Nos meandros da situação política na Venezuela, continuam a surgir factos perturbadores que seguem perigosamente o objectivo de ingerência comandada pela governação estado unidense, usando várias cartadas.

Os EUA afirmam que Portugal participou numa reunião realizada em Washington a 11 de Abril de 2019 para debater o financiamento da Venezuela, se Nicolás Maduro fosse derrubado e no dia seguinte à referida data na mesma cidade de Washington, várias figuras sinistras encontraram-se com representantes da actual administração Trump para preparar uma agressão militar contra a Venezuela patrocinada pelos Estados Unidos.

A reunião de dia 11 e para a qual Steven Mnuchin, secretário das Finanças do presidente Trump, convocou ministros das Finanças e outros representantes dos aliados, entre os quais Portugal, dedicou-se afinal a preparar o suporte financeiro dessa agressão que parece já estar em curso e viola as mais elementares normas do direito e do decoro internacional, às quais as autoridades portuguesas se encontram vinculadas.

John Bolton, presidente do Conselho Nacional de Segurança de Trump, definiu o «auxílio financeiro» de forma simples, ou seja, injectar o capital necessário na indústria petrolífera venezuelana, para as empresas petrolíferas norte americanas restaurarem a posse da indústria de hidrocarbonetos da Venezuela.

Foi nesta manobra de financiamento do terrorismo e de preparação de uma rapina organizada que Portugal se fez supostamente representar, em companhia dos seus aliados de sempre, a Alemanha, a França, a Itália e o Reino Unido, mas também de outros governos ditos democráticos como são os do Brasil de Bolsonaro, da Argentina de Macri, do Equador que acaba de depositar Assange nas mãos dos seus algozes, da Guatemala, do Panamá e do executivo da «democratíssima» Colômbia, que foi o cenário do primeiro grande assalto golpista contra a Venezuela com o pretexto de ajuda humanitária.

O governo português não terá evitado manter-se associado a esta gente e como não revela aos portugueses o essencial destas suas actividades desconhece-se quem e a que nível esteve presente nesta conspiração em que se enquadra o episódio do roubo de 31 toneladas de ouro pertencentes ao Estado venezuelano e colocadas à guarda do Banco de Inglaterra. O governo venezuelano solicitou a sua devolução e Londres rejeitou-a, deixando perceber nas entrelinhas que estaria na disposição de remetê-las, mas ao auto proclamado presidente Guaidó, o qual não se coibiu de aceitar que os bens nacionais venezuelanos seriam sonegados ao seu País e colocados numa sua conta pessoal à qual seguramente se juntariam os 1.600 milhões de dólares depositados no Novo Banco em Portugal, também já solicitados pelo governo legítimo da Vezezuela, mas ainda não devolvidos.

Segundo o secretário das Finanças de Trump,Steven Mnuchin, não foi o Banco de Inglaterra que assumiu isoladamente o acto de sonegar o ouro à Venezuela, pois o desvio dos lingotes ficou assente, depois de ele próprio ter contactado os governos e bancos centrais dos países da União Europeia, que terão concordado com a manobra.

O jornal El Español noticiou há dias que o Departamento de Estado dos EUA, a Organização do Estados Americanos e membros exilados da oposição ao governo venezuelano estão a preparar uma operação de rapto de Maduro ao estilo da operação efectuada com Osama Bin Laden.

Por outro lado, o auto proclamado presidente Guaidó deu uma entrevista à RTP, cujo jornalista em serviço não consegue disfarçar uma visível simpatia pela oposição, na qual fez depender a hipótese de uma acção militar na Venezuela do apoio de aliados internacionais, acrescentando ser esta a «última ou única opção que resta aos venezuelanos».

Entretanto, o Supremo Tribunal de Justiça Venezuelano ordenou a detenção de Edgar Zambrano vice- presidente da Assembleia Nacional justificando a detenção pelo «flagrante cometimento dos crimes de traição, conspiração, rebelião civil, usurpação de funções, incitação pública à desobediência das leis e por ódio continuado».

Zambrano, considerado como o braço direito do auto proclamado presidente Guaidó foi acusado de estar envolvido com um pequeno grupo de militares e civis que a 30 de abril declararam apoiar o líder opositor e apelaram à população para sair às ruas em apoio duma mudança de regime, apelo que não obteve concordância.

A detenção de Zambrano foi condenada por vários países e organizações, incluindo o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que expressou preocupação pela detenção de opositores, posição semelhante à da União Europeia que apelou para a «libertação imediata» de Edgar Zambrano, cuja detenção pelos serviços secretos do País considerou «mais uma flagrante violação» da Constituição.

O Governo Português condenou, através de um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros, a «detenção arbitrária» do vice-presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, pedindo a sua libertação imediata e que as autoridades se abstenham de «actos provocatórios» que prejudiquem os esforços para uma solução pacifica para crise, ou seja, o legítimo governo venezuelano defende o País de atitudes ilegais e criminosas da oposição e é criticado, mas não há uma palavra em relação à atitude de ingerência do Estados Unidos que só tem contribuido para o agravar da situação do País, apoiando 15.000 paramilitares colombianos chegados à Venezuela em 1997, que operam em 10 estados do oeste da Venezuela, trabalhando ou cooperando com proprietários e empresários, controlando rotas de viagens, economias locais, fornecimento de alimentos e mesmo serviços de saúde e escolas, cruzando uma fronteira porosa em ambas as direções, envolvendo-se no narcotráfico, no contrabando de bens e pessoas, na segurança privada, no tráfico de armas, em sequestros, casinos, troca de moeda, roubo de terras, mineração ilegal, terrorismo e combate militar.

Porém, a instabilidade política na Colômbia está permanentemente no caminho das forças militares daquele país, inibindo-as de intervir mais no apoio aos paramilitares, pois o acordo de paz com as FARC está praticamento desfeito, a violência e injustiça social continuam e altos funcionários governamentais pensam que os revolucionários estão a repensar opções.

Neste completo caos, eis que surge alguma luz ao fundo do túnel com as declarações agora conhecidas do Ministério das Relações Exteriores da Noruega confirmando que foi sede de reuniões entre o governo da Venezuela e alguns grupos da oposição com o objectivo de apoiar uma solução pacífica para o País.

Na sua conta do Twitter, o chanceler venezuelano, Jorge Arreaza, afirma que «o presidente Nicolás Maduro e a Revolução Bolivariana expressam seu agradecimento à Noruega e seu apoio ao diálogo pela paz e pela soberania», confirmando assim o reconhecimento da vontade de diálogo por parte do governo legítimo e a possibilidade da opção pela Paz contrária às posições dos Estados Unidos e do seu chefe de fila Guaidó.

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