A Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia apresentou, no passado dia 17 de abril, cinco novas vias estruturantes que pretendem revolucionar a mobilidade no concelho. O presidente da autarquia, Luís Filipe Menezes, não hesitou em classificar o projeto como sendo revolucionário, sublinhando o impacto que estas infraestruturas poderão ter no desenvolvimento económico e territorial da região.
A apresentação nas cinco novas vias estruturantes do concelho gaiense decorreu, no passado dia 17 de abril, na Casa da Presidência e contou com a presença de Luís Filipe Menezes, presidente da Câmara Municipal de Gaia, Firmino Pereira, vice-presidente, da chefe de Divisão de Vias Estruturantes, Susana Paulino, assim como dos vereadores Elizabete Silva, Carla Costa e António Barbosa e de presidentes de Junta. Ao longo da sessão, foram detalhadas as cinco novas ligações — VL1, VL3, VL10, Via de Ligação do Estádio Jorge Sampaio ao Nó dos Carvalhos e VL11 — pensadas para responder aos desafios atuais da mobilidade urbana e preparar o futuro do concelho.
Coube a Susana Paulino, chefe de Divisão de Vias Estruturantes da Câmara Municipal de Gaia, apresentar a componente técnica do projeto, sublinhando a necessidade de adaptar a cidade a novas exigências de circulação. “Pretendemos dotar o concelho de uma mobilidade mais sustentável, mais destinada a promover a circulação rodoviária em dias de trânsito, definir vias destinadas ao transporte público, ciclovias e dar vias para que todos possam fazer uso da cidade”, afirmou. A responsável destacou ainda que Gaia dispõe atualmente de cerca de 26 quilómetros de vias estruturantes, número que será significativamente reforçado com estas novas ligações.
O plano prevê uma reorganização profunda da rede viária, com novas ligações verticais, horizontais e transversais, facilitando a ligação entre nascente e poente e melhorando as acessibilidades locais, sobretudo em zonas industriais. “Entendemos criar algumas ligações (…) permitindo que a parte nascente tenha acessibilidades à parte poente”, explicou, acrescentando que todo o projeto foi antecedido por uma análise detalhada das redes existentes e por um planeamento rigoroso da execução das empreitadas.
Neste seguimento, a VL1 foi apresentada como um eixo fundamental na zona norte-litoral, com cerca de 1.500 metros de extensão, ligando a Rua de Bustes à Rotunda Engenheiro Edgar Cardoso. Esta via foi pensada para garantir maior capacidade de escoamento de tráfego e facilitar a ligação a zonas estratégicas, articulando-se com o futuro Parque do Vale de Santarém. Segundo o presidente da Câmara Municipal de Gaia, Luís Filipe Menezes, trata-se de uma via com forte impacto urbano, podendo vir a integrar faixas dedicadas ao metroBus, contribuindo para “trazer as pessoas diretamente à cidade”.
Já a VL3, com uma extensão de 3.700 metros, terá como principal função ligar o nó de Santo Ovídio ao mar, fechando um traçado há muito previsto. Esta via permitirá encurtar distâncias entre o interior e o litoral, nomeadamente a freguesia da Madalena, assumindo-se como um corredor estruturante de mobilidade. “Terá uma função muito semelhante, a de trazer pessoas de muito perto do litoral (…) até Santo Ovídio”, destacou o autarca gaiense, admitindo também a possibilidade de integrar transporte público dedicado.
Por outro lado, a VL10 foi apresentada como uma das mais extensas intervenções, sendo dividida em dois troços distintos: o Troço Norte, com quase 3.000 metros, ligará o nó do IC23 à Avenida Vasco da Gama, enquanto o Troço Sul, com cerca de 1.600 metros, fará a ligação até à Rua Heróis do Ultramar. Esta via assume particular relevância para a freguesia de Oliveira do Douro, podendo impulsionar a reabilitação urbana da zona. “Pode ser o grande avanço para a reabilitação urbana”, sublinhou Luís Filipe Menezes.
Por sua vez, a Via de Ligação do Estádio Jorge Sampaio ao Nó dos Carvalhos, com cerca de 2.600 metros, pretende reforçar a articulação entre diferentes pontos do concelho, criando um eixo contínuo entre o interior e o litoral. A ligação passará por Avintes, Pedroso e Carvalhos, conectando-se posteriormente à antiga EN109-2, permitindo uma travessia mais fluida entre várias freguesias. “É uma via de enorme importância para o concelho”, destacou o presidente, evidenciando o seu papel estratégico.
Por fim, a VL11 assume-se como uma via estruturante essencial para o tecido industrial, com uma extensão total de 4.890 metros. O traçado prevê a construção de novos troços, bem como a requalificação de arruamentos existentes, atravessando zonas como Canelas, Serzedo e Grijó. Esta via foi desenhada para melhorar o acesso às áreas industriais e facilitar a circulação de veículos pesados. “Está a pensar principalmente no tecido industrial do concelho, na capacidade de drenar com mais facilidade as zonas industriais”, explicou Susana Paulino. O projeto contempla ainda soluções complementares, como a criação de bolsas de estacionamento e a adaptação às condicionantes do território, incluindo a futura linha de TGV.
No seu conjunto, estas cinco vias estruturantes traduzem uma estratégia integrada de mobilidade, que aposta não só na fluidez do tráfego rodoviário, mas também na sustentabilidade, na interligação territorial e na valorização económica do concelho. Como sublinhou Luís Filipe Menezes, “isto vai trazer progresso, emprego e investimento”, posicionando Vila Nova de Gaia como um exemplo a nível nacional em termos de planeamento urbano e infraestrutural.
Na sua intervenção, Luís Filipe Menezes enquadrou o projeto numa estratégia de longo prazo, recordando que o mesmo começou a ser preparado há vários anos. “É uma verdadeira revolução, mas estas revoluções não se preparam de um dia para o outro”, afirmou, acrescentando que “este trabalho começou há anos atrás (…) e só agora foi ajustado para avançar”.
O autarca traçou paralelos com obras marcantes do passado, como a Avenida D. João II, sublinhando o impacto transformador que grandes vias podem ter no crescimento urbano e económico. “Hoje é uma nova cidade”, referiu, reforçando que estas novas ligações poderão gerar “progresso, emprego e investimento”.
Entre os aspetos inovadores, destaca-se a aposta no transporte público, com a possibilidade de integração de corredores dedicados ao metroBus em várias destas vias. “É preciso trazer as pessoas à cidade”, afirmou Menezes, apontando a VL1 e a VL3 como exemplos de eixos que poderão aproximar o litoral do centro urbano.
O investimento global estimado ronda os 75 milhões de euros, estando já garantidos cerca de 25 milhões através de acordos com as Infraestruturas de Portugal e o consórcio responsável pela construção do TGV. O município espera ainda assegurar financiamentos complementares para concretizar a totalidade do plano.
Com alguns projetos em fase avançada, o executivo acredita que parte das obras poderá arrancar ainda este ano. “Tenho esperança de que algumas destas vias fiquem completamente prontas neste mandato”, afirmou o presidente, garantindo que “nada nos fará parar. Iremos ser muito performantes no desenvolvimento deste projeto”.


