Não caros leitores, não se trata do título de um filme de ficção, mas sim de algo mais sério e diz respeito à eleição do senhor Zohran Mamdani, natural de Kampala no Uganda, como «mayor» ou em português Presidente da Câmara da cidade de Nova Yorque, eleito num processdo de movimentação de massas nunca anteriormente observado e ultrapassando toda a estrutura de financiamento milionário dos capitalistas das cúpulas do Partido Democrático e do Partido Republicano, os únicos partidos que podem intervir em eleições estado unidenses.
Esta vitória foi de tal modo retumbante e surpreendente que o actual Presidente do País, Donald Trump, apelidou Mamdani de comunista por defender em campanha eleitoral transportes públicos gratuitos, o direito à saúde e a rendas mais baixas, chegando mesmo a ameaçar deportá-lo, invadir militarmente a cidade e congelar todos os fundos federais.
Sendo certo que os comunistas apoiam globalmente os Serviços Públicos Essenciais e a Justiça Social, pode o senhor Trump ficar descansado que Mamdani é membro do Partido Democrata, conforme o foram, por exemplo, Bill Clinton, Barack Obama e Joe Biden, os quais como sabemos não trataram muito bem a classe trabalhadora norte americana.
Mamdani não é comunista nem tão pouco revolucionário, no entanto, manifestou em campanha apoio aos trabalhadores que maioritariamente o elegeram, nomeadamente os das zonas mais pobres da cidade, manifestou rejeição do «lobby» sionista e do genocídio na Palestina e também manifestou repúdio pelas políticas neoliberais aplicadas há anos na cidade.
Nos dias de hoje, a realidade económica e as relações comerciais e políticas entre Estados caminham para alterarações substanciais com o surgimento dos BRICS, com consequências negativas para o hegemonismo geoestratégico estado unidense, mal habituado a constituir-se como polícia do mundo, desconhecendo-se por essa razão a forma como reagirá militarmente e, economicamente, como influenciará ou não a situação interna dos Estados capitalistas europeus, ou como decidirá a resposta ao recrudescimento das ideologias neonazis e fascistas, globalmente falando.
Mas há algo que, contudo, importa enfatizar: a evolução social e económica em cada País, a luta dos trabalhadores e a correlação de forças entre capital e trabalho que daí resultar, nomeadamente nos centros do poder imperialista, vai ser determinante.
A experiência da administração de Mamdani ao comando da maior cidade dos Estados Unidos, pode muito bem acabar numa apropriação das suas virtudes pelo grande capital, mas também numa derrota encomendada pela liderança do Partido Democrático e mesmo por Donald Trump, para demonstrar que o socialismo não funciona ou não é credível, ou também pode resultar numa vitória controlada, com várias conquistas sociais que demonstrem à população a capacidade do capitalismo ceder e se adaptar a várias reformas sem rupturas no campo ideológico.
Poderá ainda acontecer que a luta de classes empurre Mamdani para uma mudança que exija horizontes mais ambiciosos, até porque ele próprio, numa entrevista recente, admitiu que será a luta das massas, nas ruas, a decidir que retrocessos e avanços, que lutas e que cedências, a sua liderança assumirá.


