Dando crédito a fonte das Nações Unidas, Edward Follis, agente da DEA, Drug Enforcement Administration, afirmou há dias que a CIA «fechou um olho» ao comércio de drogas no Afeganistão. Mais recentemente, John Abbotsford, ex-analista da CIA e veterano de guerra que lutou no Afeganistão, confessou que a CIA desempenhou primordial papel no narcotráfico.

Ainda que excluamos esses reconhecimentos e relatos, é difícil acreditar que uma superpotência que se vangloria da sua moderna tecnologia em vigilância e em recolha de dados de informação, não seja capaz de encontrar campos de produção de ópio nem traçar rotas de fornecimento dentro de um país que ocupa e eliminá-los.

O facto de que oito bilhões de dólares tenham sido gastos em esforços na erradicação da droga na última década, mas que a produção de ópio tenha aumentado meteoricamente, é por si só um indicador de que o negócio das drogas serve a determinados interesses dos Estados Unidos no Afeganistão, pois os norte-americanos já poderiam ter encerrado este inadmissível tráfico há muito tempo.

Outros actores dos propalados esforços contra o narcotráfico são as instituições privadas dos Estados Unidos, que ganham milhões de dólares com a guerra do Afeganistão, através dos contractos estabelecidos com a governação, mas também um dos maiores beneficiários, a famosa empresa militar Blackwater, a qual, de acordo com a Agência de Informação RT, obteve 569 milhões de dólares com esses contractos, ou seja, a produção de droga e o narcotráfico constituem-se como uma base da economia estado unidense, com milhões de viciados e o sinistro resultado de todo as desgraças daí advindas.

O ano de 2001 assistiu a uma nova onda de programas que treinaram a juventude para servir a ocupação dos Estados Unidos e, infelizmente, esses agentes educados e treinados têm crescido no Afeganistão e continuam a aumentar através de programas como o Fulbright Program em que o Afeganistão é o maior receptor de bolsas de estudo actualmente, além do Leadership Program International Visitor, que, curiosamente, condena energicamente os métodos de treinamento da CIA.

Após dezenas de anos de investimento, hoje os Estados Unidos têm uma quantidade suficiente de burocratas civis para formar várias gerações no Afeganistão, sendo importante mencionar que, décadas depois do colapso do propalado regime comunista de 1978 a 1992, muitos agentes afegãos que trabalhavam para o KGB e diversos outros elementos juntaram-se aos círculos dos colaboradores estadunidenses.

O Partido Solidariedade Afeganistão, SPA na sigla em inglês, um partido nacionalista e progressista que defende a independência, a liberdade, a democracia, o secularismo e a igualdade, realiza todos os anos em Outubro um protesto contra o 16º aniversário da invasão do Afeganistão pelos Estados Unidos.

Os manifestantes têm exigido o fim da ocupação e da intervenção, levando cartazes onde expõem os terríveis crimes cometidos, e onde exigem o fim da ocupação através de lemas como «Não à ocupação», «Não às bases militares dos EUA/OTAN no Afeganistão», «Com EUA/OTAN, paz e prosperidade são apenas miragens», entre outros e condenam o que chamam o governo fantoche composto por jihadistas, com o apoio norte-americano.

Thomas L. Knapp é director e analista sénior de notícias no William Lloyd Garrison Center for Libertarian Advocacy Journalism, vive e trabalha no norte da Flórida e afirma que «as bases militares estrangeiras dos EUA são os principais instrumentos da dominação imperialista global e de dano ambiental, através de guerras de agressão e ocupação e a manutenção de quase 1.000 bases militares dos EUA em solo estrangeiro não é apenas um pesadelo para os pacifistas, é também uma ameaça objectiva para a segurança nacional dos EUA. Uma definição razoável de defesa nacional, julgo eu, é a manutenção de armamento suficiente e pessoal militar treinado para proteger um país de ataques estrangeiros e retaliar de facto contra os mesmos. A existência de bases dos EUA no estrangeiro vai contra o elemento defensivo dessa missão e apenas apoia de forma muito fraca a parte retaliatória».

A defesa da Paz e do entendimento entre as nações, no respeito pela sua identidade e independência, deve continuar na ordem do dia, contrariando o hegemonismo.

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