Greta Thunberg censura os políticos porque a poluição «lhe roubou a infância», não sabemos como, mas o seu movimento elitista não fala das centenas de milhões de crianças a quem a infância é roubada ao serem exploradas nas oficinas escuras e húmidas, recebendo em troca apenas um prato de comida por dia, por serem vítimas das guerras de rapina e suas consequências mais brutais, por serem traficadas pela mega indústria da pornografia num capitalismo que transforma tudo, incluindo as crianças, numa mercadoria que não olha a meios para atingir os fins da exploração do ser humano.

As soluções que a pequena Greta preconiza resumem-se a «Nós já temos todos os factos e soluções e tudo o que temos que fazer é despertar e mudar».

Greta e seus progenitores desejam «alinhar a Suécia com o Acordo de Paris», quando este atribui somente o papel principal à energia nuclear para «mitigar a alteração climática» e reduzir «em grande escala o CO2».

Como? Com as mega-fundações de aparência filantrópica, corporações que controlam os negócios de energia e políticos hipócritas? Com o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau um entusiasta da jovem sueca, cujo governo comprou com dinheiro público o gasoduto Trans Mountain por 45.000 milhões de dólares? Com os governos europeus que continuam vendendo ilegalmente armas aos países em guerra, incluindo o terrorismo? Com a militância política dos jovens nas ONGs, neutralizando os movimentos ambientalistas autênticos e substituindo a consciência de classe por um «assunto cinzento de massas» alheio à causa comum da humanidade?

As crianças como ela desconhecem que o capitalismo depende do crescimento a qualquer preço e este é alcançado através da redução de despesas, de explorar cada vez mais os seres humanos e a natureza, destruindo-os para aumentar os lucros.

Também não sabem que a acumulação de capital é o objectivo do sistema que pretende reformar, alterando algumas condições para que tudo permaneça na mesma, e que as grandes empresas privadas para crescer e até para existir afastam do caminho os seus concorrentes de qualquer forma, gastando cada vez mais os recursos públicos.

Um sistema que minimiza a pobreza forçando milhões de pessoas a fugir das suas terras, porque umas empresas ou Estados dicidiram roubar os seus recursos naturais, causando graves desequilíbrios ambientais e depois erguem muros para impedir os refugiados de salvar as suas vidas.

É impossível salvar a Terra sem reduzir a pobreza e lutar contra as desigualdades, sem conceder o poder de participação social às mulheres,  sem a protecção do meio animal, sem impedir que o Sul em termos globais se converta na lixeira tecnológica dos ricos do norte, ou daqueles jovens que trocam de telemóvel como de camisa, sem se interrogarem sobre a origem da bateria nem qual o destino do aparelho que ainda não está em fim de vida ou não é obsoleto, ou seja, é preciso mudarmos o nosso paradigma de sistema de vida capitalista que nos está a levar para um caminho sem regresso.

Não sendo possível à nossa civilização retroceder repentinamente para os tempos da era pré-industrial, é imperioso não cruzar os braços, mas sim começar já a acabar com os combustíveis fósseis, reconverter indústrias e alterar drasticamente muitos dos hábitos de consumo adquiridos ao longo das últimas décadas e apostar cada vez mais na produção de energias renováveis.

Em suma e contrariamente à atitude de Greta Thunberg de abandonar a Escola, é possível, isso sim,  introduzir nas escolas uma disciplina que capacite os alunos para a problemática do ambiente e o respeito a ter para com a natureza, planear e pôr em prática mais campanhas em larga escala que eduquem para a importância da reciclagem e outros pequenos gestos que nos poupem a ter de ver rios, lagos e riachos transformados em lixeiras e muito do mar pejado de plásticos e outros resíduos, ou seja, educar massivamente para a sustentabilidade ambiental.

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