Perplexos, vimos e condenamos sem reservas a barbárie do holocausto contra o povo judeu, durante a II Guerra Mundial, na convicção de que jamais assistiríamos a qualquer outro acontecimento semelhante.

Porém e nos dias de hoje, são as vítimas de ontem a protagonizarem o genocídio do povo palestiniano, utilizando as acções e os meios das hordas nazis e mostrando que aprenderam bem a lição do «professor».

A questão palestiniana, se assim lhe podemos chamar, coloca-nos algumas interrogações, tais como: em que medida o passado condiciona os acontecimentos recentes, qual a responsabilidade da comunidade internacional no conflito e qual o papel dos povos na  solidariedade?

Historicamente, foi em 14 de Maio de 1948, que o Estado de Israel foi autoproclamado sobre as ruínas de mais de 500 cidades e aldeias palestinianas, sobre cerca de 15 mil mortos palestinianos e sobre o roubo das propriedades dos mais de 750 mil palestinianos forçados a abandonar as suas casas e terras.

Posteriormente, em 1967, Israel ocupou toda a Palestina histórica, impondo um regime racista, colonial e de apartheid ao povo palestiniano, que resiste todos os dias, contra a perpetuação dessa injustiça, seja em Jerusalém, Hebron ou em Gaza.

Os últimos acontecimentos profusamente relatados pela imprensa internacional e não sabemos se poderá continuar a exercer o seu trabalho, pois o edifício em que se encontravam instalados jornalistas de vários cantos do globo foi bombardeado e destruido, dão-nos conta de que a actual violência tem causas próximas indesmentíveis, tais como, a tentativa das autoridades israelitas de expulsar dezenas de famílias palestinas das casas onde vivem, desde há gerações, em Sheik Jarrah e outros bairros de Jerusalém Leste, a interdição do acesso à Mesquita de Al-Aqsa durante o mês do Ramadão e a violenta repressão sobre quem protestava, o assassinato de palestinos às mãos de colonos israelitas e a imparável ascensão de forças cada vez mais extremistas e racistas em Israel.

Mas, além das causas próximas, existe uma causa de fundo importantíssima identificada com a ocupação israelita e a negação do direito inalienável do povo palestino a ter um Estado soberano e independente, conforme estipulam muitas resoluções da ONU.

Entretanto, existe uma limpeza étnica que tem prosseguido com o decorrer dos anos e está bem visível na ilegal política de construção de colonatos israelitas em território palestino ocupado, onde já vivem mais de 600 mil colonos, nos bombardeamentos e destruição de Gaza, cercada e tornada  na maior prisão do planeta  a céu aberto, no massacre israelita a sangue-frio de centenas de manifestantes não armados durante a Grande Marcha do Retorno, na ilegal construção do Muro do Apartheid cortando e fragmentando o território palestino da Cisjordânia, na ocupação militar israelita de mais de 60% da Cisjordânia, a chamada Zona C,  nos planos publicamente anunciados no ano passado pelo Primeiro-Ministro Netanyahu para anexar parte importante do território palestino ocupado, rasgando não apenas as resoluções da ONU, mas também os próprios acordos assinados por Israel, na racista Lei do Estado-Nação do Povo Judaico e nas infindáveis guerras e massacres sionistas ao longo de décadas, ou seja, sucessivos governos do Estado de Israel não têm por objectivo alcançar a paz ou aceitar um Estado Palestino, mas sim inviabilizar a sua criação e a solução de dois Estados defendida pelas resoluções da ONU, abrindo caminho a um só Estado o Grande Israel e para tal ocupando todo o território histórico da Palestina.

Alguns ingénuos ou incautos perguntarão sobre a razão pela qual os governantes dos Estados Unidos, da União Europeia e dos seus Estados membros, só tomam posição quando a violência iniciada por Israel encontra pela frente a legítima defesa do povo palestino, mas a resposta está encontrada com os factos à vista e ligados ao apoio incondicional estado unidense ao sionismo israelita e ao seguidismo da União Europeia à política externa norte americana.

Décadas de compadrio dos Estados Unidos e outras potências da NATO, incluindo as antigas potências coloniais na região, com os crimes de Israel e com a destruição de qualquer perspectiva de solução política da questão palestina, também abriram as portas à violência a que hoje assistimos.

Quem foi e é conivente com a sabotagem israelita a qualquer solução negocial para a questão palestiniana não tem legitimidade moral ou política para condenar a resistência do seu povo ao avanço da ocupação, uma resistência imparável que se manifesta de múltiplas formas, incluindo a revolta popular nas ruas, hoje particularmente importante entre os palestinianos cidadãos de Israel e tem sido visível através da imprensa internacional.

Sabemos com tudo começou, mas não sabemos como vai acabar, se a comunidade internacional não procurar exercer de uma vez por todas uma influência positiva, levando o conflito para a mesa das conversações sérias e no respeito pelas instâncias internacionais, no sentido da Paz e do pleno direito do povo palestiniano a uma Pátria.

Caso contrário, o líder do Hamas, Ismail Haniyeh, já afirmou que Israel é responsável pelas consequências das atrocidades na Mesquita de al-Aqsa, em Jerusalém, cujas chamas alastraram a Gaza e acrescentou que representantes do Katar, do Egipto e das Nações Unidas tinham estado em contacto com o Hamas, apelando à calma, mas sublinhou que se Israel «quiser escalar o conflito, a resistência está pronta, se eles quiserem parar, a resistência está pronta» e por seu lado, o ministro israelita da Defesa, Benny Gantz, avisou que «isto é apenas o princípio» dos ataques de Israel.

 

 

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