No ano passado o Fantasporto escapou por um triz à pandemia e acabou por festejar o 40º aniversário da sua longa vida (para nós) …não é fácil nesta cidade hostil às manifestações artísticas uma tal longevidade, que o digam os organizadores, fundadores e criadores desta e outras manifestações que deram e dão nome à cidade do Porto como o FITEI, o Fazer a Festa do Art´Imagem e mesmo o Fantasporto…este ano a organização do FANTASPORTO’2020 / 41º Festival Internacional de Cinema  do Porto, “após analisar o momento de pandemia, decidiu manter o evento presencial. O objetivo é continuar a tradição de exibir os seus filmes dentro de um teatro.

A princípio, será o primeiro grande evento cultural do ano na cidade do Porto, essencial no calendário cultural nacional e internacional. A programação apresenta as mostras e competições habituais, juntamente com uma grande diversidade de curtas e longas-metragens, apresentadas em pré-estreia Nacional, Internacional ou Mundial.

Fantasporto mudou-se, “excepcionalmente” para o Hard Club para realizar a sua 41.ª edição do Festival Internacional de Cinema do Porto. de 26 de abril a 2 de maio. A organização do festival divulgou na sua página de Facebook que devido à programação que tinha marcada há muitos meses, o Teatro Municipal Rivoli não garantiu nenhuma data alternativa.“Toponímia – As Memórias do Porto”, que estreia no Fantasporto, é “uma viagem num lento, mas panorâmico comboio para o passado. Esta película pretende deixar um legado de costumes e ofícios antigos que começaram a entrar em desuso na “Cidade Invicta” e documentar a memória coletiva do Porto, aqui representada por Alfredo, personagem imaginária e onírica, e um guia sem idade.”

A 41.ª edição do Fantas, que apresenta filmes oriundos de 37 países, conta também com a apresentação do livro “Fantasporto 40 Anos: Uma História De Cinema”, de Beatriz Pacheco Pereira, com design de João Dorminsky. O livro, que será apresentado no dia 30 de abril pelas 17h, é um “olhar completo em 600 páginas de texto e imagem, profusamente ilustrado com centenas de fotos sobre os 40 anos do Fantasporto (1981-2020), percorrendo os programas ano a ano, os cartazes, as importantes descobertas do novos realizadores com os seus primeiros filmes, a presença de muitos deles nos Óscares, a listagem e as caras de convidados e profissionais que o visitaram, os amigos e impulsionadores do festival desde a sua origem, os participantes, as cartas de personalidades e homenagens recebidas.” (informação do festival)

 

A primeira edição do Fantasporto aconteceu como um Ciclo de Cinema Fantástico, no antigo Teatro Carlos Alberto, e foi o pontapé de partida para a criação do festival em 1981 ao qual os três fundadores, Beatriz Pacheco Pereira, Mário Dorminski e José Manuel Pereira, têm dedicado a sua vida!

No ano de 1982, depois de ter regressado do Funchal, juntei-me como observador e comentador deste festival, tendo colaborado como júri do público em várias oportunidades, com uma exposição de máscaras e mais tarde até agora divulgando o evento no Jornal Audiência de V. N. de Gaia.  Sobre José Manuel Pereira (1950-1992) gostava de deixar nestas páginas uma pequena recordação e uma singela homenagem a quem foi muitas vezes o meu colaborador em aventuras teatrais e na minha vida.Foi funcionário da DGA muitos anos, tendo entrado para lá ainda jovem. Durante quase toda a sua vida trabalhou viveu no edifício que fora conhecido como o “arranha-céus” do Porto, na Praça de D. João I, até a mudança para a Travessa de Cedofeita.

Como artista plástico iniciou a sua cooperação com o teatro no grupo Teatro 5/ A Margem, fusão de dois grupos de Vila Nova de Gaia, O Teatro 5 e o grupo A Margem, o primeiro orientado por Fernando Costa e o segundo depois da fusão orientado pelo Dr. Fernando Peixoto, escritor, poeta e historiador de Vila Nova de Gaia. Foi o autor dos primeiros cartazes e das capas dos livros editados pelo festival Fantasporto. Particularmente colaborou comigo a partir de 1985 até 1992, nas encenações que fiz para o teatro essencialmente como figurinista, e as vezes, também como cenógrafo com os seguintes grupos; Teatro Art´Imagem – Porto, Trupe da Vila- Vila Real, Teatro Experimental do Porto/TEP, Orfeão da Madalena, Grupo Dramático e Musical – Flor de Infesta- São Mamede, para espetáculos de autores tão importantes como Molière, Goldoni, Georg Büchner, Irmãos Grimm, Garcia Lorca, António José da Silva- O Judeu, Beaumarchais e Eurípides. No âmbito do Fantasporto, ambos realizamos uma exposição de máscaras criadas por nós para os nossos espetáculos.

No pessoal o José Manuel Pereira era uma pessoa muito atenciosa, delicada e mui profissional, muito dedicado à sua mãe D. Firmina, a sua irmã, aos seus sobrinhos e sobrinhos-netos, particularmente comigo de uma grande afetividade tendo-me acolhido na sua casa como um elemento mais da sua família.  José Manuel Pereira morreu na sua casa, numa madrugada do ano de 1992. Na véspera desse dia entregou-me a sua última colaboração plástica para mim, para meu teatro e para os meus alunos do Ballet Teatro- Escola profissional; era a cabeça de Penteus, uma das personagens centrais da tragédia grega As Bacantes de Eurípides.

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