Num país democrático, qual a importância da comunicação social independente? Esta pergunta surge com frequência maior, pois cada vez mais somos bombardeados por informação controlada por interesses privados e o nosso País não é excepção.

Se uma das características de uma democracia é a liberdade de expressão, então a existência de um jornalismo independente garante que não haja uma interpretação unilateral das notícias, sendo válida esta afirmação tanto para o jornalismo noticioso como para o de investigação.

O direito de informar não existe apenas para satisfazer curiosidades, mas sim deve cumprir uma função social, no entanto começa a ser prática corrente a existência de investigações jornalísticas que, não seguindo uma pista, são construidas para confirmar uma tese e como tal se a tese não alcança as conclusões pretendidas não há espaço de recuo e então publicam-se meias verdades e insinuações.

«Assistimos à apologia da criminalização da política, à difusão da mentira de que os políticos são todos iguais, a um falso discurso anti-corrupção, a um falso moralismo sem autoridade moral, à criação artificial de um ambiente social de medo, de instabilidade, de contestação inorgânica, propício à aceitação de medidas autoritárias, à liquidação dos princípios do regime democrático e à promoção dos mais desqualificados arrivistas e reaccionários.

É muito sintomático que aqueles que até 2015 pregavam aos quatro ventos a inevitabilidade da austeridade e achavam virtuosos os cortes de salários e de direitos, sejam os mesmos que agora, perante avanços sociais positivos ainda que tímidos, descubram a sua vocação reivindicativa e exijam hoje como sendo para ontem, aquilo que ontem rejeitavam para sempre» assim referiu Jerónimo de Sousa no Encontro Nacional do passado dia 2 do corrente mês no Encontro Nacional do PCP em Matosinhos.

O nosso País assistiu, muitas vezes sem o saber, ao atropelo dos direitos morais e materiais dos jornalistas portugueses e perante um panorama da Comunicação Social de profundas alterações qualitativas, uma constante evolução tecnológica neste sector, a convergência dos meios utilizados para uma nova dimensão multimedia, em rede e em tempo real, o mercado responde com novas e poderosas dinâmicas de concentração da propriedade dos media e assim vemos grupos económicos, verdadeiros impérios comunicacionais, com uma posição dominante no mercado, ditarem a sua lei e assumirem paulatinamente a sua filosofia, ou seja, as empresas servem para dar lucro, o seu negócio é a informação e vamos elevar as audiências custe o que custar.

Confirma-se assim, como, perante a anuência e projecção dada a peças difamatórias, manipuladoras e caluniosas, por exemplo a TVI decidisse acolhe-las e consagrá-las como critérios editoriais, quando construiu através duma jornalista, veneradora ou obrigada, uma série de mentiras e falsificações somente para atacar o PCP.

O que é de lamentar é que por opção ou orientação, a TVI dê abrigo ao que de mais rasteiro se tem produzido e editado no percurso da comunicação social nacional, quando um nazi condenado por crimes de sangue é convidado de honra desta estação televisiva e reaccionários bem conhecidos desfilem como comentadores de serviço em espaços nobres desta e de outras televisões e nas colunas dos jornais.

Assim não vamos longe.

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