Das freguesias de Gaia, Seixezelo é a segunda das mais pequenas. O seu desenvolvimento populacional e económico processou-se desde há cerca de vinte anos. Are então, como freguesia rural de 3ª classe, encravada entre Grijó, que absorvia “in nomine” e o Olival que ela olhava e da qual dependia, era terra sem escolas próprias, sem caminhos transitáveis, com reduzido comércio e sem qualquer indústria que não as caseiras, tecelagens rústicas em que muitas avozinhas ganhavam seu pão ao lado dos dias de lavoureiras.

De então para cá, causas de vária ordem, colocando-se um primeiro lugar a abertura da variante da Estrada Nacional das Vendas de Grijó aos Carvalhos, realizada há cerca de 15 anos, transformaram-na populacional e comercialmente. Mesmo no seu aspecto cenográfico, tornou-se mais bela. As velhas casas de aglomerado principal, o Cabeço, por certa vaidade dos habitantes, tomaram o aspecto lindo e limpo das povoações entremenhas.

Foram abertos e alargados caminhos vicinais antigos. Lavadouros foram reformados, águas captadas, coberturas executadas. Nova escola, foi construída ao abrigo do Plano dos centenários, com terreno oferecido pelo povo. Todos, ricos ou pobres, contribuíram para estas obras.

A Junta de Freguesia tem a sua sede em valioso e arquitectónicamente belo imóvel no centro cívico da freguesia, lado a lado da residência paroquial e à sombra da cruz da Igreja Matriz.

Seixezelo tem poucos pergaminhos. Raros apontamentos históricos e não possui monumentos ou lugares dignos de registo. Terra pobre, inóspita como ser étimo indica só dedicada “palos poucvos habuitantes” de há uma centena, à agricultura e à cultura das frondosas e Formosíssimas cerejeiras, que foram, essas cerejeiras lindas e grandes, as mensageiras do nome da terra e que lhe concederam, em todos os mercados o título e galardão de “Terra das Cerejas”.

Seixezelo, apesar de estar paredes-meias com o couto grijoense, pertencia em foros e antigas leis ao Couto de Avintes. Por ele passava a velha e hoje totalmente irreconhecível Estrada de Avintes. Só depois das Guerras Liberais lhe foi dado foral de paróquia. Na Igreja, as inscrições frontal e lateral assinalam a sua idade legal.

Actualmente, a freguesia de Seixezelo conta com um comércio e indústria florescente. Citaremos, sem qualquer intuito, a Fábrica de Sociedade Portuguesa “La Celophone”, que ocupa cerca de 300 operários e operárias e que é, sem dúvida uma das melhores organizações portuguesas de litografia, uma oficina de recauchutagem moderníssima, duas oficinas de cinzelagem de pratas artísticas, serrações mecânicas. Fabrica de moagem, tipografia, oficina de modelagem, fábrica de chapéus, etc.

Isto tudo foi realizado nestes últimos vintes anos. E, neste lapso de tempo, tão curto, a freguesia duplicou em fogos e triplicou em habitantes.

Propositadamente deixamos para o final desta resenha os valores culturais e morais.

No plano cultural existe uma agremiação modesta, mas florescente, filiada na FNAT que tem um agradável elenco de teatro de amadores, com seus sócios e entusiastas e uma sala de espectáculos, que ainda que particular, tem melhores condições para o chamado “teatro de bolso”.

Em Seixezelo está instalada a Sede “Associação Desportiva de Grijó” que, na realidade, aqui foi nada e criada.
Etnograficamente, nada temos a descrever ou a assinalar. Nem na linguagem, trajos, cantares há notas dignas de realce. Esta freguesia viveu e dependeu sempre das suas vizinhas e a elas se assimilou.

Com justiça inteira, ainda que foram do âmbito da Crónica e fugindo da directriz, não me dispenso de lembrar e registar para o futuro, sem menção de nomes, as obras realizadas na Igreja Paroquial e obras públicas realizadas nestas duas décadas.

Seixezelo, pequeno e pobre, é digno de Ser conhecido e meditado.

*Escrito em 2011

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