Numa grande entrevista ao AUDIÊNCIA, Sérgio Humberto, presidente da Câmara Municipal da Trofa, tece duras críticas ao Estado central, pela forma como a pandemia da covid-19 está a ser tratada a nível nacional e lembra que as autarquias estão disponíveis para ajudar, mas que não são tidas nem ouvidas para tal. Em relação ao município que lidera, o autarca sublinha que vai continuar a priorizar a população e que o edifício dos Paços do Concelho vai ser uma realidade, à semelhança da tão ansiada variante à Estrada Nacional 14. Admitindo que entre os seus anseios para o futuro está a construção de um auditório e de um museu, o edil não exclui a hipótese de se recandidatar, enaltecendo ainda que a Trofa vai afirmar-se “como um dos grandes territórios a nível nacional”.

 

Entrevista por Joana Vasconcelos, Sara Almeida e Tânia Durães

 

O município da Trofa celebrou, no passado dia 19 de novembro, 22 anos da sua passagem a concelho. De que forma é que habitual programa de atividades foi condicionado devido ao atual contexto de pandemia?

Sim, fez 22 anos no dia 19 de novembro. As comemorações foram reduzidas ao mínimo. Só foi realizado, simbolicamente, um hastear das bandeiras, para o qual convidamos muito poucas pessoas, e com a celebração também de uma missa de aniversário. Como devem imaginar, nós não pudemos estender o convite à população. Tudo o resto foi muito por via digital, por isso, não se realizou mais nenhuma iniciativa presencial, não houve sessão solene, não houve vitela, a iniciativa Os Autarcas vão à Escola decorreu via digital e muitas das iniciativas que habitualmente realizávamos durante essa semana ou não se concretizaram ou efetuarem-se por via digital, para não deixarmos de celebrar, no fundo, a nossa autonomia administrativa.

 

Considera que os trofenses que há 22 anos lutaram pela criação do município compreenderam o facto de, este ano, não poderem comemorar esta conquista?

Eu acho que compreenderam porque, infelizmente, tiveram de celebrar interiormente e para o bem de todos. Para o bem dos trofenses e para o bem da Trofa, o aniversário teve de ser celebrado nestas condições, como, se calhar, vamos ter de ser mais contidos, aliás, nós temos sido contidos nos abraços, nos cumprimentos, nas nossas saídas e, portanto, as pessoas compreenderam que não podiam comer a vitela, como têm comido durante os últimos 21 anos, tal como comeram há 22 anos quando chegaram cerca de dez mil pessoas de Lisboa e estavam os restantes trofenses a aguardá-las para comerem vitela assada. Pela primeira vez, em 22 anos, isso não foi feito. Mas os trofenses percebem. Se me perguntar se percebem todos, eu respondo-lhe que não, mas 99 por cento das pessoas percebem isso. A Trofa há 22 anos atrás tinha uma taxa de cobertura de saneamento de 12 por cento, hoje tem de 97 por cento. Tinha uma taxa de cobertura de água de 20 por cento, hoje tem 97,98 por cento. Tinha um parque escolar completamente degradado, hoje tem dos melhores parques escolares do país, só há uma escola que tem amianto no concelho da Trofa e é da responsabilidade do Ministério da Educação, que é a EB2/3 e Secundária de São Romão do Coronado, todas as outras e aquelas que são da responsabilidade da Câmara Municipal não têm amianto e têm as melhores condições, das quais, obviamente, sublinho a EB2/3 Professor Napoleão Sousa Marques, que foi uma obra inaugurada há cerca de um ano atrás e que está classificada como uma das melhores escolas do país do ponto de vista, não só dos recursos humanos, mas também das infraestruturas. Na Trofa de há 22 anos atrás, havia, praticamente, freguesias que não tinham casas mortuárias e hoje temos, existiam cemitérios lotados e hoje já têm todas as possibilidades de poderem receber, no fundo, as pessoas que partem, nas melhores condições possíveis. Tínhamos uma rede viária completamente desqualificada e hoje é incomparavelmente diferente. Não tínhamos piscinas municipais e hoje temos.

 

No seu entendimento, crê que a redução e as condicionantes destas celebrações vão atribuir mais sabor à tradicional vitela em 2021?

Claramente que sim. Em 2021, o que desejamos é que esta pandemia já tenha passado à história e que nós possamos comemorar o 23º aniversário, obviamente, com outra pujança, se calhar com força redobrada, para continuarmos a construir uma Trofa de futuro e uma Trofa melhor.

 

Com as eleições autárquicas a menos de um ano, que balanço faz deste mandato? Acredita que a proliferação da covid-19 em Portugal e no mundo impactou demasiado este último ano?

Muito sinceramente não. Há coisas que vão acontecer nos próximos tempos, que são únicas. Nós estamos a fazer o que nunca foi feito. Posso falar-lhe do edifício dos Paços do Concelho e de todas as obras que foram realizadas. A variante está aí, já era uma ambição com mais de dois anos e meio e honra seja feita ao ministro Pedro Nuno Santos, que em tudo colaborou para que a variante à Estrada Nacional 14 fosse uma realidade. Estamos a encetar negociações, através do ministro do Ambiente, para a vinda do metro até à Trofa e, para além de termos o processo em tribunal, temos esse dossier pesado. Estamos num trabalho profícuo duro, muito duro, relativamente ao preço da água, porque, primeiro, no contrato da água nós não éramos concelho, pois fazíamos parte do concelho de Santo Tirso, mas houve um grande erro, que levou a que a Trofa e Santo Tirso tivessem a água mais cara do país e que foi feito porque, uma vez mais, “cada cavadela, sua minhoca”, houve a renegociação de um contrato com a Indaqua, para dez por cento da população ter ligações gratuitas, o que aumentou a tarifa fixa e a variável do custo da água. É graças ao Partido Socialista de Joana Lima e de seu sobrinho, que a Trofa tem a água mais cara do país e estamos a encetar negociações com a Indaqua, já há muitos anos, portanto, isto tem sido um trabalho duro, com o intuito mudarmos o contrato de concessão, para tentarmos reduzir o custo da água. Infelizmente, já não o podemos fazer com o saneamento, porque também cederam o saneamento à empresa Águas do Norte, que apesar de ser uma empresa pública, agora, pensem desta forma, o concelho da Trofa tem 97 por cento de cobertura de saneamento, tem cerca de 97 ou 98 por cento de cobertura de água, vai ter mais áreas industriais, está com mais emprego, está com obras que aumentam a qualidade de vida, está com obras em todas as freguesias e isto reforça a coesão municipal. Não são projetos, eu estou a falar de obras no terreno e de outras que entrarão no terreno brevemente. Isto não são anúncios de anúncios, porque nós quando anunciamos é para fazermos. Não são jogadas baixas, mesquinhas, que vão beliscar este trabalho. Eu não tenho medo de absolutamente nada, agora, há algo que muda com a questão da pandemia. Se calhar há coisas que poderiam estar a ser feitas hoje e eu estou a falar neste investimento superior a 600 mil euros, que realizamos fruto da pandemia e, nos próximos quatro ou cinco meses, nós vamos continuar a investir nas escolas, como nós temos feito, a ajudar as IPSS, como nós temos feito, obviamente que este investimento, que estamos a fazer vai ser superior a um milhão de euros e se não existisse pandemia, este um milhão de euros poderia ter sido utilizado e canalizado para outras fontes, mas não foi. Não se faz a rua A, nem a rua B, se calhar não se faz uma Praça ou uma requalificação num determinado sítio, que pode esperar perfeitamente, mas se esta pandemia chegou é para nós a ultrapassarmos e vamos ultrapassar, evidentemente que continuamos com o nosso serviço e o nosso gabinete de crise sempre atualizado, pelo menos com os dados que nos vão fazendo chegar e que nós recolhemos, porque não são de fora, das entidades, e vamos tentar colaborar, diretamente, com a população e é isto a que nos comprometemos. Agora, o futuro da Trofa será risonho.

 

O que prevê ainda para este final de mandato?

Nos próximos dois anos e meio estamos no concelho da Trofa com investimentos públicos camarários na ordem dos 23 milhões de euros. O que vai acontecer é uma revolução positiva, fora o que é o investimento privado, que está a acompanhar, no fundo, o investimento público. A Trofa há sete anos atrás era o segundo município mais endividado do país e hoje está entre os sessenta mais estáveis. Nós estamos a reduzir a dívida e a fazer obra e temos em construção os Paços do Concelho, que estarão concluídos em dezembro de 2021, a Ciclovia do Coronado, um investimento de cerca de 4 milhões de euros e as perspetivas é que esteja concluída em setembro de 2021, a Distribuidora 21 que já começou, já está em obra, um investimento acima de um milhão de euros e temos um conjunto de requalificações no parque escolar a decorrer, nos parques infantis e áreas de lazer. Com esta pandemia, houve muita coisa que mudou e existiram prioridades que tiveram de ser reestabelecidas, nomeadamente, o investimento na área social e também um reforço na educação, via pandemia. Durante este ano, a autarquia já gastou, como eu referi anteriormente, mais de 600 mil euros, fruto da pandemia, de ajudas às nossas IPSS, de compras de portáteis para os alunos, que não tinham essa capacidade, de apoios sociais a pessoas que, pela primeira vez, estiveram na posição de passar fome e estou a falar de classe média, porque aquelas pessoas que, muitas vezes, achamos que passam por mais dificuldades, porque vivem abaixo do limiar da pobreza e que, infelizmente, continuam a constituir um número bastante significativo, essas não viram os seus recursos financeiros a serem cortados, porque continuam a ter a sua reforma, apesar de miserável, continuam a usufruir do RSI e continuam a fazer um trabalho paralelo, para ganhar mais dinheiro, mas aconteceram casos e não são esporádicos, são números preocupantes, de pessoas que viviam na classe média e que, pela primeira vez, estão numa posição de passarem fome. Portanto, estamos a falar de um investimento, até agora, através do qual nós praticamente nos substituímos ao Estado central, de mais de 600 mil euros e eram números que não estavam contemplados no orçamento para este ano.

 

Como pensa que isso se vai refletir, agora, num futuro próximo?

O que acho que tem de acontecer e que vai acontecer é, primeiro, termos a esperança de que vamos vencer esta pandemia, pois têm existido boas notícias, sobre muitas delas temos de lançar um ponto de interrogação, porque podem ser “fake news”, mas tenho esperança de que possamos ter uma vacina em inícios do próximo ano. O que verdadeiramente me preocupa enquanto trofense, pessoa do Norte e português é que o Estado central não se preparou para esta segunda vaga da pandemia. Os delegados de saúde e os médicos de saúde pública, que estão pelas costuras, estão a passar, pela primeira vez, um nível de stress, que nunca antes tinham passado na história. Têm computadores da altura do Jurássico, as plataformas são completamente retrogradas, não funcionam, portanto, enquanto existiu tempo para preparar tudo isto, mudar computadores em maio, junho ou julho e agosto, reforçar equipas, preparar a segunda vaga com planeamento, o Ministério da Saúde e a DGS não fez nada disto e, infelizmente, não podemos desculpar-nos com o que se está a passar de mau nos outros países, pois não pode ser desculpa em Portugal o que se está a passar noutros países. É lamentável e, infelizmente, hoje, temos hospitais no Norte do país e não só o de Penafiel, mas também o Centro Hospitalar do Médio Ave, em Famalicão, e muitos outros, aliás o que vemos nos hospitais, às vezes, é pior do que em pocilgas, que estão a tratar as pessoas como números, não há humanidade e isto não é pelos problemas dos profissionais de saúde, é porque não há recursos e não há meios. Portanto, quando vem a DGS dizer que os testes rápidos não são solução, por favor, esta senhora já devia estar fora há muito tempo, porque está a fazer tudo mal e não aprendeu absolutamente nada. Estão completamente perdidos e pior, uma pessoa que contrai covid-19, hoje, praticamente não é contactada pelo delegado de saúde, porque não tem possibilidade, já que estamos numa vaga pior do que a primeira, mas há pessoas com covid-19, cujos vizinhos sabem e ligam para a Câmara a dizer que a pessoa em questão tem covid-19 e anda na rua e esses nomes não estão nos dados das forças de segurança. Não há nenhum controlo de surtos, que não venha a ministra da Saúde e a diretora da DGS dizer que há controlo, porque não há e não pedem ajuda às Câmaras Municipais. Na verdade, disseram que iriam existir ajudas para as Câmaras Municipais no combate à pandemia e, até hoje, dinheiros do Estado central naquilo que a Câmara substituiu de ajudas às IPSS, de ajuda à população, de ajuda à aquisição de equipamentos informáticos para os alunos com maior necessidade, recebemos zero cêntimos.

 

A Câmara Municipal da Trofa não recebeu qualquer apoio do Estado nesse sentido?

Nem mochila financeira, nem envelope, nem porta-moedas, não existiu absolutamente nada e aquilo que as Câmaras queriam fazer, era ajudar, colaborar com os nossos serviços, por exemplo, de psicologia, de ação social ou com a nossa polícia municipal, para ajudar as pessoas, se calhar, menos responsáveis que contraem covid-19, para não passarem para outras pessoas e controlar o seu isolamento, mas não se pode, porque se está a violar o RGPD, o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados. Posso dizer-vos que é lamentável o que está a acontecer em Portugal e esta inércia, inoperância, esta falta de planeamento, isto é criminoso. Quem está à frente de instituições públicas e entidades públicas, com esta responsabilidade, só tem um adjetivo, isto é criminoso. Nós estamos a falar de mortes, que não deveriam ocorrer, quer seja por covid-19 ou por outro tipo de doenças que, neste momento, não estão a ser avaliadas. Não há cirurgias, nem consultas de monitorização devidas, porque está tudo focado na covid-19. Para além de tudo isto, estão a levar pessoas à ruína, nomeadamente as que vivem do comércio e da restauração, pois estão a passar uma crise brutal, porque não se pode ir a um restaurante, não se pode ir a determinados sítios, mas depois nas grandes superfícies já se pode ir e tocar em tudo e isto não pode ser verdade, o que está a acontecer é demasiado grave.

 

Então era apologista de um confinamento total?

Primeiro, era apologista de um planeamento, porque se existisse um planeamento, se tivéssemos melhores condições, mais recursos humanos, mais capacidade do ponto de vista logístico, não estávamos a passar por isto. No momento em que estamos hoje, obrigatoriamente vai ter de existir um confinamento, porque os números começam a ser preocupantes, os hospitais estão no limite e entre escolher saúde pública e economia, claro que se tenta fazer um misto e eu sou a favor disso, mas se não houver saúde pública, não há economia obrigatoriamente. Se calhar, era preferível ter coragem, porque quem está à frente de entidades públicas tem de ter coragem, essa é a primeira característica que tem de existir, de dizer que vamos sofrer durante quinze dias, mas a seguir vamos ter um futuro muito mais promissor, não vai ser tão longo e tão doloroso. Era preferível uma coisa mais curta, mais intensa, mas que iria solucionar o problema no futuro. Mas não, optou-se por um caminho mais longo, mais doloroso e mais asfixiante para toda a gente e com exceções para isto e para aquilo. Aquilo que a DGS anda a fazer com a ministra da Saúde é enganar as pessoas. Perante isto, a mim preocupa-me, porque tudo aquilo que a DGS tem feito, nós temos levado até ao limite. Eu não acredito nos números que são dados pela DGS, nem pelo Governo, os números são piores, não acredito que a principal fonte de contaminação, neste momento, seja no seio familiar, continuo a achar que há outras fontes principais de contaminação, que não no seio familiar e anda toda a gente aqui a esconder, a atirar areia para os olhos das pessoas e as pessoas começam a ficar saturadas.

 

E com essa saturação, acha que que a população começa a ser menos cuidadosa?

Começam a ter, se calhar, problemas de saúde mental. Os cuidados, a grande maioria das pessoas têm, o problema é, depois, esta saturação que existe, as pessoas começam a não respeitar as informações que são dadas pelas entidades competentes e começam a dizer “estes tipos não percebem absolutamente nada” e aí, sim, há um desacreditar das entidades competentes, porque toda a gente começa a perceber que os valores que são dados diariamente são falsos e não estão adequados à realidade. Não existe aqui uma articulação entre todas estas entidades, o que é vergonhoso. Hoje, os delegados de saúde estão exaustos, já não conseguem praticamente racionar. Eu não sei, hoje, quantos casos ativos existem no concelho da Trofa e eu não quero saber se a Trofa já teve quinhentos, seiscentos ou mil casos, quero é saber quantos tem, neste momento, ativos e aquilo que a Câmara Municipal da Trofa queria ajudar era até levar alimentação, para que as pessoas não saíssem de casa, apoio psicológico, porque existem muitas coisas que as Câmaras Municipais estão dispostas a fazer, mas não fazem, porque não têm esses dados, porque, a dada altura, a ARS proibiu os delegados de saúde de comunicarem com as Câmaras Municipais e isto tem que ser dito. Chutaram as Câmaras Municipais para canto e só pegam nas Câmaras para tomar as decisões difíceis, pelo que eu antevejo, até ao final do ano, um cenário muito negativo. Mas, obviamente, vejo a esperança ao fundo do túnel, porque vamos ter aqui uma sorte que é fazer parte da União Europeia e a União Europeia, à partida, vai adquirir todas as vacinas, em conjunto, para todos os países que fazem parte da comunidade europeia, o que é um fator positivo, porque Portugal não vai ficar de fora. Isto vai ser positivo para os grupos de risco, para as pessoas que, no fundo, são mais suscetíveis de contrair a covid-19. Portanto, prevejo que em 2021 as coisas vão começar a melhorar e voltar à normalidade, mas nada vai ser como dantes. Acho que todos temos de perceber que perdemos a nossa liberdade.

 

Mas acha que nunca mais vai ser como dantes, ou estamos a falar de um período de tempo apenas?

Vai voltar, mas vão existir, aqui, traumas, nomeadamente numa classe que eu acho que está a ser a mais atacada por isto tudo, que é a faixa acima dos 70 anos de idade, que engloba pessoas que passaram por muitas coisas e que, neste momento, o isolamento está a matá-las de dor, quando tudo isto podia ser muito diferente. É lamentável que uma geração acima dos 65 anos, que passou por uma revolução, que passou por muitas dificuldades e que nos transmitiu valores e princípios de trabalho, de família e de camaradagem, está a ser completamente colocada de lado e tratada como números, está a ser isolada, e as próprias IPSS não estão a ter ajudas. Onde é que está o Estado social? Não existe Estado social. Se não existisse o voluntarismo das pessoas que estão à frente das IPSS e autarquias, não existia Estado social, porque o Estado central esqueceu-se do Estado social há muito tempo. Posso dizer-vos que é vergonhoso termos as pessoas com mais de 65 anos a terem de passar por isto. Por medos, são pessoas que, muitas vezes, se privaram de coisas para darem aos filhos ou aos netos e que estão, agora, numa fase mais longa da vida, na qual deveriam estar a usufruir da sua família e de coisas que nunca tiveram e estão a ser privadas disso tudo. Eu não critico a DGS pela pandemia, mas critico a diretora da DGS por não ter tido a coragem, audácia, planeamento e profissionalismo e por estarmos a passar uma segunda vaga como esta e reforço que não podemos dizer o que está a acontecer nos outros países, porque Portugal tinha de estar noutro nível. Se temos dos melhores sistemas nacionais de saúde do mundo, hipoteticamente, que agora começo a duvidar, mas é sem dúvida melhor que muitos, no fundo, este SNS está a ser destruído. Como é que é possível a ARS Norte e as direções dos principais centros hospitalares, não aceitarem um hospital de campanha, que não gastava um cêntimo, que o presidente da Câmara do Porto pôs à disposição? Expliquem-me, quais são os interesses que estão aqui por trás?

 

A seu ver, os hospitais de campanha seriam a solução para os problemas dos centros hospitalares e, seguindo o exemplo que mencionou há pouco, do Hospital de Penafiel?

E o de Famalicão e de muitos outros hospitais. Legionella, outra vez? Estamos a andar para trás. Quando nos falam em investimento, o investimento não está a chegar. Os ventiladores que foram comprados por privados chegaram primeiro do que os que foram adquiridos pelo Estado central. Então, os privados têm mais força do que o Estado central? Onde é que está o apoio às empresas do setor têxtil, da hotelaria, da restauração? Quantas empresas estão à espera destes apoios, para pagarem a pessoas que trabalharam uma vida toda e que vão ver o seu percurso de trabalho desfeito? Nós não podemos tratar os dez milhões de portugueses como números, temos de tratar como pessoas e eu percebo que quem está em Lisboa, muitas vezes não sai daquela realidade, mas existe um outro país, para além de Lisboa. Onde está a força do trabalho é no Norte, quando o Norte cresce, Portugal cresce. A bazuca financeira nunca mais chega, o Estado podia-se antecipar e não o faz e eu prevejo, sem negativismo, mas com realismo, que vamos passar dois meses muito complicados. Eu preferia, na minha opinião, apesar de não ter os dados todos, mas com o que me vai chegando, implementar quinze dias de um confinamento total e, depois, começar a regressar à normalidade, e, se calhar, com isto, achatávamos, claramente, essas curvas e voltávamos a ter espaço para dominar esta pandemia, que está em descontrolo. Aliás, ela nem em agosto esteve controlada, porque não houve trabalho, planeamento, nem organização, não houve absolutamente nada por parte destas entidades e é por isso vemos as críticas do bastonário da Ordem dos Médicos, do bastonário da Ordem dos Enfermeiros, do presidente da Confederação do Comércio, da Restauração, porque são críticas que têm factos e argumentos, porque não existiu trabalho.

 

Apesar de, como aludiu, não ter os dados, pode dizer-nos qual é a atual situação pandémica do município da Trofa?

Aqui, na Trofa, se há quinze dias atrás as pessoas olharam para a Trofa, quando saiu num jornal de tiragem nacional, o Expresso, que a Trofa era o único concelho que não estava pintado a escuro e que todos os concelhos da Área Metropolitana do Porto estavam, os concelhos que fazem limite, nomeadamente, com o distrito de Braga, até Esposende. Nós quando olhávamos para aquele diamante, ou aquele coração que estava lá no meio e não aparecia pintado na mesma cor, percebemos que passada uma semana iria pintar. Se tudo à volta estava pintado de negro, também a Trofa iria lá chegar. Foi o último município resistente, no fundo, fruto da população e das medidas. A escola está a correr bem, há casos, mas está a existir colaboração entre as professoras, as coordenadoras, os agrupamentos, o setor da educação e a ação social da Câmara Municipal. Estamos a fazer esse trabalho quase em paralelo e este trabalho devia ser em articulação com as delegações de saúde. É medida a temperatura, com tudo aquilo a que as pessoas têm direito e, ao mínimo sintoma, aquele aluno é logo colocado em casa e depois há um controle relativamente a isso. As escolas estão a correr bem aqui no concelho da Trofa, há casos, houve, existiram. Vai continuar a acontecer? Vai. Agora, não entendo esta descoordenação total.

 

O Sérgio Humberto disse que os próximos dois meses vão ser muito complicados. Quais são as suas previsões até ao final deste ano e início do próximo na Trofa?

Estes dois meses vão ser duros, tal como vão ser em todo o país. Nós não vamos, possivelmente, ter um Natal como nós queremos, infelizmente, e essa notícia foi dada até de forma leviana pelo Presidente da República. Como não vamos ter uma passagem de ano, como todos gostaríamos. Aquilo que a Câmara Municipal tem feito, essencialmente, através dos serviços de psicologia e dos serviços de ação social, é, no fundo, dar apoio a todas as pessoas. Há uma coisa que eu posso garantir aos trofenses é que não vai haver uma pessoa a passar a fome no concelho da Trofa e isto não vai inviabilizar a quebra de qualquer investimento nos Paços do Concelho, como já vos disse, mas, para nós, a prioridade, mais do que qualquer obra, são as pessoas. O que eu posso garantir a toda a população é que nenhuma pessoa, daquelas que sabemos e para as quais estamos disponíveis, vai passar fome, obviamente que todas que necessitem devem recorrer aos serviços da ação social da Câmara Municipal, porque ninguém vai passar fome. Não vai ficar uma criança sem comer, não vai ficar um idoso sem comer, nem por ter cuidado. Este é um princípio e há limites que não vão ser ultrapassados, porque estamos a trabalhar para quem esteja a passar por um momento mais complicado, pois pode acontecer a qualquer um e é aqui que o serviço público deve atuar. O investimento social vai continuar a ser aquele que for necessário. É claro que, há coisas que não podemos fazer, infelizmente, pois não podemos ajudar o comércio, porque por mais que queiramos, tem de ser o Estado central a fazê-lo, assim como o setor da restauração. Estamos disponíveis para chatearmos e temos feito isso, e com esta entrevista também o estou a fazer, para alertarmos, no fundo, as mentes que lideram o país, em Lisboa, para estas questões, porque, aqui, tem de ser o Estado central a tomar estas medidas, não só para a Trofa, mas para todo o país. Tudo aquilo que a Câmara pode fazer, está nas suas competências e, se calhar, até já passou as suas competências, muitas vezes, tem feito. Mas, quero deixar uma mensagem de esperança para 2021, que chegue rápido a vacina e, aqui, entram outro tipo de interesses mais internacionais, onde está a ética, a deontologia e o bem comum, todavia que 2021 possa ser um ano de restabelecimento, que as pessoas aprendam com o que se passou na pandemia, que é uma prova de vida, que todos possamos dar mais valor àquilo de que muitas vezes nos esquecemos, que é o essencial, em detrimento do acessório. Todos temos de ter consciência de que somos finitos e temos de dar muito mais valor àquilo que é o principal, que é a família, os amigos, o convívio, o encontro da felicidade e o trabalho, que também contribui para a nossa felicidade e o trabalho em prol do nosso país, da nossa região, de qualquer território e que as pessoas retirem desta experiência de vida as coisas boas, mas também as menos boas. Eu não imagino estarmos a passar em fevereiro ou março por uma terceira vaga, é claro que as autarquias vão ter esse cuidado, possivelmente até março não vai ser possível a realização de iniciativas ou aglomerações, é o que tem sido delineado pelo menos nos concelhos da AMP. E posso já adiantar que, pela primeira vez nos últimos anos, porque foi um legado que recebi como presidente, foi os impostos todos no máximo, no próximo orçamento da Câmara Municipal nenhum imposto vai estar no máximo e eu estou a falar da derrama, que vai ser reduzida em cinquenta por cento para empresas que têm lucros até 150 mil euros, vamos baixar o IRS e vamos ter o IMI familiar, no fundo, para dar uma pequena ajuda às famílias. No fundo, queremos continuar a ajudar e continuar a tornar a Trofa num concelho de referência, não só na região Norte, mas também no país e do ponto de vista internacional. A Trofa é, claramente, um território em franco desenvolvimento e transformação, com emprego, com qualidade de vida, com futuro, sobretudo, porque o futuro será e passará sempre por aquilo que vai ser a Trofa. A Trofa está a afirmar-se no panorama quer regional, quer nacional e internacional e temos tido grandes conquistas, como a dos Santeiros.

 

Nesse seguimento e falando, agora, no concurso que levou os Santeiros de São Mamede do Coronado, a serem eleitos uma das 7 Maravilhas da Cultura Popular Portuguesa. O executivo da Câmara Municipal da Trofa tem sido criticado e acusado de gastar 75 mil euros em chamadas, com vista à conquista do galardão, que promoveu a arte sacra trofense, no programa que foi emitido pela RTP. Não ficou nada por fazer por causa deste investimento?

Isto foi um investimento. A questão dos 75 mil euros, que gastamos com os Santeiros, era algo que já deveria ter sido feito há muito tempo. Depois desta pandemia vai existir vida e o que nós fizemos com os Santeiros, advém do facto existir a possibilidade de um parque infantil não existir daqui a quarenta ou cinquenta anos, de uma estrada em que estamos a investir cerca de um milhão e trezentos mil euros poder estar desgastada e também deixar de existir, mas garanto-vos que, daqui a cem anos, dois séculos, três séculos ou quatro séculos, as pessoas vão recordar-se e vão lembrar-se, porque os Santeiros de São Mamede do Coronado são uma das Sete Maravilhas da Cultura Popular. Sobre o ataque, pela oposição, nomeadamente pelo Partido Socialista, que é feito ao gasto, posso dizer-vos que este dinheiro não foi tirado da ação social, nem da educação. Não ficou nada por fazer. Aliás, o investimento que tem existido nos Santeiros tem sido contínuo e vai continuar, nós vamos continuar a gastar, até porque vamos candidatar os Santeiros a Património Imaterial da Humanidade da UNESCO. Portanto, vai continuar a existir um investimento, porque os Santeiros estão, hoje, onde já deveriam estar há muito tempo e nunca existiu um executivo municipal, no fundo, a olhar para o património fundamental e principal de um território e a fazer uma verdadeira aposta, desde a aquisição do espólio, do lançamento de livros de testemunhos de pessoas que hoje já cá, infelizmente, não estão entre nós e é algo único que se faz no mundo. Como tal, se a única coisa que a oposição tem a atirar-nos à cara é a questão de termos gasto cerca de 75 mil euros nos Santeiros, que, isto só muito rápido, com aquilo que reduzimos em rendas ainda sobra e podíamos fazer este investimento todos os anos, o que é bom sinal. Porquê? A dívida está reduzida e está reduzir para reduzirmos os impostos, também está a haver obra, estamos com as contas em dia e temos investido na educação fortemente, como nunca se fez, temos investido nas pessoas, temos criado emprego, têm-se criado novas empresas, mais qualidade de vida. Então, se a única coisa que podem dizer é que a Câmara Municipal gastou 75 mil euros em chamadas, e aqui a transparência foi total, porque a Câmara Municipal em circunstâncias normais, aliás, nem é isso, o contrato que a Câmara tem de comunicações não é para chamadas de valor acrescentado e nós fizemos um contrato único de chamadas de valor acrescentado, relativamente a isso, para, no fundo, criar e galvanizar a comunidade, porque houve muitos municípios, se não foram todos, foram quase todos que fizeram isto, em qualquer concurso das 7 Maravilhas. Por isso, nós fomos apenas uma pequena parte, porque para criar esta dimensão e para termos ficado em primeiro lugar nas 7 Maravilhas da Cultura Popular Portuguesa, este dinheiro não chegou, este dinheiro não chegava. Houve muita gente. Isto foi um incentivo inicial, no fundo, e, portanto, é algo que é, claramente, encarado como um investimento. E se me perguntarem se eu voltava a fazer o mesmo, eu respondo mil vezes, sim. Mil vezes, sim, porque é, claramente, um investimento que vai ficar para toda a vida. Agora, se querem criticar por esta questão, ou se querem criticar porque a Câmara Municipal comprou, pela primeira vez, telemóveis, em sete anos, por seis mil euros, que são instrumentos de trabalho, mas não criticaram porque o presidente de Câmara não tem motorista, não criticaram porque o presidente de Câmara comprou um carro em segunda mão, não criticaram porque a Câmara comprou um trator, para tratar as faixas de gestão de combustível e não criticaram a realização de obras, porque não podem. E portanto, atacam pela parte mais baixa. Mas, como eu já disse, eu gostava de ter uma oposição forte, credível e que não jogasse baixo.

 

E não tem?

Não. Existem três Partidos Socialistas na Trofa. Existe o Partido Socialista, que é de Joana Lima e seu sobrinho, existe um Partido Socialista do anterior, do Dr. Luís Cameirão, que tentou dar um tom diferente ao Partido Socialista, mas não conseguiu fazê-lo e existe um Partido Socialista de pessoas arrumadas, que são as mais válidas, com quem, felizmente, que posso contar, porque as pessoas válidas que foram a favor, no fundo, da criação do concelho da Trofa, independentemente contra o sentido de voto do Partido Socialista, em termos nacionais, estas não estão com este Partido Socialista. Este Partido Socialista é, no fundo, de meia dúzia de pessoas lideradas pela ex-presidente de Câmara, que fez só borrada, que foi a pior presidente de Câmara que podia ter passado nos 308 municípios, em toda a história de Portugal, que aumentou a dívida sem fazer obra, que é algo inédito, em volumes, pois aumentar só na Câmara Municipal, fora nas empresas, mais de dez milhões de euros, sem pregar um prego, isto é uma desfaçatez. E, hoje, este Partido Socialista, que é liderado pelo seu sobrinho e pela sua tia, é o mesmo que colocou os impostos no máximo entre 2009 e 2013. Portanto, é o mesmo Partido Socialista que joga baixo, rasteiro e que sei que vamos ter na Trofa, a campanha mais baixa feita pelo Partido Socialista, desde a história do nosso concelho, mas, os trofenses sabem ver, sabem perceber de que lado é que está o trabalho e de que lado é que está o populismo, conseguem perceber e diferenciar como já aconteceu em 2017 e, obviamente, que muita coisa boa aconteceu até ao dia de hoje e a revolução que aconteceu nos últimos sete anos, como eu disse, a reduzir e a fazer grandes obras, portanto, agora, infelizmente não existe esta oposição. Eu gostava de ter uma oposição que fosse credível, construtiva. Reparem bem que a oposição, relativamente à pandemia, propôs a Câmara Municipal gastar cerca ou mais de três milhões de euros. Eles nem contas sabem fazer, porque é o verdadeiro populismo, quando se fala de um André Ventura, ou quando se fala de um Trump, nós podemos dizer que temos uma coisa em miniatura aqui na Trofa, que é a procura do oportunismo e do achincalhamento. Já estamos habituados. Há uma coisa que eu posso garantir é que nem os Santeiros podem sair beliscados, nem a freguesia de São Mamede de Coronado, nem o concelho da Trofa e aquilo que lhes posso garantir é que se eles não gostam da Trofa, 99,9 por cento das pessoas gostam da Trofa, tanto as que cá vivem, como as que não vivem e que gostam deste concelho.

 

Perante as suas anteriores declarações, podemos depreender que se vai recandidatar. A sua decisão já está praticamente tomada?

Obviamente que se os dois partidos que suportam a coligação que é o PSD e o CDS se entenderem, eu estou disponível para me recandidatar. Obviamente. É uma decisão que está tomada do ponto de vista pessoal, falta tomar do ponto de vista partidário, porque há muita coisa boa que vai acontecer nos próximos anos e obviamente que sinto que o trabalho ainda não está concluído e que se há coisa que não falta é vontade, motivação, sangue, suor e lágrimas e, no fundo, ideias e planeamento para a Trofa. É isto o que tem acontecido nos últimos anos e que vai continuar a acontecer nos próximos, porque a Trofa vai entrar e já está no carril de se afirmar como um dos grandes territórios a nível nacional.

 

Para além dos investimentos referidos anteriormente, que outros projetos anseia que se desenvolvam futuramente no concelho da Trofa?

A criação, obviamente, de um verdadeiro auditório e de um museu, em simultâneo, na Trofa, que faz falta. Esse, se calhar, era aquele que eu mais destacaria daqueles que estão a ser trabalhados. Obviamente que estão a ser trabalhados outros e são alguns, não são tão poucos quanto isso, mas se calhar algo que a Trofa precisa já, e já há algum tempo, e este obviamente será sempre para começar depois de 2022, é da construção de um verdadeiro auditório que possibilite termos um espaço cultural e também um museu no concelho da Trofa, este era aquele que, se calhar, eu mais destacaria entre muitos. Para 2021 e 2022 já está tudo decidido, já está planificado. Nós estamos a trabalhar já para 2023, 2024 e 2025.

 

Então podemos concluir que acredita que será reeleito presidente da Câmara Municipal da Trofa?

Eu acredito em deixar trabalho e em deixar nas mãos dos trofenses, no fundo, a decisão. Independentemente de tudo, de quem está à frente, ou em quem os trofenses confiaram, com uma votação extraordinária, nas últimas eleições, só tem é de trabalhar, porque para os Paços do Concelho hoje estarem em obra, há quatro anos e meio atrás já existia trabalho, para termos obra em 2023 o trabalho tem de começar a ser feito hoje. O tal planeamento e, portanto, aquilo que nós estamos a fazer hoje, além de ter de contemplar a gestão do dia-a-dia, também tem de solucionar estas questões da pandemia, pontuais, no terreno. Nós estamos a trabalhar em projetos para 2022, 2023, 2024 e 2025 e, se calhar, até em projetos macro mais à frente, porque já chega aquilo que eu herdei, que é chegar à Câmara e não ter absolutamente projeto nenhum da Câmara Municipal. O único projeto que eu recebi da minha antecessora foi a Loja Interativa do Turismo e esse projeto foi feito pelo TPNP (Turismo do Porto e Norte de Portugal) e, portanto, não quero deixar aos outros aquilo que eu recebi, é esse o trabalho que o executivo está a fazer diariamente.

 

 

 

Autarca trofense ressalta que, este ano, o Natal será diferente, mas vivido da mesma forma

 Sérgio Humberto, presidente da Câmara Municipal da Trofa, revela, em entrevista ao AUDIÊNCIA, que o Natal diferente que se avizinha deve ser vivido da mesma forma, mas menos materialista e mais humanista e apela à população para que realize as compras no comércio local. Para 2021, os desejos prendem-se com tudo o que 2020 e a pandemia roubaram, nomeadamente a saúde e a possibilidade das pessoas estarem com aqueles que mais amam, e com muita esperança num futuro melhor.

 

 

Presidente, pode contar-nos como tenciona passar este Natal?

Em família, como sempre. Nós devemos dar um enorme valor à nossa família e vai ser com os meus pais, com o meu filho e, possivelmente, não vou ter o meu irmão. Não vou ter o gosto de ter o meu irmão, porque ele vive em Londres e, provavelmente, vai ser uma das pessoas afetadas e não vai poder partilhar, connosco, o Natal em família. Vai ser um grupo muito restrito, como deve imaginar, mas também não vai ser muito diferente daquilo que era nos anos anteriores, vai ser estar perto daqueles que mais amamos e fazer uma entrega simbólica das prendas. Posso dizer-vos que não sou uma pessoa, em termos individuais, materialista, eu gosto muito mais de dar, do que de receber e o gosto maior que eu tenho no Natal, e eu sou defensor acérrimo, eu vivo o Natal de forma muito entusiasta, obviamente que me vou privar de muitas coisas, como dos jantares com os amigos, aliás, o facto de ser presidente de Câmara também já me privou disso, porque me retirou essa parte, mas reforço aqui uma coisa, eu amo aquilo que faço, eu sou um feliz no trabalho que desenvolvo. Mil vezes ser presidente de Câmara, do que ser deputado da Assembleia da República e eu escolhi, no fundo, estar à frente da Câmara, as pessoas da Trofa confiaram em mim e eu não me queixo de absolutamente nada. Não me queixo de trabalhar sete dias por semana, se for preciso 24h por dia e 365 dias por ano. Posso dizer-vos que, por exemplo na Trofa, só para imaginarem o ponto de vista que limita a nossa vida pessoal e que é difícil para quem vive connosco, existem 22 procissões, se dividirmos isto pelos fins de semana, imaginem quantos fins-de-semana e não estou a falar do movimento associativo, que tem cerca de 132 associações, por isso imaginem a agenda de quem está à frente da presidência da Câmara Municipal aos fins-de-semana, é uma loucura. Posso dizer-vos que no ano de 2019, claro que este ano de 2020 foi diferente, tive muitos mais fins de semana para mim, mas no ano de 2019 tive apenas dois domingos livres, não foram dois fins de semana, foram dois domingos livres. Portanto, o Natal vai ser, obviamente, diferente este ano, mas vivido da mesma forma.

 

Acredita que é importante manter alguma normalidade, apesar da atual situação que vivemos?

Claro que é importante. É claro que a Câmara Municipal investiu na iluminação. Podemos ser criticados por investir na iluminação de Natal, mas a vida continua a existir além da pandemia. Faço um apelo às pessoas da Trofa, porque é isso o que eu faço, para que sempre que possível, porque às vezes não é possível, comprem no comércio local, que ajudem, no fundo, e que isto seja extensível a todos os portugueses, que comprem no comércio local e não nas grandes superfícies, porque estão a ajudar famílias, rostos que estão a passar por uma maior dificuldade. O Natal também é isto, o Natal devia ser celebrado muitas mais vezes, mas o Natal traz ao de cima aquilo que nós de melhor temos e, portanto, o meu Natal vai ser com batatas cozidas e bacalhau, não há peru, eu como roupa velha na consoada, porque é uma das coisas de que eu gosto e, portanto, se estiver com os meus pais, se estiver com o meu filho, se estiver em família, estou bem, obviamente que vai ser da mesma forma, privando-me de estar com o meu irmão, por força das circunstâncias, que tenho de compreender, mas vai ser desta forma. Aquilo que apelo a todos os trofenses é que também o façam desta forma, obviamente que em família, aquilo que seja o normal e em segurança.

 

Neste contexto, que mensagem gostaria de deixar aos trofenses?

A mensagem de Natal que eu queria deixar aos trofenses é, primeiro, que usufruam do Natal, se calhar com menos materialismo e com mais humanismo, mais gestos, mais mimo e este pode ser por palavras e por presença e não, infelizmente, por contacto, porque esse vamos ter de deixar de lado. Aproveitem porque a vida é, e tenho-o dito muitas vezes, finita e nós temos de saber aproveitar as coisas que são essenciais e o Natal é algo essencial, é algo que reforça os laços da família e, portanto, é isto o que eu desejo, dentro de todas as condicionantes que estamos a viver e que será um Natal completamente diferente daquilo a que estamos habituados, mas que possam usufruir daquilo que é, realmente, o espírito de Natal. Em paz, em harmonia, com saúde e é isto o que eu desejo a todos e que o ano de 2021, aliás, quando eu estiver a comer as doze passas na passagem de 2020 para 2021, uma delas será para que a pandemia se extinga, que essa seja uma passa comum a todos, porque 2021 tem, obviamente, de nos trazer esperança, tem de nos trazer emprego para aquelas pessoas que perderam o seu emprego, tem de trazer esperança para aquelas pessoas que a perderam, tem de trazer saúde para aquelas pessoas que também a perderam, tem de trazer carinho, tem de trazer afetos, tem de trazer tudo aquilo que a pandemia nos tirou e que possamos viver em 2021 com uma reforçada convicção de que o futuro é promissor e de que vão acontecer coisas boas. Como tudo na vida, há momentos mais fáceis e mais difíceis, este é um momento difícil, mas que vamos ultrapassar e, obviamente, estamos cá para colaborar em tudo o que é feito. Reforçando aqui tudo o que eu disse anteriormente, desejar um excelente Natal, a todas e a todos os trofenses, um excelente 2021, em família, com amigos, com esperança, mas, sobretudo, com a convicção de que o futuro vai ser bem melhor do que aquilo que é hoje.

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