“JÁ ME ACONTECEU MUITA COISA BOA E ACHO QUE AINDA VAI ACONTECER MAIS”

Autor de temas como “Vou-te excluir do meu Orkut” e ex-participante do reality show Dilema, Élvio Santiago visitou, pela primeira vez, os Açores para um concerto na Ribeira Seca, na Ribeira Grande, S. Miguel. Com uma vida dedicada à música, com altos e baixos, mas sempre com confiança no futuro, o cantor que há 20 anos viaja pelo país a espalhar a sua música falou sobre o seu percurso e os seus sonhos. Com os pés bem assentes na terra, Élvio Santiago promete continuar a dar o seu melhor sempre que o seu valor for reconhecido e garantiu voltar aos Açores.

 

Como foi o início da carreira até agora?

A minha carreira começou nos finais de 2005, e comecei por gravar dois covers para serem editados em 2006 numa coletânea de verão. Depois, o meu primeiro álbum a solo foi lançado em 2007, onde tinha a música “Vou-te excluir do meu Orkut” que foi o que me deu um bocadinho de boom. E depois seguiram-se, de dois em dois anos, mais álbuns, o “Vou-te bloquear no meu Hi5”, “Sonhos”, “Parte de Mim”, “Vivências” e o mais recente, que tem mais ou menos um ano, “Íntimo”. No meio disto tudo, estive sempre em programas de televisão para divulgar, porque é muito importante, e houve também uma ou duas editoras pelo meio e cheguei até aqui e num patamar que considero já bastante favorável, não me considero um nome de primeira linha, mas também já não me considero um novato nisto, já são 20 anos.

 

Se assim não fosse, não teria feito 3500km para atuar nos Açores…

É verdade, nesta linda ilha, na Ribeira Seca, e é a primeira vez que estou em S. Miguel. E é com todo o prazer que estou aqui. Estive a dar uma volta e é incrível o que a natureza nos proporciona.

 

Mas também participou num reality show.

Sim, estive o ano passado num reality show da TVI, o Dilema, só estive lá duas semanas, fui o segundo a ser expulso, porque também mostrei muita vontade sincera, genuína, de sair do programa, até porque estavam a acontecer muitas coisas cá fora, inclusivamente negócios que me tiravam o sono lá dentro, e como aquilo também acaba por ser um jogo muito psicológico, teria de chegar a um ponto de explodir, então acabei por sair. Mas mostrei que sou uma pessoa fiel a mim mesmo.

 

O que sente quando as pessoas o conhecem a 1700Km de casa?

É muito bom, é sinal de que a promoção que se tem vindo a fazer surte efeito, no entanto também já senti que as pessoas aqui não são muito de televisão, pelo menos atualmente, e, por isso, tenho a plena noção que há pessoas que não me conhecem. Mas algumas pessoas abordam-me e isso significa que me reconhecem da televisão, e estava mais loiro antigamente, mas no início do ano tive de fazer um transplante capilar e agora está natural.

 

Nestes 20 anos de carreira, qual a música que mais o marcou?

Em primeiro lugar, a “Vou-te excluir do meu Orkut” porque foi a primeira que despertou interesse por parte dos meios de comunicação e foi aí que, por exemplo, o Herman José começou a falar várias vezes em mim em tom de brincadeira e surgiu a curiosidade de saber quem era o Élvio Santiago. Primeiro, deu-se a conhecer o nome e depois, a partir de 2008, é que comecei a dar a conhecer a minha imagem. Depois há outro tema, o “Ficou Combinado”, mais recente, que está a funcionar muito bem ao fim de 6 anos de edição, esse álbum noto que vou a qualquer sítio e que as pessoas cantam essa música. Obviamente tenho outras músicas, mas essas são as que mais me marcam. Claro que também o Hi5, que foi uma continuação do Orkut, há uma série de músicas que gosto e que marcam.

 

No início da carreira, teve uma parceria ou ligação com o Alexandre Faria. Isso ainda se mantém?

Sim, mantém-se. Está ao meu lado, porque, em primeiro lugar, sou uma pessoa grata. E mesmo que houvesse algum tipo de quezílias, que já houve, o que é normal, nunca nos podemos esquecer de quem nos dá a mão. Foi ele que me ajudou no mundo da música, tornei-me a pessoa que sou hoje, posso dizer um caso de sucesso, alguém que está há 20 anos na música, nem toda a gente chega lá. Continuo a ter uma ligação com ele de trabalho, uma grande amizade, é da família já. Os meus pais gostam muito do Alexandre também e continuarei, como é óbvio, a trabalhar com ele.

 

Quem compõe as suas músicas?

Até aqui, já vários produtores fizeram a composição dos meus temas, mais recentemente quem está a compor, ou seja, a escrever e a orquestrar, é o Ricardo Landum, que, aliás, é o rei das músicas “orelhudas”.

 

O que falta para se sentir totalmente realizado?

Eu sou uma pessoa que não sonha com o Meo Arena, estou sempre de braços abertos e o que vier eu recebo com muito carinho e muita satisfação. Até porque o mundo artístico é muito ingrato e, por isso, acho que sonhar não é proibido, mas não devemos estar a contar com grandes coisas e depois não acontecerem e ficarmos desiludidos. E uma das coisas que, curiosamente, o Alexandre me disse para fazer é ter os pés assentes na terra, e, por isso, eu prefiro ser surpreendido com o que vai acontecendo na música porque acho que me enche muito mais. E já me aconteceu muita coisa boa e acho que ainda vai acontecer mais, mas aguardo pelo momento certo.

 

Tenho quase a certeza que não se consegue sustentar totalmente só com a música. Como sobreviveu nestes 20 anos?

É uma carreira de altos e baixos, tivemos a Covid pelo meio, curiosamente foi nesse ano, antes da Covid, que abri a minha empresa de suplementos naturais, a Seja Saudável, e passados poucos meses entramos na Covid-19 e comecei a fazer os diretos no Facebook de vendas, que tem sido um sucesso e tenho já os meus clientes fidelizados. Tenho a Seja Saudável, que fica em Sobrosa, Paredes, e faço os diretos de lá. Recentemente, há dois ou três meses, abri, no mesmo espaço, dividi a loja, e tenho também a venda de pequenos eletrodomésticos, a Eletro Conforto. Também faço diretos no Facebook uma a duas vezes por semana. Como tenho estas atividades, das quais sou o gerente, ‘dou-me ao luxo’ de recusar muito trabalho na música porque todos nós temos o nosso valor e eu tenho o meu valor e acho injusto fazer um valor aqui e outro com grande discrepância de valores. Ou realmente me pagam aquilo que peço, e se tiver de baixar um pouco baixo, mas não faço promoções de 50% nem de 70%. Só saio de casa se, realmente, valer a pena, para eu me sentir bem em cima do palco e saber que estou a fazer um bom trabalho porque estou a ser devidamente remunerado.

 

Que carta tem na manga? O que os fãs podem contar a curto prazo?

A mesma pessoa que sou hoje, que fui ontem, amanhã serei igual. Podem contar sempre com o melhor de mim, portanto, histórias de vida reais, quase todas as minhas músicas são histórias da minha vida e que as pessoas se revêm nelas. Prometo nunca desiludir ninguém. E tudo o que precisarem de mim também estou cá, para o bom e para o mau.

 

Tem empresários ou trata diretamente?

Trabalho com toda a gente. Obviamente que se tenho, por exemplo, alguém conhecido aqui em S. Miguel ou nos Açores, por uma questão de respeito peço para me tratarem disso. Agora, se for alguém que nunca teve oportunidade de trabalhar comigo também não vou dar de mão beijada. Podem-me contactar pelas redes sociais ou pelo contacto 919168825, que foi o caso destas festas, a pessoa responsável pela minha presença cá é o Hernâni Lameiro e é por vontade dele que estou aqui hoje. Se não fosse ele, não estaria cá nos Açores. Desde viagens, estadia, restaurantes e caché, é tudo suportado pelo Hernâni Lameiro, não é a Comissão de Festas, é ele. É de merecer um grande respeito até porque o Hernâni gosta muito de mim enquanto artista e pessoa e diz que sou um dos artistas preferidos, assim como a Ruth Marlene e a Ágata. Aliás, gravei este ano um tema com a Ágata, o que para mim é tudo, em primeiro lugar porque é um nome incontornável da música portuguesa e é a rainha, a mãe da música popular portuguesa, e fui convidado por ela, o que agradeço imenso e vai ser agora editada tanta a música como o DVD porque gravou-se o espetáculo ao vivo no Casino do Estoril. Portanto, Élvio Santiago estar ao lado de uma diva como a Ágata, é um motivo de orgulho e de agradecimento.

 

Que mensagem gostaria de deixar aos fãs?

Agradecer por tudo o que têm feito por mim, obrigado por gostarem de mim e por ouvirem as minhas músicas. Enquanto artista e pessoa, estou aqui para elas como elas estão para mim.

 

Quer voltar aos Açores?

Quero e vou voltar.