“Um fantasma percorre a Europa: o fantasma do comunismo…” Com estas célebres palavras se inicia o Manifesto comunista, escrito por Karl Marx em Bruxelas, no inverno de 1847-1848. Parafraseando podíamos dizer; Um fantasma percorre o Mundo, o fantasma da história, da história ignorada suplantada por estátuas que contam outras histórias.

A imprensa não pára de falar destes acontecimentos enquanto se multiplicam imagens através da internet: “Tanto nos Estados Unidos, como noutros países, as estátuas que simbolizam imperialismo ou colonialismo estão a ser vandalizadas ou derrubadas. Os protestos antirracistas nos Estados Unidos, iniciados no final de maio depois da morte do norte-americano George Floyd, durante uma detenção violenta, voltaram-se agora para as estátuas de personalidades relacionadas com o comércio de escravos, depois de, em Bristol, a estátua de um comerciante de escravos ter sido removida na terça-feira do local onde se encontrava há cerca de 200 anos.

No estado norte-americano da Virgínia, no mesmo dia, uma estátua do navegador italiano Cristóvão Colombo foi derrubada e atirada a um lago, em Richmond.  (https://www.noticiasaominuto.com) Viva la Muerte !  Já em Madrid anteriormente foram retiradas as placas de ruas com nomes da era da ditadura de Franco. Quase 50 ruas serão foram renomeadas mais tarde. “As ruas poderão voltar aos seus nomes pré-franquistas ou, se isso não for possível, em homenagem a mulheres ilustres, instituições de ensino ou políticos, disse o conselho municipal de Madrid”. O processo consistia retirar do espaço público as referências a generais que participaram de golpe militar em 1936 e da Guerra Civil que se seguiu. Tudo isto ao abrigo da Lei de Memória Histórica.

Mais tarde e ainda fresco na nossa memória, a exumação do corpo de Franco. O governo espanhol considerava que manter o corpo do ditador Francisco Franco na Basílica do Vale dos Caídos, em Madrid, era uma afronta à Lei da Memória História. Os restos mortais do ditador espanhol foram trasladados da Basílica do Vale dos Caídos, em Madrid, para o cemitério Mingorrubio, em El Pardo, nos subúrbios da capital espanhola.

“Desde o início do processo, o Governo defendeu que os restos mortais do ditador não poderiam continuar num mausoléu público que exaltava sua figura, algo expressamente proibido pela Lei da Memória Histórica”, indicou o executivo. Numa declaração institucional, no palácio da Moncloa, o primeiro-ministro em funções, Pedro Sánchez, afirmou que com a conclusão da trasladação dos restos mortais de Franco acabou a “afronta moral: o enaltecimento da figura de um ditador num espaço público”. (https://www.dn.pt/mundo) Polémicas e equívocos! “A estátua do Padre António Vieira, no Largo Trindade Coelho, em Lisboa, foi vandalizada com a palavra “descoloniza” pintada a vermelho. A boca, mãos e hábito do clérigo foram tingidas de vermelho e no peito das crianças indígenas que estão representadas à sua volta foi pintado um coração.”…

“ A estátua do jesuíta português, cuja vida ficou marcada pela defesa dos direitos dos povos indígenas no Brasil no século XVII, foi instalada naquela praça lisboeta em junho de 2017” A escritora Alice Vieira foi uma das pessoas que reagiu com indignação ao ato disse “Não sabem quem foi o Padre António Vieira…!” “Em 1 de outubro de 1665, o Padre António Vieira foi encarcerado pela Inquisição. Data da prisão: 01/10/1665 (cárcere da custódia) -Sentença: auto-da-fé privado de 23/12/1667. Privado para sempre de voz activa e passiva e do poder de pregar, recluso no Colégio ou Casa de sua religião, de onde não sairia sem termo assinado pelo Santo Ofício, assinar um termo onde se obrigava a não tratar mais das proposições de que foi arguido, nem por palavra nem por escrito, pagamento das custas….”(arquivo Nacional Torre do Tombo-http://antt.dglab.gov.pt/exposicoes-virtuais-2/padre-antonio-vieira-nos-carceres-da-inquisicao/ 

Também a frase supracitada “Viva la Muerte”, é polémica. Atribuída ao general franquista José Millán-Astray na data de 12 de outubro de 1936. E a resposta de Miguel de Unamuno, então reitor da Universidade de Salamanca seria; “Este é o templo da inteligência e eu sou o seu sumo-sacerdote. Vencer não é convencer. Para convencer há que persuadir e para persuadir necessitaríeis de algo que vos falta: razão e direito na luta.” No entanto, um historiador da mesma universidade veio agora dizer que as frases que gerações de espanhóis aprenderam a dizer de cor são apenas poesia.”.

O incidente, que tornaria o intelectual basco um símbolo da democracia contra a ditadura, é célebre exatamente por causa das palavras que Unamuno terá dito ao general franquista, mutilado de guerra, e em resposta à expressão “Viva a morte!”. Nota relativa ao título desta crónica:* Os Cavalos também se abatem /They Shoot Horses Don”t They?, é o magnífico título de  um filme de Sydney Pollack (EUA, 1969) “ Grande sucesso do cinema Americano dos anos 60 .

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