A meio do primeiro mandato, o Presidente da Junta de Freguesia da Matriz confessou ao AUDIÊNCIA quais os seus anseios enquanto autarca. Para além de refletir sobre o que já foi feito e ainda o que falta fazer, nesta conversa esteve presente o espírito crítico de Hernâni Costa, que demonstrou ainda a sua vontade em querer fazer mais pelos habitantes da freguesia que o viu nascer.

 

Qual o resumo que faz deste seu primeiro mandato até agora, no que concerne às mudanças que foram feitas em relação ao Executivo passado?

A Junta de Freguesia da Matriz tem uma particularidade, pelo facto de estar a 300 metros da Câmara Municipal. Eu notava que a ação da Junta de Freguesia esvaziava-se, e que tudo o que existia no centro da cidade era por obra da Câmara Municipal. Quando me candidatei à Junta, queria que a Matriz estivesse mais presente e achava que havia a hipótese de haver mais dinamismo e também uma aposta diferente na juventude. Acho que a grande vitória que nós tivemos foi colocarmos a Matriz no mapa. Podemos, de uma forma geral, identificar várias ações que a Junta de Freguesia da Matriz levou a cabo nos últimos dois anos. Isso é, para mim, um sinal de orgulho porque posso dizer que a Matriz está diferente para melhor. Não tenho dúvidas disso. Penso que as pessoas conseguem identificar várias ações, seja a nível político, social, desportivo… também a nível de diversos apoios de toda a ordem em que a Junta esteve presente. O que nós queríamos era que houvesse uma proximidade com as pessoas. Por isso é que quando nos candidatámos falámos sempre numa Junta de Freguesia mais humana, mais próxima das pessoas, que esteja aqui não para apenas fazer um serviço administrativo, mas para estar presente quando a pessoa precisar: se não têm posses para fazer uma determinada obra, possam ter algum apoio nosso, se não têm posses para pagar um atestado que necessitam, nós fazemos de forma gratuita… ou seja, esta proximidade com as pessoas é que tem de ser promovida cada vez mais. Nestes dois anos também conseguimos alterar internamente a forma administrativa e organizativa como se funciona aqui dentro e também penso que estamos a transmitir para as pessoas essa organização.

O que é que já fizeram nestes dois anos?

É uma lista que, felizmente, é muito abrangente. Tivemos como prioridade a questão ambiental. Para nós, hoje em dia, a questão ambiental e de limpeza de espaços públicos é daquelas coisas em que os cidadãos são cada vez mais exigentes. Os cidadãos querem uma via pública limpa, não querem lixo nas ruas e estão mais consciencializados para a questão ambiental. Por isso mesmo pensámos em alargar o nosso quadro de pessoal. Infelizmente é através de programas de emprego, mas é o que podemos ter. Contratámos pessoas e fardámo-las. Antigamente quem vinha trabalhar para a Junta usava um colete amarelo, que é diferenciador das outras pessoas e para mim não é a forma mais apropriada de diferenciar um colaborador da Junta de Freguesia. Por isso mesmo investimos num fardamento de modo a que a pessoa possa estar a desempenhar as suas funções com orgulho no trabalho que está a fazer no dia-a-dia.

Ainda em relação à questão ambiental, enquanto Junta de Freguesia fizemos dois protocolos com a Câmara Municipal para potenciar essa questão: a limpeza e manutenção das Caldeiras da Ribeira Grande, que está a nosso cargo até ao final do ano: estamos responsáveis pela vigilância dos cozidos, pela limpeza e também procedemos a várias obras de renovação, reabilitámos as casas de banho e temos funcionários lá todos os dias para vigiar e limpar o local; também estamos a fazer a limpeza da ribeira, desde a praça de táxis para cima, onde vamos abrir um trilho chamado “roteiro dos moinhos”. Vamos aliar a questão ambiental e a parte cultural e histórica. O trilho consiste em fazer com que as pessoas visitem os nossos moinhos de água através de um trilho pedestre que termina na zona das Caldeiras da Ribeira Grande.

As pessoas vêm à Ribeira Grande por causa da ribeira. A ribeira é a nossa cara e tem de estar limpa, bonita e florida. O nosso objetivo é fazer com que os ribeiragrandenses olhem para a nossa ribeira com orgulho, e também com que nos visitem por causa da ribeira. Temos apostado nesta área e é fundamental para nós. Temos feito também uma política direcionada para os jovens. Não vou esconder que este tem sido um executivo que tem promovido diversos tipos de eventos. Eventos que não se faziam anteriormente. Fizemos uma Semana da Juventude na Páscoa de 2019. Foi a primeira vez que se fez em muitos anos.

Em colaboração com a Câmara Municipal da Ribeira Grande fizemos o relvado sintético do Campo de Jogos do Bairro de Santa Luzia, que é uma zona problemática. Demolimos as antigas bancadas do campo de jogos, que serviam para hábitos menos saudáveis, e fizemos um investimento no sintético para que a juventude possa lá estar agora num ambiente saudável. Tivemos também o projeto “Colorir a Matriz”, que para mim foi diferenciador: investimos na iluminação pública de espaços que estavam mais escuros à noite, promovemos a recuperação de fachadas, como por exemplo no Largo da Cascata, que apela à consciencialização ambiental… tivemos também, a nível social, o apoio de uma viagem a Santiago de Compostela com um grupo de 74 pessoas. Foi um fator diferenciador desta Junta de Freguesia.

Temos tido diversos tipos de apoio. A nível cultural, por exemplo, para apoiar o Clube de Cinema da Ribeira Grande, também apoiamos as instituições a nível logístico, a nível de transporte… a nível de educação, por exemplo, promovemos um campo de férias de verão, que hoje em dia é fundamental porque os pais não estão de férias e os filhos estão em casa sozinhos. A lista de espera tem sido enorme, o que é bom sinal.

Posso identificar um sem-número de eventos como o arraial de São João, ou o corso carnavalesco, a questão dos emigrantes… temos fomentado uma relação com os nossos emigrantes que tem sido inédita no sentido em que a presença deles tem sido quase assídua na freguesia. Posso dar um exemplo: conseguiu-se angariar mais de 20 mil dólares para as obras da Igreja Matriz através dos convívios feitos pelos emigrantes recentemente.

Também posso falar sobre o apoio à habitação degradada, que é um dos apoios pelos quais somos mais procurados. Embora sejamos uma freguesia citadina, temos algumas zonas que apresentam várias carências sociais a nível de habitação. Há famílias, ainda, que não têm as condições mais dignas para viver, e falo aqui no centro da cidade. Falo de casos problemáticos… recentemente visitei uma casa deste tipo e vi que ainda existe muito trabalho pela frente. É preciso fazer um investimento e é preciso notar uma coisa: uma Junta de Freguesia, com o orçamento que tem, só consegue trabalhar se tiver a ajuda do Governo Regional e da Câmara Municipal. Nós somos a primeira instância onde o cidadão se desloca, e não temos a capacidade financeira nem de recursos humanos… não temos arquitetos, engenheiros… não dispomos de um quadro de pessoal que nos permita ajudar. Vivemos da boa vontade da Câmara Municipal da Ribeira Grande e do Governo Regional. A Câmara tem sido um parceiro privilegiado, no sentido em que tem ajudado bastante a Junta de Freguesia, mas quanto ao Governo Regional, a relação não tem sido tão profícua porque, de facto, já investimos verbas em habitação degradada e ainda estamos à espera de ser ressarcidos dessas verbas protocoladas com a Direção Regional da Habituação.

Enquanto Junta de Freguesia, somos o primeiro “para-choques” junto das populações. Somos, muitas vezes, bombardeados com todo o tipo de pedidos de ajuda e o melhor que podemos fazer muitas vezes é encaminhar as pessoas para os locais certos e dar-lhes apoio técnico no sentido de acompanharmos os processos para ver se chegam ao fim.

Mais especificamente, que pedidos de ajuda recebem? Já se percebeu que a habitação degradada é um desses pedidos…

Aqui na Matriz temos um problema muito grave, que penso que é transversal pelo menos nas cidades dos Açores, que é a questão da habitação jovem. Atualmente, um casal jovem que queira arrendar uma casa (já não digo comprar porque o acesso ao crédito é condicionado e as pessoas não têm estabilidade profissional que lhes permita aceder ao crédito bancário) na zona da Matriz, é muito difícil. Hoje em dia, um casal não tem possibilidades de arrendar uma casa porque as rendas estão à volta dos 500 ou 600€ mensais. Devido ao crescimento que tivemos no turismo e ao aparecimento em massa de alojamentos locais, muitas dessas antigas casas que serviam para arrendamento jovem foram transformadas em alojamentos locais e hoje em dia os jovens da freguesia da Matriz estão a sair porque não têm possibilidades de ficar cá. Isso preocupa-me imenso porque estamos numa fase em que os jovens não têm possibilidade de pagar rendas desse tipo de ordem. Muitos jovens continuam a viver com os pais… há jovens casais que vivem separados porque a esposa e o filho estão a viver com os seus pais, e o marido a viver com os seus pais…!

Há casos desses…

Há casos desses e vários. Para mim, isto é um problema social gravíssimo. Até posso dar uma solução: por trás do tribunal da Ribeira Grande temos três prémios de habitação social cuja reabilitação é urgente, para o Governo Regional colocar aquilo ao serviço da população da Matriz e não só. Falo das antigas construções de A.N. Furtado, que foi à falência… isto está parado em tribunal há vários anos. Este património que já está edificado está a degradar-se dia após dia quando podia servir muitos casais jovens da Matriz e não só.

Neste momento a habitação jovem é um dos problemas sociais mais graves por que os Açores passam. Falo com muitos companheiros presidentes de junta e todos eles identificam este problema. Quando faço atendimentos recebo sempre pelo menos uma ou duas pessoas que estão à procura de casa… é um problema gravíssimo e há pessoas que não se apercebem.

Como é que um casal jovem começa a sua vida? Com uma casa de renda até ter estabilidade profissional para dar o salto para a sua própria casa. Neste momento não existe esta hipótese. Essa questão de famílias separadas tem acontecido em largo número aqui na Matriz.

Um pouco para trás, falou em vários eventos realizados com os seniores. O ano passado angariaram fundos no Festival do Fervedouro para a viagem a Santiago de Compostela. E este ano? Fizeram o Festival do Fervedouro recentemente.

Este ano é para uma viagem ao Norte de Portugal e a Fátima. Estas viagens não são apenas para idosos, são abertas a toda a população. Damos a prioridade ao Projeto Viver +, mas depois abrimos a toda a população. A questão de fazermos uma Junta mais humana: não pode ser mais humana para uns e menos para outros.

No Projeto Viver + contamos com um grupo de senhoras seniores que tem desenvolvido várias atividades: o Festival do Fervedouro, ‘workshops’ de licores caseiros para serem postos à venda… também participam connosco no Cantar às Estrelas, na Festa da Flor… participam porque acreditamos que deve haver um envelhecimento ativo dessas pessoas. Mas isto é uma parte do programa porque cada vez mais queremos colocar essas senhoras em contacto com a juventude. Não vale de nada estas idosas estarem a fazer este tipo de atividades e não passarem os seus conhecimentos para a juventude. Cada vez mais temos tentado mais interação através de atividades nas escolas, de modo a poderem passar os seus conhecimentos aos mais jovens.

A parte do Projeto Viver + já é muito boa, mas tem que haver um complemento que é a interação com os mais jovens, de modo a que possamos ter uma Junta mais dinâmica. Não nos vamos conformar com uma situação, mas sim complementá-la com vários tipos de situações.

Vamos ter mais uma série de atividades neste projeto. Por exemplo, gostamos de celebrar o Dia Mundial das Donas de Casa: escolhemos algumas senhoras donas de casa de idade, que normalmente nunca saem de casa e não têm grandes possibilidades financeiras, e pomo-las no cabeleireiro e na ‘manicure’ e depois vão almoçar fora. É uma forma de lhes dar uma alegria.

A Junta de Freguesia serve para estar presente nas vidas das pessoas. Logicamente que não vamos ser utópicos em pensar que vamos conseguir ajudar todas as pessoas da freguesia, mas a nossa ideia é tentar distinguir quais as que mais precisam para conseguirmos chegar a elas e estarmos presentes.

Também se celebrou o dia da freguesia e o dia do emigrante no final de agosto, durante as festas do Sagrado Coração de Jesus.

Podemos caracterizar esta Junta de Freguesia por aquilo que se faz no Dia da Freguesia. Isto porque desde que tomámos posse, estes dias solenes têm sido realizados na rua, ou seja, a questão de os políticos promoverem a proximidade no diálogo, muitas vezes não o fazem nas ações. A minha equipa realizou esta sessão na rua, de modo a que as pessoas se sintam convidadas a participar. Não queremos fechar este dia na sede só para alguns convidados, queremos levar a Junta de Freguesia para a rua, de modo a que as pessoas possam participar. Este dia tem sido para mim muito importante, porque é uma imagem de marca.

Se me perguntassem como é que posso caracterizar este mandato, eu diria “com a proximidade”. Por isso mesmo, no mês de setembro, fizemos “presidências abertas”. Eu e o meu executivo fomos visitar as ruas da freguesia, de modo a percebermos ‘in loco’ onde estamos a errar. Se estiver bem, não preciso que me digam que está tudo bem, mas acredito que já errei muito nestes dois anos, e se não for ao local e falar com as pessoas, não vou perceber onde posso retificar o que estou a errar. Foi uma experiência enriquecedora porque serviu para perceber que podemos melhorar em muitos aspetos. Para o próximo ano faremos o mesmo.

Quanto ao Dia do Emigrante, nós apostamos muito na diáspora porque sabemos que os nossos emigrantes conseguem viver na sua terra às vezes melhor que nós. Eles mantêm as nossas tradições, os nossos hábitos gastronómicos… e aqui por vezes vamos fazendo o contrário. A nossa sociedade está a ficar cada vez mais europeia ou americanizada, e quem sai daqui faz o contrário: mantém as tradições, hábitos gastronómicos ou musicais. Por isso mesmo eles [emigrantes] têm de ser considerados uma enorme mais-valia para qualquer freguesia.

No caso específico da Matriz, temos dois grupos que são muito ativos: os Amigos da Ribeira Grande de Nova Inglaterra nos Estados Unidos da América, e os Amigos da Ribeira Grande de Brampton no Canadá. Temos incrementado as relações com eles participando nos eventos que realizam uma vez por ano, quer nos Estados Unidos, quer no Canadá, e eles têm participado na festa do Sagrado Coração de Jesus da Matriz.

Isto tem sido benéfico e em muito têm contribuído para as obras da nossa igreja e não só. Têm até contribuído a nível social com ofertas de diversos cabazes de Natal para famílias carenciadas. Muitas vezes as pessoas não sabem disto, mas é obra também dos nossos emigrantes. Quando percebi a envolvência que havia com os nossos emigrantes, decidi que deveríamos incrementar e dinamizar cada vez mais esta relação, por isso mesmo surgiu o Dia do Emigrante, que é o dia de encerramento das festas do Sagrado Coração de Jesus. Então promovemos uma missa na igreja, uma ida a dois museus do concelho (este ano foi a Fábrica de Tabaco da Maia e a Casa do Arcano)… fazemos isto para que eles possam ser reconhecidos perante os seus pares. Eles são ribeiragrandenses, são pessoas da Matriz e gostam imenso da sua terra. Os emigrantes dizem “podemos sair da nossa terra, mas a nossa terra nunca sai de nós”, e isso é uma realidade. Temos de aplaudir esse amor que eles têm pela sua terra, e nós, enquanto detentores de cargos públicos, temos de apoiar, estar presentes e ajudar de alguma forma.

Também existe aqui um investimento económico: eles vêm cá todos os anos, vão para os alojamentos locais, hotéis e restaurantes. Ajudam a dinamizar a economia local e devemos sempre relevar este fator económico.

O que é que ainda falta fazer nestes próximos dois anos?

Felizmente, e em colaboração com a Câmara Municipal, vamos dar início a vários projetos a nível de saneamento básico da freguesia. Existem aqui diversas artérias que irão ser alvo de obras de saneamento básico em 2020, o que irá melhorar a qualidade de vida dos cidadãos da Matriz; vamos arrancar com a requalificação do Largo das Freiras, o que é uma obra importantíssima. Lá vamos colocar o antigo riacho que havia no Jardim antigamente. Muitas gerações passaram por aquele riacho e queremos que as pessoas possam reavivar memórias.

Também temos em execução uma casa do Espírito Santo no Bairro de Santa Luzia, que era uma aspiração das pessoas daquele bairro. Já está praticamente concluída e vamos inaugurar em janeiro.

Existem alguns projetos fundamentais que vão arrancar e que queremos finalizar antes do mandato terminar, como a casa mortuária da Matriz, que está a fazer muita falta na nossa freguesia. Já temos o projeto concluído e pensamos arrancar as obras no primeiro trimestre de 2020, para que se possa acabar antes do final do nosso mandato. O sítio mais apropriado será as traseiras do cemitério. Quanto à estrutura do projeto, haverá duas salas: uma grande para 120 pessoas e outra mais pequena para 30 pessoas.

Também temos feito obras de requalificação nas ermidas, nomeadamente na ermida de Santa Luzia, que foi totalmente requalificada, e também fizemos uma rampa de acesso para idosos e para pessoas com mobilidade reduzida na ermida de Nossa Senhora de Fátima no Rosário.

Ainda para o futuro, não podemos deixar de falar em alguns projetos que são fundamentais para que a freguesia cresça, mas são de dimensão superior e só com a Câmara Municipal da Ribeira Grande podemos levar a cabo: a requalificação no Largo Gaspar Frutuoso (Largo da Cascata), à semelhança do que foi feito na Rua Direita e no Jardim. Temos de trazer isso para o Largo da Cascata; a abertura do Caminho da Tondela é uma obra estruturante que poderá fazer com que a freguesia cresça naquela zona sul, tal como a abertura da Chã das Gatas na direção da Ribeirinha. Neste momento a Matriz está quase “estrangulada” a nível de crescimento habitacional, e identificamos essas duas zonas por onde a Matriz poderá crescer para o futuro. É preciso não esquecer que a Câmara Municipal abriu a nova ponte sobre a Ribeira, o que veio dar alguma amplitude à Matriz para a freguesia da Conceição.

Há muito a fazer, mas a meio do mandato o balanço é positivo. Irão ser dois anos que vão exigir muito trabalho e disponibilidade também das entidades de quem dependemos. Mas se houver colaboração, estaremos prontos para fazer o trabalho porque temos vontade.

Quem vem para uma Junta de Freguesia, se tiver vontade, consegue fazer muita coisa. Por isso digo sempre que para se ser um bom político tem que se ser autarca. Só depois de passar por essa experiência é que se pode ser político de outras instâncias. E para ser autarca, também é bom passar pela liderança de instituições, para darmos o real valor de que estamos aqui para servir as pessoas e não para nos servirmos. Este serviço existe para servirmos as pessoas. Numa Junta de Freguesia não pode haver mais que isso. Não existe política partidária porque nem temos espaço para pensar em política partidária. Apenas vemos pessoas porque é aqui que elas vêm primeiro. Se não conseguimos resolver o problema, indicamos para onde devem ir, mas estamos de braços abertos para as receber.

Qual é o seu maior sonho para a Matriz?

O maior sonho que tenho para a Matriz é poder erradicar as questões de pobreza que se vive na Matriz. Nasci aqui e conheço a nossa realidade. Ainda hoje sou confrontado com situações que me surpreendem pela negativa. Ainda existem muitas pessoas a passar por carências económicas e sociais. Uma das coisas que levo da experiência de presidente de Junta destes dois anos, e uma das coisas que nos dá mais prazer e nos incentiva a continuar, é o facto de ajudarmos alguém que realmente precisa. Às vezes basta um olhar de agradecimento que nos enche o coração e nos deixa orgulhosos pelo trabalho desenvolvido.

Posso dizer que nestes dois anos houve situações destas e senti que realmente ajudei alguém e fiz a diferença pela positiva na vida dessas pessoas. É isso que me faz ser presidente de Junta de Freguesia.

Mais que fazer obras e eventos, se eu souber que me vou deitar e que a maioria das pessoas da Matriz tem o seu teto condigno e uma alimentação saudável, será o maior testemunho que poderei ter dado como presidente de Junta. É lógico que as pessoas olham mais para os eventos e para as obras, mas mais que isso é a parte que não se vê, e a parte que não se vê, é a parte em que recebemos as pessoas e fazemos disto um confessionário. Mesmo que não consigamos ajudar monetariamente, o apoio psicológico que damos é, muitas vezes, fundamental. Ainda temos muitas pessoas com graves carências, e eu gostaria que a Matriz fosse um lugar melhor para viver se, cada vez mais fossemos erradicando esse tipo de problemas que ainda nos afeta. Estou consciente de que estamos a trabalhar para isso. Logicamente que não teremos uma taxa de 100% de sucesso, mas o que é facto é que estamos a trabalhar para isso.

Somos uma Junta de Freguesia muito exigente, porque muitas vezes no exigem o mesmo que à Câmara Municipal, mas não temos os mesmos meios para acudir a essas situações. Temos sim trabalhado bastante e nos esforçado para resolver essas situações.

No geral, penso que o balanço é positivo e penso que a Matriz está diferente para melhor. Irão surgir situações no futuro, mas vamos conseguir chegar ao fim do mandato com um sentimento de trabalho realizado e com a consciência tranquila de que tudo fizemos para que a Matriz fosse um lugar melhor para viver.

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