Com a vontade de “voltar a unir pontes com o coração”, Miguel Bandeirinha aceitou o convite de Alexandre Gaudêncio, presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, e, depois de algumas prorrogações fruto da situação pandémica que vivemos há mais de um ano, vai dar um concerto no próximo dia 9 de outubro, que assinalará a reabertura do Teatro Ribeiragrandense, na Ribeira Grande, na Ilha de São Miguel. Em entrevista exclusiva ao AUDIÊNCIA, o fadista gaiense revelou que se vai dar a conhecer, por inteiro, aos ribeiragrandenses, através de um espetáculo intitulado “D’Alma Minha”. Assim, com o fado e a alma na voz, Miguel Bandeirinha enalteceu que tem a “sensação de certeza de um excelente recomeço”, ansiando que “a minha música e os meus projetos abracem quem os ouve”.

 

 

 

O Miguel Bandeirinha vai dar, no próximo dia 9 de outubro, um concerto no Teatro Ribeiragrandense, na Ribeira Grande, na Ilha de São Miguel. Como surgiu e qual é o contexto desta oportunidade? Qual é o mote da iniciativa?

O contexto para a realização deste concerto, vem no seguimento das várias idas aos Açores, aquando das Galas AUDIÊNCIA, no Teatro Ribeiragrandense. Após várias conversas, ideias e propostas, surgiu o convite por parte do senhor presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, Alexandre Gaudêncio, para realizar um concerto na Ribeira Grande. O mesmo estava previsto para o ano de 2020, mas devido à pandemia sofreu algumas alterações, pelo que foi adiado para este ano e realizar-se-á aquando da grande reabertura do Teatro Ribeiragrandense, com o mote “D’Alma Minha”. Posso adiantar-lhe que será um concerto especialmente preparado e repensado nesta altura menos fácil que atravessamos.

 

Como referiu anteriormente, este concerto ia concretizar-se em 2020, mas teve de ser adiado. Em que circunstâncias ia concretizar-se?

O convite para este concerto foi realizado para o mesmo se concretizar noutra altura, nomeadamente nas festividades do Divino Espírito Santo, que se ia celebrar de forma mais grandiosa, no ano de 2020. A sua realização foi idealizada para ser ao ar livre, mas foi, agora, adaptada ao espaço interior para a reabertura do Teatro Ribeiragrandense.

 

O Miguel Bandeirinha já pisou, no passado, o palco do Teatro Ribeiragrandense e, inclusive, já cantou, por duas vezes, à Nossa Senhora da Estrela, na Ribeira Grande. O que representa, para si, voltar a cantar para os ribeiragrandenses?

Cantei, anteriormente, no Teatro Ribeiragrandense e realizei duas serenatas à Nossa Senhora da Estrela, no decorrer da participação nas Galas AUDIÊNCIA, assim como nas festividades locais de inverno, nomeadamente o Cantar às Estrelas. Em causa estiveram situações mais pequenas, mas que contaram com um repertório escolhido e dirigido a cada uma delas. Porém, desta vez, levo comigo um espetáculo intitulado “D’Alma Minha”, no qual dou a conhecer o meu fado por inteiro, as minhas inspirações, os meus poetas e as minhas referências. Eu vou dar-me a conhecer aos ribeiragrandenses. Vou dar a conhecer o meu fado e o Miguel Bandeirinha, no seu sentimento mais íntimo e no seu amor a esta canção tão nobre, que simboliza Portugal e as suas gentes do continente, às ilhas e às comunidades portuguesas.

 

Quem é que o vai acompanhar?

Eu vou ser acompanhado por uma equipa de excelência, nomeadamente com cinco músicos em palco sendo eles: André Mariano, na Guitarra Portuguesa, Diogo Rato, na Guitarra Clássica, Rafael Carvalho Jr., no Baixo, Arnaldo da Fonseca, no Acordeão, e Sofia Tavares, na percussão.

 

Com o que é que o público vai poder contar?

O público poderá contar com uma viagem pelas músicas, pelos fados, pelas canções de outrora, de hoje e de sempre, que o fará viajar no tempo, cantar, recordar e, espero que, desfrutar de tudo o que está a ser preparado com muito carinho.

 

De que forma é que vai transportar Gaia através do fado e criar uma fusão com as tradições açorianas?

A maior parte da equipa é de Vila Nova de Gaia. Eu irei transportar Gaia, como sempre, no pensamento, coração e nome, pois sou um artista gaiense. Eu não escondo a cidade onde vivo, não a desprezo e o contexto do convite foi durante uma iniciativa do AUDIÊNCIA, que promove o intercâmbio entre ambas as cidades. Embora muitas vezes me sinta “esquecido” pelas entidades de dinamização cultural de Gaia, não me sinto esquecido pelas suas gentes e, sobretudo, é o amor que tenho ao meu público e às “gentes da minha terra” que alio e faço fusão com o sentimento, que terão os açorianos nessa noite.

 

Considerando que os artistas estão na fase de regresso aos palcos, no seguimento da situação pandémica que vivemos há mais de um ano, qual é a sensação de realizar um espetáculo fora do continente?

O regresso às casas de fado, aos pequenos palcos e aos eventos mais restritos já tem acontecido faseadamente, porém começam a surgir, agora, os convites para os grandes palcos e para os grandes eventos. O facto do primeiro grande concerto da temporada 2021/2022 acontecer fora do continente, após estes tempos conturbados e no caso, em particular, da cultura e dos artistas que se sentiram esquecidos e quase que “abandonados”, traz uma ideia renovada de esperança e reforça o espírito de confiança, para com algumas entidades, após um abalo tremendo de espirito de compromisso. Paralelamente, traz a ideia de que há mais mar, de que podemos contornar, novamente, um “Cabo das Tormentas” e, ao mesmo tempo, perceber o quão gratificante é o nosso trabalho ser valorizado (como na maioria das vezes) fora da nossa zona de residência e conforto. Resumidamente, é a sensação de certeza de um excelente recomeço.

 

Quais são os seus anseios e perspetivas para o futuro?

O meu principal anseio é que as pessoas não deixem que os “vírus” tomem conta das suas vontades, que não se deixem levar por medos que podem ser controlados pelos comportamentos de cada um e que não deixem que a cultura e os artistas fiquem sempre para segundo plano. As minhas perspetivas são as mesmas de sempre, continuar a sonhar, a construir e a realizar. O futuro é hoje e não amanhã e eu tenho como perspetiva principal voltar a unir pontes com o coração, pois se se perdeu o hábito do abraço físico, que, pelo menos, a minha música e os meus projetos abracem quem os ouve.

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