a Rita Ribeiro e foi um enorme êxito, tal como a “Amália”. E também na Terceira, que estreei a “Edite Piaf”, ainda era vereadora a Luísa Brasil, que foi, talvez, a melhor vereadora da cultura que os Açores tiveram. E chegou-me a acompanhar para o Porto e esteve lá durante algum tempo. Foi sempre muito competente, uma mulher cheia de valor e que devia ter um lugar de eminência. Foi uma mulher que deu uma enorme volta à cultura na ilha Terceira.

 

Que mais segredos tem para revelar, quer para o Porto, quer para a Ribeira Grande?

Eu acho que este espetáculo é, sobretudo, um abraço à vida, um recomeço de viver. Todos nós tivemos esta grande ameaça, este grande susto, mas não podemos ter medo. A cultura é segura, temos sempre todos os cuidados com o público, nomeadamente, medimos a febre, todos mantém a máscara, a cada sessão as salas são desinfetadas, portanto, todas as regras de segurança são cumpridas. E não podemos nós, nem aqui, nem nos Açores, nem no Porto, deixar morrer o teatro, porque o teatro é a alma de um povo. O teatro é esse grande espelho que se põe para vermos a nossa própria imagem, a nossa própria história, a nossa própria identidade.

 

E a Figueira da Foz, não está fora de horizonte dar um salto até lá, pois não?

Não, aliás, têm lá um Centro Cultural fantástico, talvez o melhor que o país tem, feito pelo Santana Lopes.

 

 

 

 

“Espero por ti no Politeama” reúne os mais talentosos Atores, Cantores e Bailarinos da nova geração do espetáculo em Portugal, como FF, Paula Sá, Filipa Cardoso, Filipe de Albuquerque, Bruna Andrade, João Frizza, Élia Gonzalez e Paulo Miguel Ferreira.

De 5ª a sábado, às 21h00, sábado e domingo, às 17h00.

Contactos para reservas: 213405700/964409036/1820