O fundador da Web Summit em recentes declarações ao Público refere que a Web Summit em Lisboa foi a decisão mais doida da sua vida.

Por outro lado o actual Presidente da Câmara de Lisboa, que aliás sabemos que o mais provável é que não o seja daqui a 10 anos, veio proclamar de forma efusiva a vitória de Lisboa para a organização deste evento, sendo que a nossa candidatura saiu supostamente incrivelmente vencedora face às candidaturas de grandes cidades e capitais europeias.

Mas faltou referir como vencemos?

Vencemos com a candidatura mais doida de todas, aquela que ofereceu um valor mirabolante, basicamente mais de 10 vezes mais alto que o oferecido pelas cidades rivais para manter o evento na cidade não esquecendo que o bolso lusitano comparativamente às cidades de alguns destes países é pequenino. Será também por isto que o “bolso” português durante décadas a fio tem desafiado a lei da gravidade, porque ao contrário dos outros países não sabe impôr limites razoáveis aos caprichos e aos interesses de algumas hipotéticas minorias, no fundo “os donos disto tudo”?

Sinceramente o mais cómico de tudo isto é o retorno prometido com base em saliento estimativas financeiras realizadas pelas partes interessadas na realização do evento de forma mais ou menos directa.

A realidade é que não necessitamos de cálculos muito elaborados para percebermos que este retorno ficará bem longe de compensar o seu investimento.

Não me parece que umas centenas de camas durante os dias do evento, mais umas boas centenas de euros com a restauração compense 11 milhões de euros investidos em meia dúzia de dias, sobretudo num país onde a educação e a saúde, dois pilares sociais, necessitam urgentemente de injecção de verbas e onde aliás ouvimos constantemente que não existe dinheiro para fazer mais e melhor.

Mas entretanto é sempre possível libertar 11 milhões da cartola por ano, para uma candidatura lúdica como esta.
Como se explica a um professor que não pode ser aumentado, nem ver a sua carreira descongelada porque é mais importante promover uma feira de vaidades tecnológicas a um preço mirabolante, como se Portugal não tivesse talento que chegue para realizar evento semelhante a muito menos de metade dos valores envolvidos.

Se me perguntasse se acho que a Web Summit foi boa para Portugal e para Lisboa eu diria que sim.

Acho que a Web Summit como evento tecnológico de referência foi excelente para uma vez mais mostrar ao mundo que Portugal e Lisboa estão na moda e são uma referência mundial no empreendedorismo porque acima de tudo é disto que tudo isto se trata: bancas de Startups a conviver com grandes empresas mostrando os seus gadgets envolvendo o evento numa atmosfera de networking única.

No entanto, parece-me que 3 edições já cumprem bem este objectivo sobretudo quando já passamos para o mundo a imagem que para além de sermos um país de referência nas áreas supracitadas também somos um país onde reina a censura e a má educação de convidar um orador e depois o desconvidar e onde não se respeita os monumentos e as altas figuras nacionais que já partiram desta vida física e mortal.

E já que somos tudo isto, não poderemos desconvidar estes 10 anos de Web Summit e poupar 11 milhões de euros durante 10 anos e investir desta forma 110 milhões de euros na saúde e na educação.

Conseguimos imaginar qual o melhor negócio e o que trará melhor retorno e melhor serve os interesses do país, não conseguimos?

É uma pena que estejamos constantemente concentrados nos julgamentos mediáticos e deixemos passar estes milhões por entre os pingos da chuva sem nada dizermos.

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