Natural de Vila Nova de Gaia, o cineasta Miguel Ângelo Rebelo encontrou na sétima arte uma forma de unir a paixão pela música, fotografia, pintura e filosofia, criando obras marcadas pela introspeção e pela reflexão sobre a sociedade contemporânea. Nesta entrevista ao AUDIÊNCIA, o fundador da MAR Productions falou sobre o percurso no cinema de autor, a influência da filosofia nas suas produções, os desafios de ser realizador independente em Portugal e a crescente presença da Inteligência Artificial no universo cinematográfico. O criador de curtas-metragens como “Se eu fosse o diabo”, “Se eu fosse Deus” e “Letters in Grey” defendeu a importância da arte enquanto expressão profundamente humana e revelou ainda os próximos projetos, entre os quais o aguardado “Se eu fosse um humano”, terceira parte da trilogia que questiona a relação entre a humanidade, a tecnologia e a consciência.
Quem é o cidadão Miguel Ângelo Rebelo?
O cidadão Miguel Ângelo Rebelo é basicamente alguém que nasceu em Vila Nova de Gaia e que toda a vida permaneceu na cidade. Eu sou uma pessoa que gosta imenso de arte, no geral, quer música, pintura, fotografia. Em todas estas artes, eu gostei sempre de experienciar, ou seja, tocar um instrumento, pintar sempre, porque sempre tive muita curiosidade e paixão também em perceber como é que funciona toda a arte isto acabou por culminar, depois, na sétima arte, que é o cinema, que basicamente engloba todas estas artes e, para mim, é o resultado de uma de uma busca que eu tenho pela veia artística e pela arte em si no geral.
Como é que a sétima arte entrou na sua vida?
Desde muito jovem que eu fui sempre fazendo, em família, brincadeiras com as pessoas, pois eu gostava de filmar. Isto entra muito já na era digital, quando apareceram aquelas primeiras câmaras de 13 megapixéis e foi um bocado por aí que começou, ou seja, uma facilidade depois de acesso a essa parte da filmagem. Eu comecei a fazer nas nossas férias de família e eu, em vez de fazer aquelas filmagens normais, gostava de fazer scripts, atribuir papéis a cada um dos familiares e fazer ali umas pequenas curtas-metragens. Depois editava muito através do Windows Movie Maker, que era algo muito ainda rudimentar, mas que já dava para começarmos a fazer algo e foi muito por aí que que surgiu o interesse do cinema. Depois, em 2005, salvo erro, eu interessei no UCI Arrábida 20, que na altura ainda era o antigo AMC e comecei a ter um contacto muito mais real quer o cinema em si, uma vez que vi muitos mais filmes porque fazia screenings, ou seja, nós tínhamos de fazer briefings para as imagens e para os filmes que iam passar depois para o cinema e eu fazia esses screenings, então via filmes em cinema sozinho, que é uma experiência fantástica, e a partir daí também comecei a ter mais contacto, quer com todo o backstage, como é que funcionavam os preparativos para se colocar a projetar um filme e daí nasceu também todo este interesse pelo cinema em si. Foi muito por aí que despertou esta curiosidade e toda esta intenção. Surgiu também a oportunidade de ir estudar cinema ou filosofia, que era uma outra grande paixão minha. Filosofia era aqui na Universidade do Porto, e Cinema era na Covilhã e eu optei por filosofia e por ficar aqui na Faculdade de Letras do Porto.
Diria que o facto de ter estudado filosofia tem influência nas suas produções, uma vez que tenta transmitir sempre uma mensagem relevante?
Sim. Primeiro, eu procuro sempre deixar que o filme, em vez de contar uma história, permita que a pessoa que está a ver tenha a capacidade de o interpretar da forma que quiser e não da forma que eu idealizei. Portanto, o que eu procuro sempre com os filmes é criar um vazio, ou seja, uma introspeção, uma necessidade das pessoas olharem para dentro e pensarem: o que é que eu estou aqui a aprender? O que é que me está a trazer este filme? Quais são as sensações? Porque acho que falta muito isso, ou seja, da imagem à emoção há ali algo que se perde e se nós conseguirmos projetar isso, conseguirmos transparecer isso e quem está a ver o filme efetivamente sentir essa necessidade de buscar e de fazer uma introspeção é a parte mais importante que nós conseguimos transmitir numa obra de arte. Eu procuro sempre isso com os meus filmes, isto é, eu procuro que o filme em si vá deixar vá obrigar a pessoa a pensar e não seja óbvio. Logo, é necessário pensar para perceber, pelo que a vertente filosófica entra muito por aí. A trilogia que eu estou a fazer que já tenho dois feitos que é “Se eu fosse o diabo”, “Se eu fosse Deus” e o próximo que será lançado a partir deste ano, que será “Se eu fosse um humano” é muito isso. O “se eu fosse o diabo” vai muito buscar a vertente de, para onde é que nós estamos a caminhar enquanto sociedade, enquanto humanidade? Para onde é que nós estamos a ir? Porque é que nós agimos assim? Porque é que há esta cultura do eu, o transformar o eu em imagem com as redes sociais, com toda esta necessidade? Eu acho que quando eu fiz “Se eu fosse o diabo”, toda essa curta-metragem é muito para que as pessoas comecem a pensar em toda essa vertente da sociedade, que está basicamente a tirar-nos humanidade e conexão, pois parece que estamos mais conectados, não estando na realidade. Depois, o “Se eu fosse Deus” é basicamente a explicação, ou seja, é uma espécie de um guia para que as pessoas possam olhar para as coisas e pensar realmente que, se calhar, a natureza é algo que tem que ser apreciado, é algo que tem de ser protegido e todos nós, enquanto sociedade, merecemos que haja uma conexão diferente, estar presente e não só virtual. Por fim, o “Se eu fosse um humano”, posso dar aqui um pequeno spoiler, vai ser uma inteligência artificial, basicamente a dizer que aquilo é para abrir um pouco a narrativa de que nós, se calhar, estamos a dar poder a mais a uma inteligência artificial que, no futuro, pode começar a olhar semelhante a um humano e pode pensar em algo diferente.
De todas as suas produções, qual foi a que mais o marcou até aos dias de hoje?
O que mais me marcou foi, sem dúvida, o “Alma”, porque nasceu de um projeto a solo do Ricardo Dias dos Santos, dos Heavenwood, que é o “Projeto 4”. Eu fui fazendo ali no início de 2025 alguns videoclipes para músicas avulso desse projeto e depois numa noite apaguei tudo e ouvi o álbum “Alma” só de fones sentado na sala, com tudo apagado, e comecei a viajar, ou seja o álbum acaba por representar e nos transportar, através da sua composição musical, para narrativas e criar imagens na nossa cabeça e eu questionei o Ricardo se ele estaria aberto a que nós fizéssemos basicamente um filme a propósito desse álbum, que era dar imagem à música e se calhar contar um pouco a história que está por trás de cada música que ele fez desse álbum. Na altura, ele disse-me que o álbum era muito pessoal, que cada música contava uma parte da vida dele e eu disse pronto, então perfeito, e nasceu daí a colaboração. Nós intensamente fomos trabalhando com muitas vezes até às duas e três da manhã a começarmos através do WhatsApp e eu enviar-lhe algumas fases do filme já prontas e ele a dar os inputs dele e foi surgindo, foi nascendo, foi ganhando cada vez mais alma, por assim dizer, até que foi apresentado no Macaréu a 13 de dezembro de 2025 e acabou por ser o primeiro contacto direto que eu tive com o público. Nós organizamos uma apresentação engraçada, onde tivemos poesia, tivemos o Nuno Calado também a contribuir com uma apreciação a propósito do álbum e do filme. Eu apresentei também uma curta-metragem que tinha feito especialmente para participar num Festival de Natal, que era o Christmas Fest em Los Angeles, onde cheguei aos quartos de final. Obviamente que nós queremos sempre ser finalistas, mas já foi bom, tendo em conta a participação e depois combinou com o “Alma”. A sala estava muito bem composta, praticamente cheia, sendo que é uma sala limitada e no final foi muito gratificante aquele contacto direto com as pessoas. Foi a primeira vez também que eu percebi que de alguma forma o que eu estava a fazer estava efetivamente a chegar às pessoas. Recebi alguns elogios e foi muito bom.
Como é que é a vida de um cineasta, desde o processo criativo até à participação nos festivais nacionais e internacionais?
Eu estou autodidata, ou seja, eu acredito que é muito cinema de autor, portanto, eu não estou preso, digamos assim, a todas as formas convencionais de se fazer cinema. Como tal, eu crio a minha própria forma de transparecer e de criar cinema. Logo por aí já acaba por ser diferente de um processo normal, de um de um realizador normal. Sendo eu a fazer tudo, gosto imenso de criar os scripts, ou seja, todo o argumento nasce na minha cabeça e isso pode acontecer em qualquer altura do dia. Muitas vezes acontece às 3 da manhã, em que eu acordo com algo que surgiu e escrevo logo no telefone e pronto e se calhar estou ali uma hora a escrever algo que vou depois eventualmente realizar mais à frente. Portanto, há essa vertente e, depois há a vertente de pensar como é que vou executar, filmar, animar e que tipo de filmagem é que eu vou querer para este para este filme, que tipo de abordagem é que eu vou querer, o que é que eu quero que as pessoas sintam ao ver o filme, ou seja, há todo esse preparativo. Há também uma vertente fotográfica que é escolher locais, assim como o tipo de imagem que vai transparecer, qual é o foco que eu quero que o espectador olhe, ou seja, o que é que eu quero que em cada imagem o espectador veja e onde é que o olhar dele vai estar. Depois, há o processo de edição, o processo de busca por outro tipo de imagens stock footage para complementar o filme. Há toda uma parte de procura em termos sonoplásticos, temos de procurar banda sonora e aí, às vezes, até procuro muito falar até com o Ricardo, também para que ele componha algo para poder entrar no filme. Para além da sonoplastia e há o processo de edição, que demora mais tempo. Isto tudo, conjugando com o facto de eu ter uma profissão, é sempre feito nos tempos livres e porque há muito gosto, porque como rouba imenso tempo, é preciso haver também muita paixão para se poder fazer isto. Em termos de presenças internacionais, eu não tenho ido localmente, ou seja, das 15 seleções que eu já tive e em algumas eu fui finalista, aliás, recentemente, foi no início de abril, fui finalista em Marrocos, mas eu não fui, porque não consegui conjugar com a minha profissão e ao não conseguir estar presente, também não consigo fazer todo esse networking que é necessário também nestas coisas. Não deixa de ser interessante que haja efetivamente alguma abordagem e alguma aceitação do meu trabalho a nível internacional, desde os Estados Unidos, aqui na Europa, mas também em Marrocos e na China, ou seja, tem tido uma aceitação Internacional, mas em Portugal ainda não tive nenhuma seleção, apesar de ir participando em alguns em alguns festivais. Acredito que nós, em Portugal, temos uma cultura de cinema, temos o Fantasporto, temos o Curtas de Vila do Conde, temos o Maia International Film Festival, temos o Moinho Cine Fest, por exemplo, ou seja, nós em Portugal temos aqui uma cultura cinematográfica muito grande, mas acredito que há uma lacuna muito grande em Vila Nova de Gaia ao não termos aqui um festival de cinema que represente a cidade. Temos algumas coisas que podemos explorar, nomeadamente as caves de vinho do Porto e as pescas, que permitiriam criar festivais de cinema com essas temáticas e temos dois complexos com salas, quer o GaiaShopping, quer o UCI Arrábida 20, tal como temos alguns auditórios na cidade, pelo que é algo que podia e devia ser explorado e eu estou disposto a ajudar, se eventualmente quiserem explorar essa vertente.
Mencionou anteriormente que Portugal está aberto ao cinema, mas acredita que os portugueses estão abertos ao cinema de autor?
Nós, em Portugal, nós tendemos a dizer que o nosso cinema sempre foi muito isso, ou seja, sempre foi uma vertente muito mais de autor, que convida muito mais ao silêncio, com filmagens muito mais paradas, quase muito fotográficas. Nós sempre tivemos muito essa vertente e, de alguma forma, o público não é isso que procura, é a realidade. O público procura mais ação, mais movimento, mais os filmes de Hollywood, também muito mais a vertente Netflix, por assim dizer, das coisas, ou seja, é uma cultura mais imediata e nós já estamos a fazer produções para a Netflix, ou seja, o próprio cinema em Portugal já percebeu que, de alguma forma, para chegar ao mainstream tem de fazer esse tipo de produções. Ainda assim, eu acredito que há espaço efetivamente para o cinema de autor. Existem festivais vocacionados só para cinema de autor e eu acho que faz sentido nós mantermos isso, porque a cultura não é só o que toda a gente vê, é também o que o que os nichos veem e consomem. Acho que, em Portugal, efetivamente falta alguma cultura de nicho que possa ir procurar este tipo de cinema.
Diria que também falta apoio a quem produz cinema de autor?
Sim, eu acho que, de alguma forma, falta apoio sim, ou seja, é muito difícil, por exemplo, para alguém como eu, autodidata, que não cursei cinema e não estou presente nesse tipo de fóruns, ser lembrado, pois acabo por ficar um pouco esquecido. Portanto, eu estou um pouco refém, digamos assim, daquilo que eu próprio vou fazendo e do alcance que eu tenho, porque como não existe apoio, ou seja, não existe ninguém que invista nesse tipo de cinema. O Ministério da Cultura vai lançando alguns concursos. Agora lançou recentemente um concurso para criação de documentários cinematográficos, mas isso acaba por envolver sempre alguém que já tem uma presença, ou seja, alguém que cursou cinema, que tem já alguma presença. Qualquer cineasta autodidata tem sempre muita dificuldade em entrar nesse mundo.
Acredita que a Inteligência Artificial é uma ferramenta poderosa ou uma ameaça ao cinema de autor?
Eu acho que a inteligência artificial vai acabar por permitir um salto quase como aconteceu na altura em que a fita passou para digital e, como é normal, há sempre alguma reticência em aceitar essa nova evolução. Aqui vai acontecer muito isso, que é: a Inteligência Artificial vai acabar por vir para ficar. Vai existir ali uma resistência inicial em aceitar esta nova forma de explorar o cinema, mas depois vai acabar por ter de ser aceite por toda a gente, sendo que aí o cinema autoral vai acabar por ter um papel fundamental, porque se calhar vai ser ainda aquela componente natural, por assim dizer, mais cinematográfica, que se vai manter e que vai captar essa atenção. Mas, acho que vai ajudar, sendo utilizada como ferramenta. No cinema de autor, nós estamos muito limitados, às vezes em histórias que queremos contar, abordagens que queremos fazer, até planos que queremos inserir e utilizando a Inteligência Artificial, como ferramenta, vai proporcionar a que nós consigamos dar, se calhar, uma visão, sem que seja necessária uma produção muito maior e mais elevada para a conseguirmos alcançar.
Também esteve presente na XXI Gala AUDIÊNCIA, onde exibiu a curta-metragem “Letters in Grey”, que foi recentemente selecionada pelo Golden FEMI Film Festival 2026, em Sofia, na Bulgária. Qual foi o sentimento?
Efetivamente exibi o “Letters in Grey”, que é a curta-metragem que tem sido mais destacada no panorama Internacional e foi uma honra poder partilhar ali com todas as pessoas que estavam presentes na XXI Gala AUDIÊNCIA. Obviamente, Eu Não estava a contar subir a palco, sou sincero, e quando subi pronto, senti-me um pouco intimidado, pois estou habituado a estar atrás da câmara, não à frente da atenção, por assim dizer, mas a parte que eu absorvi, quando estava cá em baixo, ainda antes de entrar em palco e estava a ser projetada a curta-metragem, foi olhar para o rosto das pessoas e perceber a atenção. Esse sentimento foi muito bom, muito bom mesmo. Na altura, houve uma interação com a presidente da Junta de Freguesia de Vilar de Andorinho, freguesia onde resido há alguns anos, que também não estava a contar, mas diria que foi muito positivo e só tenho de agradecer ao AUDIÊNCIA, porque foi fantástico e muito positivo.
Como é que as pessoas podem ver os seus trabalhos?
Através da MAR Productions, que é a produtora criada por mim e onde eu faço todas as produções, pelo que é por lá que eu lanço todos os todos as curtas-metragens e todo o meu trabalho está sempre lá exposto. Depois, é redes sociais, quer através do Facebook, como do Instagram da MAR Productions está sempre lá associado todo o meu trabalho e pronto é muito por aí que eu vou divulgando. Mais recentemente, tenho também tido algumas colaborações interessantes. No final do ano passado, fiz um videoclip para os Heavenwood, por altura do relançamento do álbum deles, do Swallow, que teve uma boa aceitação. E agora eles estão a lançar um novo álbum, quase uma década depois, e os primeiros 3 singles também têm videoclipes que eu fui convidado a fazer. Isto é um trabalho que não está na MAR Productions, é um trabalho feito por nós, que eu vou partilhando nas redes sociais. Também tenho um Linktree, onde também vou postando todo este trabalho que vou fazendo, assim como prémios e nomeações para festivais.
Há pouco falou da MAR Productions. Qual é a história? Quando é que foi fundada?
A MAR Productions nasceu basicamente na altura da COVID-19. Nós estávamos muito fechados em casa e eu precisava de ocupar o meu tempo com algo e aí comecei a criar algumas coisas para mim e por brincadeira fiz um canal do YouTube, onde atribui esse nome, MAR Productions, e comecei a partilhar lá algumas coisas que fui fazendo. Também, surgiu da necessidade de eu não estar a criar as coisas na minha página pessoal e de ter um espaço onde pudesse expor o meu trabalho, porque as pessoas sabem que é meu, identificam como sendo meu, mas não é a minha imagem que está lá. Portanto, a MAR Productions nasceu assim e neste momento a única coisa que faz é estar por trás de todas as produções que eu vou fazendo.
Para além do lançamento de “Se eu fosse um humano”, existem outros projetos em carteira?
Sim, eu tenho já algumas produções feitas que estão a correr os festivais. Basicamente, nós temos dois caminhos enquanto cineastas, ou lançamos diretamente ao mundo o que nós criamos e vamos ver a aceitação das pessoas, ou percorremos os canais de festivais. Quando percorremos os canais de festivais, nós não podemos colocar logo o filme disponível, nem as curtas-metragens disponíveis, porque os festivais procuram muito isto, ou seja, algo que ainda não está disponível, que é a primeira vez que está a ser exibido naquele país. Portanto, nós temos de esperar que haja todo esse circuito de festivais, para depois podermos lançar. E sim, eu tenho já aí algumas curtas-metragens feitas e que estão a percorrer esses canais de festivais e vamos aguardar. Quando terminar lanço para o público. Mas sim, tenho já aí algumas coisas já feitas. Ainda estou a escrever o texto de “Se eu fosse um humano”, mas conto até ao final do ano terminar essa trilogia, pois foi algo que eu que eu me propus a fazer já numa fase inicial.
Quais são os seus maiores sonhos?
Neste momento, acho que para elevar o patamar onde eu estou e para me incentivar cada vez mais a continuar o trabalho, ter um reconhecimento, seja internacional, seja nacional, receber um prêmio, é algo que eu procuro. Não é um objetivo, porque na realidade o meu objetivo é partilhar a arte, o Stanley Kubrick, que é se calhar um dos maiores realizadores que o cinema já conheceu, nunca recebeu nenhum Óscar, nunca teve nenhum prémio e deixou uma obra e um legado fantástico. Portanto, é um pouco por aí. Eu não estou muito preocupado. Agora sonhos, nós temos de pensar sempre em algo que seria interessante nós fazermos, portanto, receber um prémio, sim, era um sonho, é algo que se acontecer eu vou pensar que foi um sonho que se tornou realidade.
Qual é a mensagem que gostaria de transmitir?
Gostava de transmitir a mesma mensagem que deixei na XXI Gala AUDIÊNCIA, porque, de alguma forma, a arte é o que nos diferencia das máquinas, é o que nos torna humanos, por assim dizer. A história conta-se quase com a arte que foi passando de geração em geração, de década em década. Portanto, ao consumirem este jornal, que dá toda esta amplitude e toda esta visibilidade à arte, acabam por estar a contribuir também para uma humanidade melhor e mais próxima, para nos continuarmos a manter humanos e não nos tornarmos máquinas sem emoções.


