Em Portugal Continental existem, no mínimo, sete raças distintas de cães domésticos, distribuídas de norte a sul do País. São elas: Serra da Estrela, Cão d’ Água, Castro Laboreiro, Perdigueiro Português, Podengo Português, Rafeiro do Alentejo e Serra de Aires. Porém, é o “Serra da Estrela” o que suscita a maior curiosidade dos portugueses, pelas suas características e por ser também a raça portuguesa mais internacionalizada. O popular “Cão da Serra”, sendo também uma das raças caninas mais antigas da Península Ibérica, que se distribui pelas regiões mais montanhosas do nosso país, é um exímio guardador de rebanhos, dócil e obediente, mas sempre vigilante e atento a qualquer movimento estranho à volta do rebanho, está hoje presente em países como o Reino Unido, França, Holanda, Noruega e República Checa, havendo também nos Estados Unidos da América uma associação de criadores desta raça portuguesa.

Mas, abordar a importância do Cão da Serra da Estrela no dia-a-dia dos portugueses e na economia de toda a região que circunda os Montes Hermínios, nos concelhos da Guarda, Celorico da Beira, Gouveia, Seia e Manteigas, no distrito da Guarda, e do vizinho concelho da Covilhã, no distrito de Castelo Branco, é falar das duas actividades principais da região – lanifícios e lacticínios – impulsionadas em torno dos rebanhos, que têm, na realidade, uma forte influência no sucesso ou no fracasso das respectivas actividades económicas. Por isso, falar do “Serra da Estrela” é falar também da pastorícia, com influência na actividade dos milhares de portugueses dos citados Municípios e também do mundialmente conhecido “Queijo da Serra”, uma Denominação de Origem Protegida dos lacticínios portugueses, à volta do qual se movimenta toda uma região onde abundam importantes rebanhos, que alimentam muitas famílias e empresas, e cujo cão de guarda (o “Serra da Estrela”) representa um elemento imprescindível à segurança e sustentabilidade económica do sector, embora se admita que a população de predadores na zona tenha vindo a decrescer nas últimas décadas.

Entretanto, o Clube Português de Canicultura, “herdeiro” do antigo Clube dos Caçadores Portugueses, membro de pleno direito da “Fédération Cynologique Internationale”, com sede em Bruxelas, tem tido papel determinante na gestão global das raças caninas, é uma instituição sem fins lucrativos que detém o Estatuto de Utilidade Pública. O clube foi fundado nos finais do século XIX e tem hoje uma delegação na cidade do Porto. Tomando por base informações fidedignas do próprio organismo, os investigadores admitem a existência de outras raças merecedoras de importância de estudo, o que, a breve prazo, poderá proporcionar o reconhecimento de novas raças autóctenes. A propósito de tão fascinante tema, não podia deixar de enaltecer a louvável atitude do dr. Jerónimo da Conceição Augusto, pela excelente divulgação que tem levado a cabo acerca do tema, de que a publicação, em 2018, do livro intitulado “O Cão da Serra da Estrela”, com o patrocínio do Turismo da Serra da Estrela, é bem elucidativa para manter vivas as virtudes de uma raça genuinamente portuguesa, que já galgou fronteiras.

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