Ao fim de 41 anos como autarca em Gulpilhares, acumulando os últimos sete com Valadares, Alcino Lopes vai recandidatar-se, pela última vez, ao cargo de presidente da Junta de Freguesia de Gulpilhares e Valadares. Com obra feita, atendimento garantido sempre à população, contas em ordem e apoios para todos, Alcino Lopes não sabe o que o futuro lhe reserva, mas garante que a sua intenção é dar continuidade ao trabalho feito até aqui, e ver alguns dos projetos mais emblemáticos, que viu nascer, como o auditório de Gulpilhares, totalmente remodelado bem como, a futura praça no Largo da Igreja de Valadares.

 

 

Há alguns meses, durante uma entrevista ao AUDIÊNCIA, afirmou que não se recandidatava, que ficava por aqui. O que o fez mudar de ideias?

Se disser que no dia hoje, a minha vontade era de facto desistir, fica desde já em sintonia. Não é de agora que tenho vontade de sair. Mas há duas ou três questões que pesam. Primeiro, esta Câmara tem-se portado muito bem comigo. Nada tenho que dizer, pela negativa, do comportamento municipal. Tudo o que eu tenho apresentado ao presidente, ele tem-me dito sempre sim, isso não é normal, nem sempre é possível. Portanto, sempre manifestou interesse em ir de encontro daquilo que eu acho que era o melhor. Esse é um aspeto. Abordaram a continuidade dos atuais presidentes de Junta de uma maneira muito tranquila, sem estarem, digamos, a pressionar, isso, também foi para mim fundamental porque não gosto de ser pressionado. E, depois, há aí mais uma ou duas coisas que eu já percebi que não ia conseguir fazer, e uma delas, prende-se com algo que me custou muito, que é o Auditório de Gulpilhares. Foi feito por um jovem que quando chegou à Junta, e por administração direta, levou a efeito esta grande obra. E o Auditório vai ser totalmente remodelado. Nós já temos o projeto, mas quem percebe um bocadinho do que é a valorização do equipamento, entende perfeitamente que não tenho isto pronto em outubro. Portanto, isto vai resvalar, possivelmente, para 2022. E, se fui o pioneiro disto, também gostava de o ver remodelado, até porque, a Câmara fez-me um desafio, que é pesado, ao pôr em cima da mesa a possibilidade de ser a Junta a tomar conta da empreitada. Portanto a Câmara, por vontade do presidente, transferirá o dinheiro para a autarquia. O que resultará eventualmente, em menos dispêndio de dinheiros, pelo maior acompanhamento da obra. A Câmara tem muitas obras, e não pode acompanhar tudo, se formos nós, estaremos todos os dias a ver o que se faz… e também temos o edifício sede de Valadares já adjudicado, mas, o empreiteiro ainda não iniciou a empreitada por excesso de trabalho. Também gostava de deixar o edifício de Valadares, pronto em outubro. E, ainda existe um outro projeto, idealizado pelo presidente da Câmara, que também tem os meus contributos, que é a criação de uma grande praça em frente à igreja de Valadares. No local vamos ter uma obra admirável. Em suma, existe sempre algo mais que nos obriga ou sensibiliza, mesmo quando a motivação, e por força do desgaste, nos retira alguma energia.

 

No fundo quer terminar o mandato com os objetivos cumpridos, é isso?

O edifício sede da Junta de Valadares, encontrei-o em estado degradado, em termos de edifício (parte interior). O largo da Igreja quando for concluído vai ser transformado numa belíssima praça, o auditório… São três obras muito importantes. Foi o que me fez dobrar e o desalento terá de ser esquecido. Existem muitas contrariedades no dia-a-dia…

 

Mas sente que ainda tem capacidade e força para aguentar mais quatro anos?

Não tenho é dinheiro para projetos mais ambiciosos, capacidade eu tenho. Mas não sei… Quem sabe? O Jorge Coelho não morreu de repente? Ninguém faz ideia do que isto é, esta Junta não é uma Junta de brincar.

 

Mas acha que, honestamente, neste momento alguém teria capacidade para assumir o seu lugar?

Claro que há. Tenho aqui gente que já está comigo há uns anos, isto é tudo uma questão de, às vezes, liderança, mas as pessoas também se fazem.

 

Mas também me lembro bem de há uns meses, todos os seus companheiros de Executivo estarem a insistir consigo para continuar. Nenhum deles queria assumir…

Todos querem, de facto, que eu continue, mas é como eu digo, temos dias em que estamos muito animados, outros nem tanto. Não é fácil porque as exigências são elevadas e a capacidade de resposta às carências da comunidade nem sempre é eficaz.

 

Mas já tomou a sua decisão, vai recandidatar-se?

Eu aceitei o convite, mas pus uma pequenina condicionante por isso ainda vamos ver. Vou como independente, não me meto mais na política, já saí há muito tempo… Fui militante do PS. Estive aqui muitos anos sem o ser, nos primeiros anos não era militante, depois acabei por aderir por pressão dos meus colegas dos vários executivos. Considero-me um homem livre, mas responsável e solidário com o projeto.

 

Aproveitando que já estava a falar dos projetos, já percebi que é terminar o que não vai conseguir…

Não. Agora, tenho outra coisa que tenho em mãos que é criar condições, e a Junta já está a trabalhar nisso, para criarmos condições para termos uma nova unidade de saúde. Porque a partir de 2022, as unidades de saúde passam a ser competência das Câmaras. Portanto, esta Unidade de Saúde de Gulpilhares é muito pequena. É uma unidade de saúde que foi desenhada e pensada por mim. Quando cheguei à Junta, em 1979, encontrei ali um espaço cheio de entulhos, e ali se fez uma pequena unidade de apoio à saúde para termos serviço de enfermagem. Havia falta de pessoas na área da medicina, e, começou-se por se realizar obras de ampliação, resultando daí unidade de saúde. Devemos reconhecer que não tem dimensão para a população. No momento, temos um terreno referenciado para que nos próximos anos seja possível edificar um espaço com a dimensão que uma comunidade bastante populosa exige.

 

Mas é aqui, em Gulpilhares?

Sim. Valadares tem duas. O terreno situa-se nas imediações da atual U.S.F. Aqui é o centro, as pessoas vêm à Igreja, ao cemitério… E, já falamos com o presidente para perspetivar o futuro. Uma nova Unidade de Saúde é prioritária.

 

Então, diria que esses são os projetos mais importantes?

Sim, acho que são os mais importantes, embora haja sempre mais coisas. Mas o mais importante no imediato é o auditório. O presidente da Câmara faz questão de investir muito no auditório, na parte interior, se calhar mais do que ao que eu imaginava. A empreitada para a praça no Largo da Igreja, vai ser muito vultuosa, a da Junta de Valadares já está adjudicada. A Câmara já transferiu o dinheiro. Temos é falta de disponibilidade do empreiteiro para entrar em obra. Se calhar é isso que me amarra um bocadinho…

 

Quer ver os meninos dos seus olhos completos?

É assim, se a Câmara entregar a coordenação dos trabalhos ao executivo, caberá ao presidente da Junta assumir a responsabilidade. No caso do Largo da Igreja, também colocaram a hipótese de ser a Junta a responsável pela obra, mas, parece-me ser muita responsabilidade para o executivo. Acho que deve ser uma obra municipal. Recentemente, encontrei uma revista que mostrei aos meus pares, com os projetos que estão todos concretizados, como o auditório, as sedes das coletividades, um loteamento para jovens casais, algo pioneiro no país e o complexo desportivo. Nessa altura vivíamos momentos nada fáceis.

 

E se calhar é um bocadinho isso que ainda o prende…. É ver que ainda tem algumas coisas que precisa de fazer?

Sim, se calhar é isso, mas não sabemos o dia de amanhã.

 

E a oposição? Já sabe quem é a sua oposição?

Não… Não se pode considerar oposição até às eleições. Cada um vai no seu lugar. Um indivíduo que vai às eleições e já é presidente de Junta não deve ser convencido. O veredito da população é soberano, e só após o ato eleitoral é que teremos de dialogar com a dita oposição. Oposição que é fundamental para que o executivo não de distraia.

 

Sim, mas no seu caso já é um bocadinho diferente….

Não é assim, nós vamos num plano de igualdade, não é oposição.

 

Mas sabe quem são já os seus adversários?

Não sei, nem me importo.

 

Mas espera alguns nomes?

Nunca me preocupei com isso, porque as pessoas depois é que escolhem e o que escolherem está escolhido.

 

E espera voltar a ter uma votação grande em Valadares?

Eu tive mais votos em Valadares do que em Gulpilhares… Mas não faço ideia, porque as pessoas querem sempre mais, mais e mais. Que Valadares mudou? Não tenho dúvidas nenhumas disso. Agora, quanto mais damos, mais pedem, e, porque é que eu perdi em votos em Gulpilhares? Porque foi muito dinheiro de Gulpilhares para Valadares. É verdade, não posso ignorar isso. Valadares estava muito mais necessitado que Gulpilhares. Gulpilhares tinha muito dinheiro, Valadares não tinha dinheiro, tinha dívidas… O que é que eu ia fazer? A primeira coisa que fiz foi equilibrar as contas que vinham de Valadares. Pagando o que eles deviam e ao fim de três meses estava tudo pago. Depois, o investimento que lá se fez. Valadares estava muito pior, em termos de espaço público, e no cemitério paroquial. Havia dinheiro, investiu-se mais em Valadares, por isso é que a população de Gulpilhares me penalizou. Mas eu também não tomei conta das duas para ser sectário. Tinha que fazer o equilíbrio.

 

 

E que desafios é que prevê?

Se tiver muitas coisas para fazer e para orientar, o muito trabalho será intenso. A vida autárquica é muito criativa, e a exigência é enorme.

 

E em termos de economia social, também prevê que possa ter de continuar a apoiar?

Sim. O ano passado, a Câmara deu-nos uma grande ajuda, mas nós também pusemos bastante dinheiro do nosso orçamento e este ano vai ser igual. De meados de janeiro a meados de março nós já tínhamos gasto 6 mil e tal euros em apoios sociais, que é muito dinheiro. Se fizermos isso, em cada trimestre, estamos a falar em 24 mil euros…. É muito dinheiro. Temos redução de receitas, temos algumas fontes de receita que não estão a entrar, por exemplo, o pavilhão que coberto sito no Complexo Desportivo de Gulpilhares, que nos rendia cerca de 40 mil euros por ano, neste momento não rende nada, tem é despesas de luz. Hoje há menos rendimento na tesouraria, as pessoas evitam de vir pedir atestados, até porque, o governo permitiu que alguns procedimentos se dilatem no tempo, portanto, não têm tanta pressa em fazer a apresentação de documentos.

 

Mas será que isso não é um desafio que vai ter de tentar gerir contas?

Não, estamos tranquilos. Não vamos falhar, em termos de apoios sociais. Mas temos que ver cada situação. Há situações de pessoas de fracos recursos que nos apresentam faturas de 200 ou 250 euros de luz por mês. Isto é uma coisa que não pode ser. Eu próprio tenho uma casa média e pago 60 euros, 70 euros…. porque também tenho cuidados. Recentemente ajudamos um agregado familiar a pagar as contas relativas aos meses de janeiro, fevereiro e março e ao quarto mês tivemos de suspender. Isto não pode ser sempre para os mesmos. Nós temos um plafond de 600 euros por cada agregado e alguns quase que já vão em 50 por cento. Estamos a apoiar todas as pessoas, claro que, as às vezes custa. Faturas de 250 euros de energia tiram-me do sério. Muitas pessoas não querem saber, ignorando os consumos… os outros pagam, também há muita gente que nesta área social acha que o Estado tem o dever de tudo pagar.

 

Mas vão continuar a tentar ao máximo a ajudar dentro dos limites do razoável, como é logico?

Sim, sim. Nós temos um orçamento inicial de 20 mil euros, mas, possivelmente, temos possibilidades para ir mais longe. Agora, a este ritmo não vai chegar… Como já referi, em dois meses e meio a verba disponibilizada ultrapassou os seis mil euros.

 

E qual é o seu lema para esta candidatura?

No momento nada está decidido.

 

Quando é que vai ser oficialmente anunciado?

Não sei, porque isso ainda não foi anunciado. Abordaram-me para eu ser candidato. Eu pedi escusa, acho que está na hora de eu abandonar e depois fizeram-me meditar, e, eu disse “olhe não sei, não sei como é que vai ser.”. Nós hoje estamos bem e amanhã estamos mal. A sério, não faço a mínima ideia. São os responsáveis que vão determinar o timing. Parece-me que está toda a gente, mais menos reconduzida com exceção de Oliveira do Douro e Madalena porque são obrigados a ser substituídos. Todos os outros, aparentemente, foi-lhes pedido para serem recandidatos.

 

E Gulpilhares e Valadares também não vão fugir à regra…

É como eu lhe digo, depende de muitas coisas. Eu disse “sim”, sou uma pessoa de palavra, mas se não me sentir bem…

 

E a sua família apoia a decisão?

No mandato em curso quem me influenciou imenso foi a minha filha, para me candidatasse, porque eu não pretendia ir a votos. São muitos anos. Já passam 41 anos seguidos, é muito cansativo. A próxima candidatura não foi objeto de análise familiar. Decidi numa reunião magna de atuais presidentes de Junta.

 

 

 

“A comunidade já me conhece, e sinto que o grau de exigência é cada vez maior”

 

De que forma é que pensa convencer os eleitores?

Já me conhecem, ou gostam ou não gostam. Em qualquer altura temos de admitir um divórcio, é como nas famílias. A comunidade já me conhece, e sinto que o grau de exigência é cada vez maior. Uma parte presume que nós somos capazes de tudo solucionar, o que não é verdade. Nem todos conhecem a legislação que se aplica às Juntas de Freguesia, e face ao desconhecimento, tudo o que estiver mal no espaço público é cometido à Junta de Freguesia. Vivemos momentos de alguma intolerância, talvez por força do COVID 19, e muitos dos emails refletem esse mau estar. A comunicação que nos chega diariamente é muito vasta, e para que possamos responder em tempo útil temos de dispor de muito tempo do nosso quotidiano. Respondendo objetivamente à questão que me colocou, direi que estou e se for eleito estarei sempre disponível para encontrar as melhores soluções que visem o desenvolvimento da nossa comunidade.

 

E que mensagem é que gostava de deixar à população?

No nosso manifesto, é claro que vamos referir muitos dos projetos que serão concretizados no próximo mandato. Mandato esse que terá todas as condições para ser o de maior investimento nas duas áreas geográficas. Vamos ter quatro anos de muito trabalho e de elevada responsabilidade. Enumero alguns dos mais importantes: a renovação do Auditório de Gulpilhares, a construção de uma nova Praça no Largo da Igreja de Valadares; a aquisição de um terreno para a construção para uma nova Unidade de Saúde de Gulpilhares; o investimento no Complexo Desportivo de Valadares Gaia para renovação total do espaço (cerca de € 2.500.000); a construção de um Pavilhão Gimnodesportivo nos terrenos do Miramar Império de Vila Chã (cerca de € 1.200.000) ou a recuperação de arruamentos estruturantes para a União de Freguesias. Acima de tudo, estarei sempre ao lado das pessoas como até aqui.

 

Por todos estes anos e por tudo o que fez, é uma figura de Gulpilhares, até, mais do que Valadares como é lógico…

Sabe que, isto é quase como o casamento, pode durar muito ou pode não durar nada, as pessoas, às vezes, saturam-se.

 

É verdade, mas a sua marca está aqui…

Está bem, mas é como tudo. O povo, na outra vez, não me puniu pelo facto de eu ter maior atenção com Valadares?

 

Isso é ciúmes, é como no casamento…

Eu acho que foi mesmo ciumeira, ficaram indignados, mas eu não tive outra alternativa. Seria justo eu ignorar as carências mais prementes?

 

Aliás, muitas pessoas poderiam, até, pensar que ia continuar a dar mais a Gulpilhares do que a Valadares que não lhe dizia tanto, de certa forma…

Recentemente, o executivo esteve a preparar o edifício sede de Valadares para entrar em obras, e foi recordando o estado calamitoso em que se encontrava. Janelas calafetadas com trapos, fita gomada a tapar brechas, tetos pingar e baldes a aparar as águas provenientes da cobertura em ruína, pavimentos em madeira apodrecida e com perigo de derrocada, quadro elétricos a arder com humidades, enfim, um rol de maleitas num edifício que possui uma história e merece ser reabilitado. Por vezes sou confrontado com o Maio Florido, pois bem, o dinheiro que se gastava em quatro anos de um mandato no Maio Florido, teria chegado para recuperar o edifício. Os Valadarenses merecem que um dia se faça a radiografia de uma ou outra gestão ruinosa. É evidente que nós devíamos ter feito alarde dessas coisas, mas não é muito a minha praia… Mas, se calhar, este ano tenho que o fazer, até, para desmascarar algumas situações.

 

O Executivo manter-se-á igual?

Face à atual legislação não vai ser composto como o atual. No pressuposto que podemos ter maioria absoluta, o executivo será composto por três homens e duas senhoras ou três senhoras e dois homens. Está determinado por lei que na composição do executivo a relação é de 60/40. Esta questão de incluir mais senhoras nos executivos, por determinação governamental não me parece razoável. As mulheres possuem pelas todas as condições para se imporem na governação autárquica, e temos muitos exemplos no país com muitas presidentes de Câmara e Junta de Freguesia.

 

 

 

“Este território é muito grande e existem sensibilidades muito diferentes e muitos egos”

 

E em termos de concelho? Aproveitando o que disse há pouco, de sentir que realmente há apoio por parte da Câmara deste Executivo…

Sim, eu não tenho razão nenhuma de queixa. É claro que, inicialmente, imaginei que talvez fosse possível, por exemplo, ter feito ainda neste mandato o auditório, mas, o projeto também demorou o seu tempo, só o tenho há meia dúzia de dias. Admiti que pudesse ser aberto consenso para a empreitada, A obra é dispendiosa, basta referir que as cadeiras são caríssimas. Podemos estar a falar em 100 mil ou cento e tal mil euros só para cadeiras. Mas não é uma obra que demore muito tempo, não vamos deitar o prédio abaixo, mas as melhorias que estão previstas para aqui são significativas, ao nível do som, da projeção, e outras coisas mais que é preciso fazer… Mas não é nada de transcendente. Fazer casas de banho para deficientes porque as existentes não estão preparadas, nessa altura não era exigido… São coisas simples, mas vai demorar o seu tempo.

 

Mas acredita, de certa forma, que o Executivo que está na autarquia vai ser reconduzido também?

Eu acho que sim. Acho que o presidente Eduardo Vítor Rodrigues tem feito um mandato muito forte e muito difícil. É muito fácil estar cá fora e adjetivar, outra coisa é governar. E nós, às vezes, sabemos que há indivíduos que falam muito pela negativa e, por vezes, não conseguem gerir os 80 ou os 100 metros quadrados da habitação que possuem. Este território é muito grande e existem sensibilidades muito diferentes e muitos egos.

 

Acha que o PS vai continuar em maioria em Gaia?

Sim, não tenho dúvidas disso. Acho que foi ao AUDIÊNCIA que eu dei uma entrevista, no último mandato do Dr. Menezes, em que cheguei a dizer que o mandato do Dr. Menezes me estava a fazer lembrar mandatos anteriores que foram de uma pobreza extrema. O último mandato do Dr. Menezes, entre 2009 e 2013, foi horrível, foi medíocre. É evidente que fez muitas coisas, e muitas ficam para sempre, mas também deixou muita dívida e esta Câmara teve que as assumir.

 

Se calhar, de alguma forma, o PSD ainda está a pagar a fatura desses anos todos…

As pessoas, às vezes, esquecem-se outras vezes são implacáveis. O presidente Eduardo Vítor Rodrigues, não tendo muito dinheiro, no 1º mandato conseguiu ter uma maioria absolutíssima, num mandato muito difícil. Às vezes questiono-me como foi possível atingir o patamar da estabilidade. Hoje a Câmara paga muito bem. No dia ontem, um encarregado de uma empreitada que está a decorrer aqui em Gulpilhares disse-me “esta Câmara, nós metemos a fatura e passado 30 dias estamos a receber”. A nossa empresa está sempre tranquila quando faz autos de medição, recebemos logo o dinheiro. As juntas também, a Câmara não tem nada em atraso. Os duodécimos estão em dia, portanto, o dinheiro para fazermos as obras da Junta de Valadares, já foi transferido e nós ainda não começamos com a obra, por atraso do empreiteiro.

 

Acredita que o concelho de Gaia, basicamente, vai manter-se todo PS?

Acho que seria de uma enorme ingratidão se o presidente da Câmara, ao ser reconduzido, não tiver uma vitória expressiva como a anterior. Podem-se repetir, até porque acho que ele fez mais neste mandato do que no anterior, agora, se o povo vai estar atento a isso ou não, não sei. O presidente da Câmara também tem dedicado muito tempo com as questões ligadas à pandemia e essa dedicação merece a gratidão de todos os Gaienses.

 

E em relação à ideia de se adiar a data das eleições? Qual é a sua opinião?

Há uns que defendem, outros não, mas isso a nós não nos aquece nem nos arrefece, ser em outubro, em novembro, ou dezembro…. Há um ou outro que tem um ponto de vista diferente. Julgo que foi o PSD que apresentou a possibilidade de ser em dezembro, mas a argumentação não é relevante.

 

Sim, mas muitos argumentam, por outro lado, que as outras eleições presidenciais também ocorreram em janeiro e que não houve problema…

Sim, mas para nós é indiferente. O presidente da Câmara é a favor de ser em outubro, são pontos de vista. Depois também tem de se perceber que mesmo que fosse melhor em dezembro, os outros diriam que não. Na política existe o contraditório. Há sempre essa parte do contraditório, de que, se a ideia vem do PSD, o PS de certeza que diz que não, se o PS diz uma coisa, o PSD vai dizer que não. Esta questão não é de grande importância.

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