“TENHO MUITO ORGULHO DE SER GAIENSE”

Natural de Vila Nova de Gaia, onde construiu todo o seu percurso pessoal e político, Carla Costa iniciou o ano de 2026 com responsabilidades acrescidas, ao assumir funções como vereadora na Câmara Municipal e ao ser a primeira mulher eleita presidente da Comissão Política Concelhia do Partido Social Democrata de Gaia. Em entrevista ao AUDIÊNCIA, a autarca destacou um percurso marcado pelo envolvimento na política local canidelense, pela experiência acumulada em órgãos autárquicos e partidários e por uma forte ligação ao território, sublinhando agora o compromisso com uma gestão municipal exigente, assente no rigor financeiro, na valorização dos recursos humanos, na melhoria da mobilidade, dos serviços públicos e das infraestruturas, bem como no reforço do apoio às freguesias e na promoção de melhores condições de vida para os gaienses, num contexto que considera desafiante, mas determinante para o futuro do concelho.

 

 

Quem a cidadã Carla Costa?

Sou uma pura gaiense. Nasci em Vila Nova de Gaia e sempre vivi neste concelho. Na infância tive um período em que estive noutro concelho, mas foi muito curto, pelo que com seis anos voltamos, e eu e os meus pais fomos viver para Canidelo e lá fiquei até casar. Agora, vivo na Madalena. Sempre defendi muito Gaia e por onde eu passava, recordo-me que trabalhava numa empresa em Matosinhos e eu era conhecida por ser a de Gaia, a gaiense, e sempre defendi muito Gaia.  Sempre tive muito orgulho na minha cidade, muito orgulho. Depois da evolução que nós tivemos, de 1997 a 2013, com o doutor Menezes, ainda mais orgulho tive de viver em Gaia e levar o nome de Gaia, porque antes, eu lembro-me de ir para o Algarve, na década de 80, com os meus pais de férias e de dizer que era de Vila Nova de Gaia e ninguém conhecia, mas quando eu enquadrava que era ao lado do Porto, já sabiam. Nessa altura, não era relevante, era criança, mas agora vieram-me à memória estas situações. Agora não, Gaia é conhecida, Gaia está no mapa e tem de continuar a ser posta no mapa. Tenho muito orgulho de ser gaiense. Estudei sempre em Gaia, nomeadamente na Escola Secundária Inês de Castro, em Canidelo, até ao 12º ano. Joguei andebol no Colégio de Gaia e depois na faculdade é que fui para o Porto, para o ISCAP, onde me licenciei em Contabilidade e Administração. Fiz todo o meu percurso por Gaia e com muito orgulho de ser gaiense.

Como e quando ingressou no mundo da política?

lembro que estive em 1997 na lista com o Fernando Andrade, em Canidelo, já na primeira candidatura do doutor Menezes e como independente. Posso dizer-lhe que quem me trouxe para a política foi o meu pai, porque ele foi convidado, começou a ir às reuniões e levou-me com ele. Nesse ano, fizemos parte, como independentes, quer eu, quer o meu pai. Eu sabia que tinha um gostinho pela política, pelo que falávamos diariamente em casa. Depois, em 2001, filiámo-nos no Partido Social Democrata, e voltei a estar na lista do Fernando Andrade, assim como em 2005 e em 2009. Só em 2013 é que não estive em nenhuma lista autárquica. Mais tarde, em 2017, fui novamente convidada e fui eleita para a Assembleia de Freguesia de Canidelo, tal como em 2021 e em 2025, funções que renunciei recentemente por assumir, em janeiro do corrente ano, o cargo de vereação na Câmara Municipal de Gaia. Estive sempre associada ao Núcleo de Canidelo e em 2018 fui candidata ao Núcleo e assumi a presidência. Cargo que deixei agora nas eleições do dia 28 de fevereiro, também já não podia fazer mais mandatos, aliás, o meu já tinha se estendido, porque em 2025, por uma norma do partido, pois como era ano de autárquicas, não haveria eleições internas dos Núcleos, para não colidir com o trabalho autárquico e por isso o meu mandato foi mais longo do que o normal e agora já tenho outro seguidor e, entretanto, eu também estou na Comissão Política e não poderia acumular sequer.

Como é que descreve o seu percurso até então?

O percurso foi sempre intenso e com muito gosto. Eu sempre me vi nisto com um gosto para a política, pelo contacto com as pessoas, por conhecer os problemas das pessoas de mais de perto e de conciliar depois a parte política, o partido e o nosso papel enquanto autarcas, muito política local, saber os problemas que existem, claro que aqui muito relacionado com a Freguesia de Canidelo. Depois, enquanto oposição na Assembleia de Freguesia, fui percebendo como é que isto funciona, como é que opera, na realidade, a produção daquilo que é política no território. Sempre tive algum entusiasmo, sempre gostei e fui aprendendo com quem se atravessou também comigo. Também, tive sempre alguma liderança, porque no primeiro mandato os primeiro e o segundo eleitos renunciaram por questões profissionais e fui eu que assumi a liderança da bancada do PSD na Assembleia de Freguesia de Canidelo, sem qualquer experiência, então rodeei-me com os meus colegas de lista e fui aprendendo, lendo e tendo o apoio da Comissão Política da altura. Contudo, também fui aprendendo com a oposição como é que realmente se fazia política. Estes anos de trabalho autárquico foram muito feitos em equipa e tem de ser assim, porque o que um pensa complementa o que o outro pensa e complementamo-nos e conseguimos dar um contributo construtivo. A análise e a visão não são iguais, pois nós não pensamos de todos, nem vemos as coisas da mesma forma e às vezes a partilha é muito importante para vermos os outros lados, de que não estamos a ter perceção e foi sempre muito importante, pelo que este caminho foi-se fazendo. Em 2021, também fui mandatária financeira nas autárquicas pelo PSD e, em 2025, o doutor Menezes também me convidou para ser a mandatária financeira da candidatura dele. Eu já conhecia os procedimentos do partido, as regras, o programa e já era mais fácil.  Depois, toda esta envolvência, estes convites que me foram sempre aparecendo e surgindo acrescentaram sempre valor. Eu gosto de aprender e de coisas novas e também a minha área, contabilidade e a gestão, ajuda muito, porque nada é novo, os termos não são novos e é muito mais fácil uma pessoa da área lidar com contas, orçamentos, previsões, despesa, do que quem não é da área obviamente, para mim era, como eu digo, a minha praia e sendo a minha praia dá muito mais confiança e depois é motivador, porque quem corre por gosto, não cansa e foram coisas que gostei bastante e de aprender também, porque esta lei da entidade das contas tem muito critério no financiamento dos partidos e isso em 2021 era novo para mim e eu fui aprendendo. Eu, realmente, interesso-me pelos temas que me aparecem e estudo-os à medida que surgem as situações, não respondo de imediato, tenho de ver como é e enquadrar, por isso é que acho que também é mais fácil gerir todos os desafios que vão aparecendo.

Quais são as suas maiores inspirações? 

Eu vou confessar aqui e não é dar graxa a ninguém, mas eu acho que o doutor Menezes é uma inspiração para qualquer autarca local. O doutor Menezes lá atrás e o doutor Carlos Moedas também. O doutor Menezes olhou para o território, quando chegou a Gaia, e viu em tantos locais que podia mudar e fazer e fez acontecer e numa altura bem difícil também. Por exemplo, uma estrada simples que facilitou a vida de milhares de pessoas, o desenvolver uma orla marítima e hoje temos uma receita extraordinária que é fruto desse desenvolvimento. O doutor Carlos Moedas agora numa visão mais atual, não estou próxima, acompanho pela comunicação social, pelos livros que ele possa lançar, não estou no terreno, por isso não é aquela perceção de que se saiba exatamente o que é que está a acontecer, porque não estou lá eleita sequer. Mas, acho que são pessoas que nós temos de olhar como sendo referências para concretizar no terreno e fazer acontecer e até para ver que é possível fazer acontecer. Eu não gosto de ter aquela visão de que esquece lá isso que isso é muito difícil, não, se é difícil vamos lá tentar, vamos ver onde é que podemos parar, se é ou não é. Acho que temos de tentar sempre, porque de uma forma ou de outra as coisas são possíveis, podem ter de ser ajustadas, mas serão possíveis de concretizar, não com pensamentos lunáticos e megalómanos que não se ajustem às nossas realidades, sempre com os pés bem assentos na terra, obviamente, mas que se olhe e às vezes há projetos que podemos olhar e dizer, não, isto não dá, mas se calhar até dá, se ajustarmos de um lado ou do outro ou não criarmos numa dimensão tão grande, mais pequena, ou vamos experimentar aqui para ver se resulta e depois ampliar de outra forma. A meu ver, ter sempre este sentido crítico e este espírito de querer fazer é muito importante, não descabido, nem à toa, muito controlado, até financeiramente muito controlado. Agora, também não há desvios com o controlo das contas e dos números de compromissos e da cabimentação. A nova lei dos compromissos veio colmatar uma falha que tínhamos, equilibrar e ajudar a controlar, porque faz-se, mas temos de ter sempre a vertente financeira por trás para se poder fazer e essa vertente é controlada e é possível fazer na mesma.

Exerce, desde janeiro de 2026, funções como vereadora na Câmara Municipal de Gaia. De que forma pretende contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos gaienses?

Aqui, os meus pelouros dão-me mais a gestão do município, nomeadamente, os recursos humanos, a gestão financeira, o controlo de tudo o que vamos executar. Portanto, no que concernem aos recursos humanos, sentir aqui que os gaienses, enquanto colaboradores no município, se sentem motivados, acolhidos e reconhecidos, pelo trabalho que desempenham no município, porque um trabalhador motivado e reconhecido vai repercutir no concelho, no trabalho e no serviço que presta no dia a dia, nos munícipes. E, claro, fazer com que os munícipes de Vila Nova Gaia tenham melhor qualidade de vida, melhores condições e que as classes mais desfavoráveis tenham apoios para haver aqui uma igualdade de oportunidades e isso reflete-se, depois, também no investimento no município, que vai possibilitar atrair pessoas para morar no município, atrair empresas e dar essas condições aos gaienses. Isto é tudo uma cadeia, tudo um ciclo, uma coisa implica a outra, temos mais gente, é certo, mas temos de ter melhores condições para receber essas pessoas, nomeadamente no que respeita à mobilidade, por exemplo, os transportes públicos, pois temos de trabalhar muito bem para as pessoas não precisarem de sair tanto de carro para se deslocarem e verem ali no transporte público um meio para chegarem ao destino.  É certo que Gaia é uma cidade-dormitório, é sempre uma situação muito complicada conseguir que todos os gaienses consigam deslocar-se para o trabalho de transportes públicos, principalmente se trabalharem nos concelhos mais a norte do distrito, que há muitos casos. Contudo, estes são temas de bastante investigação, de bastante trabalho para se conseguir chegar mesmo a uma solução mais abrangente, que não seja só para um nicho de gaienses e que consiga satisfazer grande parte deles. Depois, os acessos às freguesias, temos de melhorar mais, temos muitas VL que podem facilitar muito mais a vida dos gaienses e depois até o fluido dos carros e menos trânsito noutras vias. Isto vai receber esse problema da mobilidade das pessoas, sem ser com os transportes públicos. Também, o apoio às escolas em condições para os seus alunos, os centros de saúde, pois tudo isto é fruto da delegação de competências que foi assumida e que tem de ser trabalhada a sempre melhorada, porque são áreas que têm sempre com problemas, estão sempre em mudança e nunca nada está bem, pelo que quando atingimos um objetivo, há outro logo a seguir para se alcançar.  Por isso, é um trabalho que tem de ser contínuo e permanente, disso não há dúvida. Enquanto vereadora, mesmo não sendo das mesmas cores, é o objetivo de toda a equipa, de todo o executivo, é mesmo este. Estas áreas mais debilitadas têm prioridade, como é o caso das ruas, que estão esburacadas e têm de ser tratadas, assim como das intervenções mais urgentes que têm se der feitas e depois tudo será realizado por etapas. Apoiar as Juntas de Freguesia, para resolverem os problemas que têm e que são fruto de um município muito grande, com muitos equipamentos municipais, que ficaram esquecidos, pois é um município que não olhou à manutenção durante estes 12 anos e agora são grandes manutenções, são grandes intervenções que levam a uma despesa imensa com esse investimento, em vários locais, não é só num ou noutro, são vários equipamentos desportivos e escolares, pelo que temos de elencar prioridades e começar a atuar e a planear uma manutenção contínua, para que isto não aconteça no futuro e para que não se cometam erros do passado. Isto é importante para que se consiga gerir melhor e em prol dos gaienses.

A gestão financeira de um município é sempre um desafio. Como avalia a saúde financeira da Câmara de Gaia e quais têm sido as principais medidas de gestão implementadas?

A Câmara Municipal está comprometida. Tem salários para pagar, que é uma das maiores verbas, os custos com o pessoal, e tem dívidas a fornecedores, tem dívidas bancárias e tem de cumprir isso tudo. A saúde financeira da Câmara é para a gestão do dia a dia. A Câmara não pode dizer que tem ali um saldo de não sei quantos milhões para construir uma VL, pois temos de olhar para as contas e ver o que é que vamos alocar e o que é que temos a correr, porque há cabimentos e há compromissos. Não podemos dizer que está falida, não podemos dizer, mas há o compromisso corrente, que nos limita a pagar o que está previsto, os salários, as despesas e toda a atividade que já está a correr. O nosso objetivo agora é executar o que está comprometido e preparar a estratégia para o futuro. O tempo é muito curto, há aqui um levantamento e limitamo-nos a cumprir o que já está contratualizado e comprometido e que está executado, como é o caso das obras que têm de ser concretizadas. Por isso, ainda é muito prematuro dizer-lhe que vamos cortar aqui ou acolá, ainda estamos a avaliar isso, até porque o orçamento está semelhante ao que estava, pois não houve tempo para ter um orçamento em que decidíssemos a que rúbricas, instrumentos ou ações se destinariam as verbas e acredito que, eu ainda não estava na vereação, mas, foi a forma mais correta de fazerem as coisas continuarem a correr. Agora, à medida que vamos estando por dentro dos assuntos e que os problemas vão surgindo, vamos ver onde é que temos de atuar e isso é simples, onde temos de cortar, mas ainda não consigo precisar, é muito prematuro, porque as coisas também não podem ser assim, temos de ter os pés bem assentes na terra e saber o que isto implica em termos de gestão da Câmara Municipal e de gestão depois dos organismos que trabalham com a autarquia e que dão apoio.

No passado dia 28 de fevereiro foi eleita presidente da Comissão Política do PSD de Vila Nova de Gaia, com 430 votos, frente aos 289 de Joaquim Barbosa. Que significado teve esta vitória para si?

Teve muito significado, primeiro porque fiz história, uma vez que fui a primeira mulher a ganhar a Comissão Política do PSD de Gaia. Eu já era vice-presidente do anterior presidente, Rui Rocha, no mandato transato e também já tinha estado com ele antes, no mandato anterior, por isso foi importante e foi uma decisão de equipa, não foi uma decisão pessoal. Claro que é uma decisão pessoal, mas é um trabalho de equipa, de um conjunto de pessoas que já está neste projeto e que tem vindo a acompanhar e que se identifica com este projeto. O meu nome reuniu o consenso e eu avancei para este desafio e o Rui Rocha aceitou o convite para fazer parte da Mesa da Assembleia.

Que leitura faz da participação e do resultado destas eleições internas? Considera que representam uma vontade clara de renovação no PSD Gaia?

Teve alguma participação, sim, não foi um boom muito grande, mas percebe-se porque a maior parte dos núcleos eram listas únicas. Isto foi pela primeira vez neste primeiro formato da alteração dos estatutos do partido, em que reúne todos os órgãos no mesmo dia à eleição e muitos núcleos eram listas únicas, a própria distrital era lista única e os restantes órgãos, mas não acho que tenha sido má em Gaia, ainda teve alguma afluência, fruto do facto de ter duas listas à Comissão Política de Gaia. O nosso militante gosta de intervir. Isto é a continuidade do projeto do Rui, mas claro que queremos continuar a crescer e a melhorar o PSD de Gaia. Acho que as pessoas viram em mim alguém que reúne consenso e que reúne aqui uma maneira de querer mudar, pelo meu programa, pela envolvente, porque isto não serão dois anos de não fazer nada, não, vão ser dois anos muito rigorosos, de muita responsabilidade, porque temos de estar aqui a par do executivo, acompanhar o executivo da Câmara e a fazer uma boa campanha a par com eles, uma boa divulgação, uma boa comunicação, assim como dar um apoio aos presidentes de Junta, nomeadamente aos novos presidentes de Junta, alguns sem experiência, que precisam de apoio quer jurídico, quer mesmo autárquico, digamos,  de enquadramento e de como têm que fazer a sua tarefa no dia a dia, enquanto presidentes de Junta. Aos que não foram eleitos, dar-lhes as condições para que consigam fazer um caminho evolutivo, de forma a conseguirem vencer nas próximas autárquicas, para isso dar todo este conjunto de apoio e a par disso fazer tudo o resto para os outros militantes que não estão envolvidos nos órgãos, plenários temáticos, iniciativas que fujam do tema política, mas também iniciativas com o tema política, porque muitos gostam é de política e de ouvir falar de política, mas também fazer ações diferentes, algumas já pensadas e já partilhadas e temos pessoas no grupo bastante criativas e temos também o Fórum do Engenheiro Diogo Luz, que pretende-se que continue, que reúne sempre uma série de pessoas de várias vertentes, de várias áreas, que dão um contributo extraordinário para o trabalho da Comissão Política e que acrescentam sempre muito valor. Portanto, é conjugar isso tudo para que se faça aqui algo que será diferente, porque somos poder, mas com muita responsabilidade e muito trabalho, pois não podemos ficar aqui de braços cruzados à espera de que tudo aconteça. Eu acho que os militantes se reviram no meu programa, votaram em mim e confiaram neste projeto.

Quais são as principais prioridades, enquanto líder da Comissão Política do PSD de Vila Nova de Gaia?

As prioridades passam por trabalhar bastante a comunicação da Comissão Política, porque nós falhamos. É óbvio que a comunicação tem muitos custos associados e que temos de ter a gestão para a comunicação. Outra prioridade é o apoio aos presidentes de Junta, nomeadamente apoio jurídico, por exemplo, com a lei autárquica, a lei 75/2013, uma vez que muitos deles não têm experiência e essa lei é fundamental e isso será a base de formações que faremos e que também já aconteceram no passado. Também, existe a prioridade de termos aqui muita dinâmica com os eleitos e com os militantes no geral, de forma a verem na Comissão Política a solução para os problemas, neste caso principalmente dos eleitos e o que acontece comigo muitas vezes em que o telefone toca e me pedem alguma orientação. Relativamente às outras oito freguesias que não são poder, as prioridades serão motivá-las e dar-lhes os meios conforme as propostas que elas têm, porque elas é que conhecem a realidade das freguesias, para serem ambiciosas e terem condições para vencer no futuro.

Considerando que o PSD está, neste momento, no poder, como é que imagina o papel deste partido no futuro político do concelho?

O papel, agora é poder, portanto, é de muita responsabilidade. Temos de estar em sintonia com o executivo, com a Câmara Municipal, na divulgação dos projetos, do trabalho que é feito diariamente e ter esses meios, que às vezes é difícil, porque as pessoas todas têm a sua profissão, as pessoas da Comissão Política, não temos nenhum funcionário, para acompanharem tudo o que acontece, porque tudo acontece em hora de expediente, pelo que uma das dificuldades que temos, é a disponibilidade das pessoas da Comissão Política para acompanharem eventos que a Câmara faz, deslocações a iniciativas ou obras. Eu posso e poderei estar por dentro de muitas, ou ter conhecimento e poder partilhá-las, mas depois temos essa dificuldade, as pessoas, mesmo os eleitos na Assembleia Municipal, muitas vezes não se conseguem fazer representar, porque têm os seus empregos e os seus trabalhos, não são de todo trabalhadores independentes. Essa é a grande dificuldade, mas que iremos ultrapassar e que iremos conseguir aqui encontrar um termo em que umas vezes vão uns, outras vezes vão outros, que possam ter mais flexibilidade, porque para além dessa agenda local, da Câmara, também é partilhada comigo a agenda nacional, porque também somos poder, pelo que também nos é transmitida para nos fazermos representar, logo, aqui há muito trabalho e as pessoas têm de criar métodos para conseguirem, não digo estar em todas, mas estar nas mais importantes, porque o ideal era estar em todas, mas é difícil. Contudo, temos de trabalhar e conseguir articular, entre todos, a melhor forma.

Quais são os seus maiores sonhos?

Eu não tenho sonhos. Eu posso dizer-lhe que há pessoas que podem pensar eu já tinha isto na cabeça, já previa ou que tinha lutado por isso, mas de uma forma direta não, as coisas foram-me sempre acontecendo naturalmente e sempre por convites. Eu nunca tive de me impor, nunca tive de lembrar ninguém, as coisas foram-me sempre acontecendo fruto do meu trabalho e se calhar também fruto desta minha maneira de estar. Eu faço o meu caminho e as coisas acontecem. Eu fui já duas vezes candidata à Assembleia da República, não em lugares elegíveis, tenho noção disso, mas foi sempre por convite. É certo, porque geralmente a indicação é um homem e uma mulher e estando eu na Comissão Política, foi sempre surgindo, aliás num dos anos já era vice-presidente, mas foi sempre com convite, eu nunca me impus. As coisas acontecem com tanta naturalidade, que eu não tenho mesmo sonhos e ao nível da política não tenho mesmo sonhos. Por exemplo, esta situação da vereação era impensável para mim antes de janeiro, pois não estava nos meus planos, mas, lá está, a política é mesmo assim e as coisas mudam de forma repentina. Mesmo quando fui indicada para a lista do doutor Menezes, eu acreditei que íamos ter um bom resultado, mas estava convencida de que não ia ser eleita, porque era muito difícil, à primeira chamada, porém, as coisas aconteceram e de uma forma muito rápida mesmo, pelo que foram umas semanas de adaptação, de mudança. Portanto, o meu sonho agora é fazer um bom trabalho na Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia. Isto é um mundo, é completamente diferente, porque ninguém está preparado para uma vereação, isto é completamente díspar da nossa rotina, do nosso dia a dia, principalmente do meu, logo tive de fazer um acerto grande na minha rotina e na minha vida familiar, para fazer um bom trabalho e orgulhar os gaienses de serem gaienses e dizerem que são de Gaia e dar-lhes qualidade de vida, para que eles estejam satisfeitos com as pessoas que estão a gerir o município.

Qual é a mensagem que gostaria de deixar aos nossos leitores?

A mensagem é de confiança e otimismo, porque quem me conhece, sabe que eu sou muito otimista. Dizer-lhes também para não serem precipitados, porque acho que às vezes as pessoas são tão precipitadas com o que dizem e com o que fazem, que depois o resultado só as prejudica. Às vezes, há aqui uma decisão tão prematura, que depois a consequência é grave e, por vezes, há situações que podemos evitar. Por isso, serem calmos, tentarem estar sempre esclarecidos, não agirem por impulso, pelo que ouvem, mas informarem-se. Eu acho que, cada vez mais, sentimos que as pessoas se informam e querem estar informadas, o que é muito bom, para que as coisas se resolvam, porque, às vezes, o que se diz e o que se fala, não é bem assim. Há muita notícia deturpada e que pode evitar contratempos e dissabores. Tem de haver confiança em quem gere mesmo o município, porque é em prol dos gaienses que isto é gerido e em prol de todo o concelho. Estamos todos aqui em prol da comunidade, porque, para interesse próprio, não, não estamos de todo, porque isto é um turbilhão de situações e de responsabilidades que é preciso saber estar e querer isto, obviamente que sim, e ter perfil, porque nem todos têm perfil. É preciso ter este perfil, porque isto não é tudo bom e não é fácil, porque temos aqui muita responsabilidade, não só de dinheiros do erário público, mas de responsabilidade moral com os gaienses.