Em plena pandemia, Cipriano Castro falou, em entrevista ao AUDIÊNCIA, sobre o seu segundo mandato à frente dos destinos da Junta de Freguesia de Avintes, sobre o cancelamento da Festa da Broa, sobre a atual situação das coletividades e demonstrou a sua vontade de continuar a servir os avintenses, afirmando que “há uma predisposição e vamos ver se depois haverá essa abertura ou se haverá essa concretização”.

 

 

Como estão os avintenses a lidar com esta situação pandémica, que está relacionada com a proliferação da covid-19 em Portugal e no mundo?

Em geral, os avintenses têm cumprido com aquilo que têm sido as diretrizes da Direção-Geral da Saúde e, globalmente falando, as coisas têm corrido bem. Naquilo que diz respeito concretamente à Junta de Freguesia, as medidas que nós tomamos, em consonância com a Câmara Municipal foram, nomeadamente, o encerramento do cemitério, a suspensão dos sanitários que existiam na freguesia, a suspensão do funcionamento do Centro de Convívio de Magarão, que é um centro que está sob a nossa responsabilidade e gestão, o encerramento da Casa da Cultura e o encerramento da Biblioteca. Portanto, foram, essencialmente, estas as medidas e, em termos de serviços da Junta de Freguesia, nós tivemos também durante um período com o funcionamento reduzido e no qual prestamos serviços só da parte da manhã e, sempre que possível, por marcação. Aos poucos temos vindo a aliviar as medidas, portanto, o cemitério já pôde reabrir, a Casa da Cultura e a Biblioteca também já reabriram esta semana, ou seja, temos vindo a desconfinar lentamente e foram estas as medidas que nós tomamos diretamente. Depois, há a parte referente ao apoio social, que também teve a ver diretamente com esta pandemia e, nomeadamente, em colaboração com a Câmara Municipal de Gaia e com o Agrupamento de Escolas Gaia Nascente, passamos a recolher em Gaia e a distribuir, aqui, na Junta de Freguesia as refeições para os alunos que requisitaram a refeição em casa e que vinham aqui levantar as refeições. Também alguns idosos e outras pessoas que vivem com algumas dificuldades registaram-se aqui e nós também trazíamos as refeições para eles, que continuamos a entregar. O executivo também não fez reuniões públicas e foi essencialmente aí que nós tomamos as medidas principais.

 

Quais foram as maiores dificuldades que o executivo encontrou no combate à covid-19?

As dificuldades foram, essencialmente, dar resposta logo no início a algumas pessoas que começaram aqui a aparecer a pedir apoio. As dificuldades foram no sentido de que nós não estávamos, propriamente, a contar com isso. Nós temos aqui, em Avintes, a Abrigo Seguro, que é uma IPSS que tem uma intervenção muito grande no terreno, nomeadamente em articulação com o Banco Alimentar e que distribui muitos cabazes alimentares, também com a nossa colaboração, porque nós é que transportamos, todos os meses, os alimentos do Banco Alimentar para a Abrigo Seguro e, depois, a Abrigo Seguro trata da distribuição dos mesmos. Portanto, nos articulamos com a Abrigo Seguro, quando algumas pessoas começaram a aparecer aqui, que aumentou a distribuição de cabazes. Em alguns casos fomos nós mesmos que, numa situação de emergência, entregamos os cabazes. Portanto, foi um pouco esse período de adaptação a uma tarefa que, em geral, nós já não estamos a fazer. Nós, quando chegamos aqui, há uns anos atrás, tínhamos a entrega de refeições, mas, entretanto, isso foi-se alterando, portanto, nós já não tínhamos esse serviço, mas começamos com a nossa técnica social a fazer esse tipo de apoios, a entregar ao almoço, as refeições às crianças, foi essa adaptação, mas, de resto, não houve nenhum problema. Por exemplo, no cemitério também estivemos presentes, no início, para fazer ver às pessoas que não podiam entrar nos primeiros funerais. Também na altura aconteceram três casos de tragédia, em que as pessoas queriam manifestar solidariedade para com os familiares e a realização de funerais com um grande número de pessoas não era possível, criou momentos de algum stress, porque tivemos de tomar medidas, no sentido de as pessoas não poderem entrar no cemitério. Portanto, esses primeiros dias foram, no geral, mais difíceis, porque ninguém estava à espera disto e, por isso, houve alguma dificuldade, mas, depois as coisas começaram, dentro do possível, a ficar mais normalizadas.

 

Que projetos e iniciativas foram adiadas ou completamente descartadas devido à difusão do novo coronavírus?

A nível de iniciativas adiadas, foram, essencialmente, eventos. Nós adiamos os eventos, também em consonância e em articulação com a Câmara Municipal de Gaia, portanto, e com as outras freguesias de Gaia. Os festivais de verão foram suspensos ou adiados, no nosso caso, nós suspendemos a Festa da Broa, o passeio da terceira idade, o Concurso de Cascatas de São João, que era organizado por nós, portanto, todas as atividades que se realizavam durante o verão. O passeio da terceira idade e a Festa da Broa foram as principais atividades que ficaram canceladas para este ano. Em termos de atividade no terreno, nós mantivemos o pessoal a fazer alguma manutenção quer dos espaços, dos jardins, das ruas e aproveitamos, por exemplo, o encerramento do cemitério para fazer a recuperação dos passeios do cemitério e fizemos mais de 100 metros de passeios que estavam estragados. Portanto, não houve nenhuma intervenção, em termos de atividade no terreno, que tivesse sido suspensa, apenas os eventos.

 

O Cipriano mencionou o cancelamento e o adiamento de inúmeras iniciativas, nomeadamente do passeio anual da terceira idade, que é organizado pela Junta de Freguesia. Como é que o executivo vai compensar os avintenses?

Uma das coisas que nós também fizemos durante este período foi criar, através de um grupo de voluntários, um serviço, através do qual fizemos as compras nos supermercados, nas farmácias e também chegamos a levantar alguns vales de reforma e isso também foi um apoio que demos a essa faixa etária, que ficou mais debilitada devido à pandemia. Uma das coisas que nós cancelamos foi a colónia balnear, portanto, nós, neste momento, ainda não definimos, em concreto, o que vamos efetivamente fazer para superar estes cancelamentos. Nós estamos a pensar e temos pensado no assunto, que também já foi alvo de conversas juntamente com os meus colegas das outras freguesias e com o próprio presidente da Câmara, para tentarmos encontrar soluções e podermos “beneficiar as pessoas que ficaram prejudicadas”, pela não realização das atividades. Não temos ainda nada definido. Só para lhe dar um exemplo, aquilo que nós temos feito noutras faixas etárias, mas que aqui achamos que não é muito viável, por exemplo, quando foi o 25 de Abril, nós não realizamos cerimónias nem as habituais atividades que costumávamos concretizar, a única coisa que fizemos foi o hastear das bandeiras, que decorreu de manhã e para o qual convidamos todos os partidos, mas, por exemplo, durante a tarde reproduzimos um vídeo, que está publicado nas redes sociais, com poesia e músicas relacionadas com o 25 de Abril e, então, durante meia hora foi difundido e foi uma forma de comemorar o 25 de Abril. No Dia Mundial da Criança não aconteceram os habituais espetáculos comemorativos em articulação com as associações e nós também produzimos um vídeo, em que convidamos a Ilha Mágica, os Plebeus Avintenses e a ACMA, que tem atividades com jovens e crianças e, juntamente com eles, foi produzido um vídeo também com cerca de meia hora, que está também disponível e convidamos as crianças a enviar-nos desenhos que estão, neste momento, no Largo do Palheirinho, expostos numa corda e fizemos este tipo de alternativas. Portanto, no caso do vídeo, em que as crianças mostraram, um pouco, as suas atividades, tem desde dança, música, teatro, tudo misturado, portanto, convidamos o Franklin Cardoso, que já tem colaborado connosco na Festa da Broa, para produzir o vídeo e, portanto, fizemos isso. Para a terceira idade, não nos parece que as redes sociais, por exemplo, possam ser um veículo alternativo de informação, ou, pelo menos, não temos, neste momento, nada em concreto. Já pensamos em fazer alguns convívios ao ar livre, portanto, sem ter de fazer a deslocação, mas ainda não está nada em concreto, mas, eventualmente, no mês de agosto, aos fins de semana, e não todos aos mesmo tempo, poderemos eventualmente pensar em convívios com os idosos num local amplo, aberto, onde possamos ter música e alguns petiscos. Esta é uma coisa em que temos vindo a pensar, mas também vai depender de como é que as coisas vão evoluir e se vão evoluir positivamente, no sentido de existirem menos restrições, será uma hipótese, mas se as coisas retrocederem e se começar a haver mais dificuldade, no sentido de um regresso ao isolamento, aí não poderemos fazer. Não temos, muito sinceramente, nada definido, temos apenas várias hipóteses e estamos a ver.

 

Neste seguimento, o orçamento que se destinaria a essas atividades vai ficar suspenso até à definição de uma iniciativa onde ser aplicado?

Não, nós fizemos uma revisão orçamental, que normalmente é só para incorporar o saldo do ano transato, mas nesta altura fazemos a avaliação das contas na mesma Assembleia de Freguesia e depois incorporamos na revisão. Nós, este ano, conscientes de que já não íamos fazer a Festa da Broa, de que não íamos ter a colónia balnear, nós já fizemos alguma adaptação do orçamento e, portanto, aproximamo-nos de números mais reais, porque nós fazemos a Festa da Broa, gastamos dinheiro na Festa da Broa, mas também recebemos uma parte significativa da Câmara Municipal, que já não vem, porque não vai haver Festa da Broa, nos moldes, pelo menos, habituais. Relativamente à Colónia Balnear, há uma parte que é a Junta de Freguesia que suporta, mas há outra parte que é a Câmara que nos apoia e nós não vamos receber essa parte. Portanto, nós já reafectámos algumas verbas e reinvestimos na freguesia, nomeadamente, no arranque do Parque de Estacionamento na zona do Palheirinho, nas traseiras da Capela do Palheirinho, vamos também dedicar alguma parte, alguma verba, para efetivamente, poder, portanto, apoiar as pessoas que necessitem devido, por exemplo ao desemprego, nós também apoiamos em medicamentos e em cabazes, portanto, também reafectámos algum valor para isso e, nomeadamente, também vamos fazer alguma recuperação da rede viária, com o apoio da Câmara Municipal de Gaia, que nos vai apoiar nesse capítulo e nós vamos fazer investimentos no melhoramento da rede viária, portanto, houve alguma adaptação nesse sentido. Temos ainda verbas para as iniciativas, no caso de elas se realizarem, mas não com a dimensão que tinham. Provavelmente, se não houver nenhuma atividade, nem a Festa da Broa nem nada, esses montantes, que ainda estão reservados, serão encaminhados para apoiar diretamente as associações, que habitualmente faziam parte do evento, porque um dos grandes problemas que nós temos com a não realização da Festa da Broa, por exemplo, mais do que a animação que traz à população e da promoção da freguesia, é também o problema das associações que, habitualmente, fazem parte da Festa da Broa e tiram de lá uma grande percentagem do seu orçamento anual e, este ano, não havendo a Festa da Broa, vão ficar limitados e eu acho que muitas associações que tiram, por exemplo, 10 mil euros, durante os 10 dias de realização da Festa da Broa, vão ficar sem esse montante no orçamento e é evidente que nós não vamos poder compensar as associações com o mesmo montante que elas normalmente lucram, mas temos pensado e já fizemos uma reunião com as associações que quiseram vir, no âmbito do Conselho Consultivo do Associativismo, e também para nos apercebermos das dificuldades e para lhes dizermos que não vai haver Festa da Broa e elas também têm de ter algum cuidado em readaptar o seu orçamento, tendo consciência de que não vão ter isso, mas percebendo quais são as suas dificuldades para, dentro daqueles limites que nós temo, possamos apoiar, portanto, com o dinheiro que gastaríamos na Festa da Broa, de forma a que toda a estrutura seja encaminhada para as áreas sociais e culturais da freguesia.

 

Avintes tem um movimento associativo muito forte e o Cipriano garantiu que a Junta de Freguesia tem como objetivo apoiar as coletividades locais. Perante isso, pode dizer-me qual é a situação atual das associações e das instituições avintenses?

No seguimento da reunião e por aquilo que nós soubemos, de uma maneira geral, todas as coletividades suspenderam, durante o período mais crítico, as suas atividades e, neste momento, estão a começar a reabrir. Portanto, o Clube Recreativo Avintense, o Grupo Mérito e os Plebeus, que têm espaços de bar, já começaram a reabrir nestes dias e vão voltar a permitir que os seus associados possam frequentar as instalações. No caso, por exemplo, do Futebol Clube de Avintes, que movimenta também muitos jovens, está completamente parado e está a preparar a nova época, mas ainda à espera de orientações que venham quer da parte estatal, quer da própria Federação e Associação de Futebol do Porto. Outra associação que tem muito movimento com jovens e não só é a ACMA, a Associação Cultural e Musical de Avintes, que tem várias valências e, neste momento, a banda musical está completamente parada, não há festas, não há romarias, o período áureo das bandas musicais está parado. A Universidade Sénior, também é uma valência da ACMA que está parada e fizeram, a convite da Junta, umas máscaras, as chamadas máscaras sociais, com materiais facultados pela Junta, mas, no geral, estão mais ou menos parados e as próprias aulas de música e de ginástica e assim, estão a funcionar em videoconferência, o que é sempre muito limitado e em termos de sede, têm, neste momento, a sede fechada. As nossas associações é evidente que sofreram com esta pandemia e todas elas manifestaram alguma preocupação, porque é óbvio que as que têm bares ao estarem durante dois meses fechadas, isso representou uma redução grande da sua atividade e do seu orçamento e o pagamento das quotas também se tornou mais complicado, porque os próprios associados não frequentam as sedes. As associações e coletividades estão com algum receio e o facto de também não haver a Festa da Broa, fez com que elas manifestassem alguma preocupação, temos por exemplo o caso dos bombeiros, que embora tenham um apoio municipal e estatal também costumam fazer parte da Festa da Broa e ficaram algo preocupados. Portanto, neste momento, existe algum receio das consequências em termos de receitas, porque estão a diminuir e isso depois vai refletir-se nas atividades. No caso dos Plebeus, eles estão a pensar, mas ainda não sabem muito bem como vão fazer, o Encontro de Teatro, que já tem mais de trinta anos, mas não sabem muito bem como é que as coisas vão estar em outubro. Portanto, é um período de muitas incertezas, que, naturalmente, afeta as associações que gostam de ter algum planeamento.

 

Falando em cultura, a Freguesia de Avintes possui inúmeros espaços culturais, entre os quais podemos destacar a Biblioteca e a Casa da Cultura Francisco Marques Rodrigues Júnior, que são muito relevantes para os avintenses. Qual é a importância e quais são as valências destes espaços?

Em termos culturais, nós somos uma freguesia com várias associações nessa área e mais fortemente no que diz respeito ao teatro eu sei que a ACMA na música, com a banda, também tem uma certa influência, mas sem dúvida que aqui reina mais o teatro. Portanto, nós temos duas associações que são o Grupo Mérito e os Plebeus, que fazem regularmente teatro e depois temos a Ilha Mágica, mais numa vertente da infância, que são associações que continuam com a sua atividade. Tanto os Plebeus, como o Grupo Mérito tinham peças no ativo, que ficaram completamente paradas e aos bocadinhos estão a começar a iniciar a abertura das sedes, para começarem a pensar em novas produções teatrais e mesmo no futuro Encontro de Teatro que ocorre, normalmente, em outubro. Na parte da Casa da Cultura, nós aproveitamos a antiga Escola do Palheirinho, para transformá-la na Casa da Cultura Francisco Marques Rodrigues Júnior, que tem três associações lá residentes, isto é, com sede na Casa da Cultura, que é a Associação Abientes, a Confraria da Broa de Avintes e a Ilha Mágica, que têm instalações próprias dentro da Casa da Cultura e ainda o Festival de Fotografia iNstantes, que também tem a sua sede na Casa da Cultura. Depois, existem espaços que são explorados pela Junta de Freguesia, mais concretamente, duas salas de exposições, que já reabrimos com uma exposição de fotografia e outra dedicada à mulher de Avintes, que foi interrompida logo a seguir à inauguração, porque tivemos o Dia Internacional da Mulher, no dia 8 de março e, na semana a seguir, a atividade ficou suspensa. A Biblioteca de Avintes é um polo da Biblioteca Municipal de Gaia, tinha sido inaugurada em fevereiro e esteve encerrada nos últimos meses, mas agora reabriu novamente. Portanto, é um espaço que também ainda está numa fase inicial, onde falta a adaptação das pessoas na frequência da Biblioteca, que tem, para além de livros, jornais e, portanto, esperamos que, com o tempo, as pessoas se vão habituando a poderem frequentar a Biblioteca. Também tem ainda um miniauditório, com capacidade para cerca de 70 pessoas, que permite algumas conferências, espetáculos de música para pequenos grupos e que ficaram afetados, mas esperamos agora uma forma mais controlada de também poder realizar algumas iniciativas lá. Portanto, é um espaço que nós queremos que efetivamente comece a ser também um polo dinamizador de atividades. Avintes é uma freguesia que tem um movimento associativo que vale por si próprio, ou seja, há muitas iniciativas que são organizadas pelas próprias coletividades, sejam encontros de teatro, espetáculos, estejam relacionados com a parte mais lúdica, ou sejam também encontros gastronómicos. Na parte da ACMA, que é uma associação muito forte na parte musical, quer na formação, quer na educação musical, quer na parte da banda musical e de uma orquestra ligeira, que também na altura do verão tem muitos espetáculos, muitos concertos e que, naturalmente, agora está a ser um bocadinho afetada.

 

Até aparecer a covid-19, como estava a Junta de Freguesia de Avintes? Que balanço faz deste mandato?

Eu acho que a covid-19 não afetou propriamente a Junta de Freguesia. O balanço é um balanço positivo. Nós fazemos sempre a nossa intervenção e, desde a primeira hora em que aqui estou, é sempre baseada em dois princípios, que passam por a Junta ter uma atuação mais próxima das pessoas, naqueles serviços, naquelas reparações mais próximas, no imediato, e depois em tentar, através da Câmara Municipal, trazer para Avintes, com o apoio da Câmara Municipal, projetos com maior dimensão e eu acho que, nesse aspeto, tem havido uma boa interligação entre aquilo que é a atividade da Junta de Freguesia e da Câmara. Nós tivemos, já neste mandato, embora venha tudo do mandato anterior, o Pavilhão Desportivo, que era uma ambição dos avintenses já há muitos anos, a recuperação do Areinho de Avintes, que era um espaço muito frequentado e que não tinha grandes condições e está ainda agora a decorrer uma segunda fase. Portanto, obras, essencialmente, municipais, mas depois, por exemplo, fizemos uma grande intervenção que, por vezes, com o tempo passa despercebida, nas casas mortuárias de Avintes, que foi um projeto e uma iniciativa da Junta de Freguesia, mas que, naturalmente, teve o apoio da Câmara Municipal, por exemplo também na zona mais norte da freguesia, mais antiga, na antiga Escola do Magarão, que está desativada, e na qual está agora a arrancar um projeto da Câmara Municipal, que contempla a construção nesse mesmo local de um Centro de Atividades Ocupacionais para Deficientes, portanto, ficou ali um bocadinho parado por causa da pandemia da covid-19, que é um projeto essencialmente municipal, mas que também tem o nosso apoio e são tudo obras que, no meu entender, nós temos conseguido trazer para a nossa freguesia e que, efetivamente, têm melhorado e têm dado outra dinâmica à freguesia. No caso concreto da Junta de Freguesia, fizemos a recuperação das casas mortuárias, um investimento superior a 70 mil euros, fizemos a recuperação no Largo do Magarão, uma zona antiga da freguesia, onde também fizemos uma intervenção já concluída este ano de melhoramento daquele espaço. A própria Casa da Cultura é um projeto da Junta de Freguesia, que também tem o apoio da Câmara Municipal. Uma área onde nós reconhecemos que temos algumas lacunas e que eram sempre reconhecidas por nós é na rede viária secundária, nas ruas em Avintes, porque não existem grandes avenidas e nas ruas, em geral, o piso já está muito degradado, mas que, felizmente, durante este ano vamos poder fazer uma intervenção, quer através da Câmara Municipal diretamente, quer através de um protocolo com a Junta de Freguesia e sendo que é a junta de Freguesia que vai intervir em algumas ruas, nós temos previsto, nos próximos meses, que vai ser significativo em termos de rede viária secundária. Portanto, isso vai ser muito positivo, em geral, para a população, que é uma área em que se queixa bastante, por isso, isso vai ser uma realidade. Também o Teatro Almeida e Sousa, ao contrário do que o que as pessoas dizem, na realidade não está parado, está parada a intervenção física, no local, mas não está parado porque havia um projeto de há 18 anos atrás, em 18 anos muita coisa mudou em termos de legislação e segurança. O projeto teve que ser readaptado à situação atual, portanto, feitas as alterações, depois não existiam projetos de especialidade, apenas o de arquitetura e estão a decorrer esses projetos. Eu acredito que ainda este ano ou no início do próximo vai para o terreno uma obra que será, também, muito importante e muito significativa e a população também a verá com bons olhos. Portanto, o balanço quer destes seis anos, quer deste mandato tem sido positivo e estamos convencidos de que no próximo ano e meio que falta ainda haverão algumas realizações para concretizar.

 

Que realizações serão essas?

Uma outra proposta que nós temos e que temos que levar para a frente é na Urbanização da Quinta da Mesquita, no terreno que fica nas traseiras da sede da GNR, onde existe um espaço que está, neste momento, desaproveitado e nós temos um projeto, no âmbito de um concurso de ideias que fizemos aqui há dois anos atrás, e pensamos agora em implementá-lo e em reorganizar aquele espaço, com um espaço para usufruto não só daquela zona, mas da população em geral. Esse será também um projeto para nós concretizarmos.

 

Como presidente de Junta de Freguesia de Avintes, qual foi o momento mais importante para si?

Não é assim fácil, eu acho que tive vários momentos. Só para citar um, teria de referir, pela importância que ele teve em termos da população, a inauguração do Pavilhão Desportivo, porque realmente era algo que já há muitos anos vinha sendo falado, há mais de 20 anos, porque Avintes precisava de um pavilhão e não tinha. Em geral, aquilo que me marca mais é, efetivamente, quando eu e a equipa que comigo está e a Câmara Municipal conseguimos concretizar efetivamente os projetos. A requalificação do Areinho também foi um marco importante, o pavilhão que eu já referi, a própria reabilitação das casas mortuárias, tiramos as escadas que eram um obstáculo a pessoas de idade e neste momento tem uma rampa. Ou seja, sempre que algum projeto é concretizado até em dificuldade, para mim é um momento importante. Mas se quiser assim um momento, eu acho realmente que o pavilhão poderá ser, pelo simbolismo, mais pelo simbolismo do que propriamente pelo facto em si, pelo simbolismo porque foi realmente uma ambição de muitos anos e nós conseguimos concretizá-la.

 

O Cipriano Castro foi reeleito para o segundo mandato com maioria absoluta. Quais são os seus objetivos para as próximas eleições autárquicas? Já tomou uma decisão?

Eu acho que deve ser no momento próprio que devemos tomar as decisões. É evidente que, quando eu comecei há seis anos atrás, ou mais, há sete ou oito anos atrás, quando se juntou a equipa, em termos municipais, liderada pelo Eduardo Vítor Rodrigues e com o Patrocínio Azevedo, nós começamos a preparar toda esta dinâmica, que levou depois à vitória, há seis anos, e, por sua vez, depois há dois anos e meio atrás, porque o objetivo era fazer três mandatos. Esse foi o ponto de partida, mas eu acho que nestas coisas devemos ir gradualmente. Neste momento, em relação ao próximo mandato, não há ainda uma definição se vamos manter, há uma predisposição, mas devemos sempre avaliar numa altura mais próxima se esse é o melhor caminho, se é esse o objetivo, que deve ser o objetivo não só pessoal, mas também coletivo, em termos de freguesia e em termos municipais. Portanto, há uma predisposição e vamos ver se depois haverá essa abertura ou se haverá essa concretização. Para alguém que conseguiu 73% de votação, não é fácil pedir muito mais. Portanto, neste momento, aquilo que eu pretendo é que a confiança que as pessoas depositaram na nossa equipa, dando uma vitória tão expressiva, é efetivamente conseguir cumprir até ao fim este mandato e trazer mais estas coisas que fomos referindo para o bem da freguesia. Portanto, mostrar essa vontade de concretizar até ao fim aquilo a que nós nos propusemos e, depois, pensar se realmente a população continua a mostrar confiança em nós e isto não é só um projeto individual, é um projeto coletivo e temos de pensar se realmente valerá a pena ficar mais quatro anos, porque há sempre coisas que podem ser feitas na freguesia.

 

Que mensagem gostaria de deixar aos avintenses?

A mensagem é uma mensagem de esperança e de acreditarem, porque o que eu acho que os avintenses precisam de acreditar nas suas capacidades, nas potencialidades que a freguesia tem. Uma freguesia que tem no seu espaço, o Parque Biológico, o Zoo Santo Inácio, a sede de uma das principais empresas de Portugal em termos de vinhos, como é a Sogrape, que tem a broa de Avintes, que é um produto gastronómico reconhecido em todo o país. Portanto, uma freguesia que tem todas as condições para ser uma freguesia com futuro, uma freguesia que foi importante no passado, mas que também tem a cultura e o teatro. Portanto, a mensagem que eu dou aos avintenses é que devem acreditar em si mesmos, confiar nas suas capacidades e enfrentar o futuro, porque só assim nós vamos continuar a ser uma freguesia com uma forte presença e com um espírito muito próprio como nós temos.

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