A 4ª Bienal Internacional de Arte de Gaia, que estava aberta ao público desde o dia 17 de abril, na Companhia de Fiação de Crestuma, terminou no dia 10 de julho. Na cerimónia simbólica entregou-se os prémios aos vencedores e Agostinho Santos enalteceu a iniciativa que, apesar de jovem, já se tornou uma das maiores Bienais do país, com uma importante distinção: ser uma Bienal de Causas.

 

 

Foi no dia 10 de julho que as portas da 4ª Bienal Internacional de Arte de Gaia, que se realizou na Companhia de Fiação de Crestuma, se fecharam, depois de receberem dezenas de milhares de visitantes. O momento marcou o fim da exposição foi, maioritariamente, simbólico devido ao atual contexto, e contou com a entrega dos prémios aos vencedores e seis menções honrosas. Para animar a festa, um Quarteto de Saxofones da Banda Musical Leverense brindou os presentes com a sua atuação.

“Estamos no fim de uma Bienal, que é um sonho dos Artistas de Gaia, um sonho da Câmara Municipal de Gaia, um sonho de todos nós, que gostam de arte”. Foi assim que começou o discurso de Agostinho Santos, diretor da Bienal e presidente da direção da Cooperativa Artistas de Gaia. O artista começou por referir que Gaia tem sido, desde sempre, um município de artistas, evocando até nomes como Soares dos Reis e Teixeira Lopes, mas também não esqueceu as dificuldades que este sonho da Bienal teve de ultrapassar, uma vez que durante “muitos anos não se realizou porque não havia vontade política para se fazer uma coisa destas”. Aqui, Agostinho Santos teceu elogios a Eduardo Vítor Rodrigues e à sua equipa, por acreditarem no projeto e ajudarem os Artistas de Gaia a fazerem a primeira Bienal.

Paula Carvalhal, vereadora da Cultura da Câmara de Gaia, elogiou a organização e disse que o sucesso da iniciativa fica comprovado porque “tivemos uma representação e um número de visitantes importantíssimo e que representa a entrega deste trabalho e a qualidade do evento em si.”

“Esta não é uma Bienal como as outras”, referiu Agostinho Santos, e explicou o porquê: “Nós não queremos expor quadros só por expor, queremos expor quadros, esculturas, pinturas e desenhos com uma motivação especial: desafiarmos os artistas a abordar temas de intervenção social como a violência, a guerra, a fome, as desigualdades, as injustiças. Todas estas vertentes que, normalmente, ainda não são abordadas nas artes”. Por isso esta Bienal é conhecida por ser uma Bienal de Causas.

A realização desta Bienal, pela segunda vez, em Lever, é vista, pelo diretor da exposição, como mais uma luta, a da descentralização. E aliada ao local da exposição principal, somam-se os polos. Agostinho Santos não escondeu o orgulho nos oito polos com que a 4ª edição da Bienal contou, aproveitando a pequena cerimónia e a presença do presidente da Câmara Municipal de Esposende, para reforçar que teria gosto em que a cidade mantivesse o polo na próxima edição, e acrescentou que “já temos mais três municípios, alem dos oito que temos este ano, que estão interessados e que querem ter um polo da bienal”.

Esta foi a quarta edição da Bienal de Arte Gaia, mas Agostinho orgulha-se porque “somos a mais jovem Bienal, mas já somos a maior Bienal, quer em número de artistas participantes, quer em número de obras, quer em número de exposições e com artistas de 17 nacionalidades”. O presidente da Cooperativa dos Artistas de Gaia fez a analogia entre as Bienias e uma escada, sendo que cada edição significaria mais um degrau, e em cada degrau se tenta fazer mais e melhor do que antes.

A Cooperativa Artistas de Gaia festejava o seu aniversário no dia seguinte a esta pequena cerimónia de encerramento da Bienal e Agostinho Santos não pôde deixar de dizer que era quase um presente adiantado para os 36 anos dos Artistas de Gaia, sendo que estava à frente dos destinos da cooperativa há 26 deles. Mas o final da Bienal também foi o momento em que anunciou que se vai candidatar ao último mandato à frente do destino dessa cooperativa, ainda assim deixando claro que estará na organização da Bienal de 2023 e, se lhe permitirem, ainda terá também muito a dizer na de 2025.

O auge da pequena cerimónia de encerramento foi a entrega de prémios. O Grande Prémio da Bienal, que tinha o apoio da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia e foi entregue em mãos pela vereadora da Cultura, Paula Carvalhal, foi atribuído à obra “Faith” da artista Lina Carvalho. O Prémio de Escultura Zulmiro de Carvalho, apoiado pela Câmara Municipal de Gondomar, foi entregue a Jorge Braga, pela sua escultura “Humanidade”. Teresa Rodrigues venceu o Prémio Águas de Gaia com a sua pintura “Emergir”. As seis menções honrosas foram entregues a Domingos Júnior, Francisco Badilla, Jéssica Burrinha, José João, Júlio Cunha e a Pedro Cunha.

As expectativas para a Bienal de 2023 estão altas, e Agostinho deixou o aviso aos artistas: “A Bienal vai ser cada vez mais exigente, mais dura na seleção das obras porque temos essa responsabilidade. Queremos ser a melhor Bienal e para ser a melhor, temos de ser mais exigentes”. “Cá estamos nós para, em 2023, fazermos um evento ainda maior, com mais qualidade, porque esse é o desafio que partilhamos, nós, município, e os Artistas de Gaia”, disse Paula Carvalhal sobre a continuação do apoio da Câmara ao evento.

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