A Academia de Música de Vilar do Paraíso (AMVP) é uma escola de ensino vocacional artístico, que foi fundada por Hugo Berto Coelho, em 1979. Desde a sua instituição, as preocupações dominantes são a qualidade do ensino, nomeadamente, a dinamização de vários grupos instrumentais, corais, de dança e de teatro. Em entrevista ao AUDIÊNCIA, o fundador da AMVP falou sobre o seu percurso de vida, sobre o que conduziu à criação da Academia, sobre os desafios impostos pela pandemia, provocada pela proliferação da covid-19, e sobre os seus sonhos e ambições para o futuro desta escola. Hugo Berto Coelho sublinhou que a qualidade do ensino é uma das suas principais preocupações, enaltecendo que “somos uma escola de referência no país”.

 

 

 

Para quem não o conhece, quem é o Hugo Berto Coelho? Pode falar-me um pouco sobre o seu percurso de vida?

Eu tenho 75 anos e comecei a estudar música sem pedir, efetivamente, aos meus pais. Porém é uma história interessante, porque eu tinha um irmão mais velho do que eu 11 anos e, na altura, o meu disse-lhe que, se calhar, lhe ia dar uma mota para ele se deslocar, mas houve alguém que disse ao meu pai que, se calhar, era melhor não dar uma mota a um jovem. Então, o meu pai, sem dizer nada, resolveu, em vez de uma mota, comprar um acordeão. Assim, foi a uma casa de instrumentos musicais, no Porto, e trouxe um acordeão para casa, pelo que quando ele chegou disse ao meu irmão que gostava que ele começasse a tocar acordeão e ele, claro, começou a estudar acordeão com um padrinho meu, que tocava muito bem acordeão e que ia lá a casa ensiná-lo. Acontece que, eu, sem dizer nada, punha-me, ali, à beira do meu irmão, a assistir às aulas, enquanto ele aprendia acordeão, até que cheguei a um ponto em que disse que se calhar também conseguia tocar acordeão como ele e assim foi. Posso dizer-lhe que foi a forma como eu descobri que tinha, realmente, algumas qualidades para o acordeão em geral e para ir para a música em geral. Entretanto, o meu irmão, como era mais velho do que eu, já tinha 21 e eu comecei com 10 anos a estudar acordeão, ele deixou e eu continuei. Mais tarde, eu também deixei o acordeão e comecei a estudar piano com o professor César Morais, que era uma referência, aqui, da música, em Vila Nova de Gaia e, também, de uma forma involuntária, as coisas foram acontecendo, foram evoluindo, até que ele me disse que eu estava, quase, apto para ir fazer um exame ao Conservatório de Música do Porto, como aluno externo, e eu fiquei espantado, mas concordei. Ele explicou-me o que eu tinha de fazer, disse-me que primeiro havia a formação musical, que existiam uns ditados rítmicos melódicos, coisa que eu nunca tinha feito, e eu, entretanto, tinha cerca de 15 anos, mais ou menos, quando ele ensinou-me a fazer um ditado e disse-me para eu ir descobrindo os sons que ele ia tocando no piano e posso afirmar-lhe que foi uma sensação muito agradável para mim, porque, realmente, quando ele tocava uma nota, eu dizia logo qual era. A partir daí, eu continuei e, depois, recebi um convite para ir para uma formação musical, um conjunto, porque, na altura, eram os conjuntos musicais, onde eram todos mais velhos do que eu, pois eu tinha 16 anos, mas falaram com os meus pais, eles disseram que sim e eu lá fui. Porém, depois, eu questionei o professor César Morais e ele disse-me que eu podia formar o meu conjunto, com as minhas ideias e podia fazer alguns arranjos e assim foi. Então, eu convidei uns amigos que já sabiam música e, pronto, foi assim que formamos um grupo. Também tivemos muita sorte, mesmo, porque tínhamos uma pessoa nossa amiga, que era dos vinhos Dalva, o senhor Clemente da Silva, já falecido, que nos arranjou um contrato para Lisboa, para o melhor, ou um dos melhores, restaurantes em Lisboa, de que era também sócio o grande pianista espanhol, Shegundo Galarza, que estava sempre lá a tocar, mas, na altura do verão, saía para ir fazer digressões pelo estrangeiro e, então, nós fomos para lá. Eu estive em Lisboa, na altura das férias, durante dois meses e meio, período no qual, também, tivemos a oportunidade de tocar no Hotel Ritz, em congressos internacionais. Acontece que, quando eu vim de Lisboa, disse aos meus pais que gostava de seguir música e eles ficaram um pouco surpreendidos e preocupados, porque a música, naquela altura, como compreende, era um risco muito, muito, grande, mas, pronto, assim foi e os meus pais apoiaram totalmente, tal como o professor César Morais. Portanto, eu fiz o Curso Geral de Piano, como aluno externo do Conservatório de Música do Porto, depois fiz admissão ao superior e entrei, pelo que fui para o Conservatório de Música do Porto, para aluno do Curso Superior de Piano, no qual tive uma professora, também, extraordinária, que me marcou muito, que foi a dona Fernanda Wandschneider, que me apoiou imenso. Depois, entretanto, meteu-se a vida militar, foram 39 meses, e, embora não tivesse ido para o Ultramar, foi, em parte, um atraso muito grande na minha vida, porque estudar piano, como sabe, exige técnica e, estando parado durante muito tempo, depois reativar outra vez, as coisas foram um bocado complicadas e difíceis. Mais tarde recebi um convite, também, por parte do próprio Conservatório de Música do Porto, para ir para pianista da Academia de Bailado Clássico do Porto, que foi fundada por um grande bailarino basco, o Pirmino Treco, a quem se deve muito o desenvolvimento do ballet, aqui, particularmente, no Norte do país, e eu estive lá durante 8 anos, mas, depois, deixei para, então, fundar a minha escola, portanto, a Academia de Música de Vilar do Paraíso.

 

Qual é a história da fundação da Academia de Música de Vilar do Paraíso? O que o levou a fundá-la em 1979?

Antes de eu fundar a Academia de Música de Vilar do Paraíso, eu já tinha vários alunos do ensino doméstico, porque eu comecei a dar aulas muito cedo, mais especificamente, quando eu vim de Lisboa, com 17 anos, pois um amigo disse-me que gostava de aprender acordeão e perguntou-me se eu o podia ensinar, pelo que através dele, surgiram outros e quando eu fui para a vida militar, eu já tinha um número bastante razoável de alunos, que depois passei para um colega meu. Contudo, quando eu acabei a tropa, entretanto, voltei outra vez a ter alguns alunos. Eu dava aulas em minha casa e deslocava-me, também, a casa de alguns alunos quer, aqui, em Gaia, quer no Porto, também. Portanto, depois, foi fácil, para mim, fundar, efetivamente, a Academia de Música de Vilar do Paraíso. Eu recordo-me que, quando tomei a decisão de fundar a minha escola, disse aos meus alunos: “já não vou a casa de ninguém, já ninguém vem a minha casa, nós vamos fundar uma escola de música”. Na altura, eu falei com o Seminário da Boa Nova, que é o proprietário da casa, na qual a Academia ainda tem alguma história, alguns instrumentos e realiza, também, lá alguma atividade, que é a Casa da Boa Nova, que pertencia à Condessa de Santiago de Lobão e, depois, eu contratei professores de outros instrumentos, nomeadamente de violino, de violoncelo, de guitarra e de flauta transversal, entre outros, para abrir outras áreas instrumentais e as coisas foram crescendo. Nós estivemos durante 30 anos nessa casa e, depois, com a ingressão dos meus filhos, também, para a administração e para a direção da Academia, nós resolvemos comprar um terreno e construir umas instalações novas, portanto, que são as que temos. Nós abrangemos cerca de 800 alunos, eu diria, por todos os instrumentos de música e pela dança, também. Posso dizer-lhe que, hoje, somos das poucas escolas do país, que tem o ensino integrado, que permite que a partir do 5º ano, os alunos possam fazer a escola toda na nossa Academia, com todas as disciplinas do curso geral, mais as disciplinas do ensino artístico e nós temos, portanto, música e dança.

 

Qual é a missão e quais são os principais objetivos desta instituição?

O nosso objetivo principal é melhorar, sempre, a qualidade do nosso ensino. Nós temos a consciência de que não somos uma escola perfeita e de que, ainda, não existem escolas perfeitas e ideais, mas nós tentamos sempre melhorar com a crítica, até com a crítica dos próprios pais dos nossos alunos. Portanto, os objetivos que nós temos são esses mesmos, melhorar, sempre, no dia-a-dia a qualidade do nosso ensino, criar um bom ambiente e fazer com a escola seja a segunda casa dos nossos alunos. Portanto, mesmo aqueles alunos, que já saíram da Academia, continuam a visitar-nos e, hoje, muitos dos nossos alunos, também, são filhos de antigos alunos, mas mesmo muitos. Como tal, já passaram duas gerações pela nossa Academia e isso é muito interessante. Depois, temos, também, a ajuda imprescindível do Ministério da Educação e o apoio com os contratos de patrocínio, que faz às escolas oficiais de música, o apoio da própria Câmara de Vila Nova de Gaia, que nos auxilia dentro daquilo que é possível e com quem nós, também, colaboramos muito, e da própria Junta de Freguesia de Mafamude e Vilar do Paraíso que, também, nos dá, dentro do possível, algum apoio, porque, também, nós estamos sempre disponíveis, quando a autarquia precisa de algum concerto e estamos sempre ao dispor para o que é necessário.

 

Como referiu, a Academia de Música de Vilar do Paraíso, que tem autonomia pedagógica desde 2007, leciona cursos oficiais de música e de dança nos regimes integrado, articulado, supletivo e livre. Em 2003 criou, ainda, o curso livre de teatro musical e no ano de 2015 iniciou o curso de jazz e música moderna no nível secundário, nos regimes livre e oficial. Que outras valências compõem esta escola?

A Academia tem vários regimes, entre os quais o ensino integrado, que abrange, portanto, como lhe disse anteriormente, todo o curso geral, mais o ensino artístico. Também, tem o ensino articulado, no qual os alunos frequentam uma escola normal, onde têm a sua formação geral, e depois têm a parte artística na Academia, sendo que os alunos do ensino articulado, portanto, ficam libertos, no ensino geral, da disciplina de música e de uma outra disciplina e as notas, depois, da música, vão para as escolas, onde são colocadas nas pautas da avaliação desses mesmos alunos. A Academia tem, ainda, o regime supletivo, no qual os alunos frequentam a escola regular e, paralelamente, todas as aulas do currículo artístico na Academia, havendo mais uma acumulação de horas com o ensino artístico. Nós temos, ainda, cursos livres, como é o caso do curso livre de teatro musical de onde têm saído pessoas muito muito válidas e, inclusivamente, o Filipe La Féria tem vindo cá buscar muitos alunos, para os musicais que ele faz, particularmente, em Lisboa, mas, também, no Porto e uma dessas referências, foi uma aluna nossa, que trabalho com ele há muito tempo, que é a Sissi Martins, que é de Gaia. O ensino integrado é, quanto a nós, uma valência muito grande para os alunos, porque, portanto, nos permite fazer tudo, dentro da mesma escola, sem que os alunos precisem de se descolarem de um lado para o outro e, no ensino geral, a Academia também tem tido uma classificação muito boa nos exames finais e é uma das escolas mais bem pontuadas. Depois, temos, dentro do ensino artístico, a disciplina de classe de conjuntos, que são coros e orquestras, e quer com os nossos coros, quer com as nossas orquestras, nós temos percorrido, eu diria, o nosso país e quase toda a Europa, desde Espanha, França, Alemanha, Itália, Rússia, Eslováquia, Bélgica, país ao qual fomos durante cerca de 15 anos a um festival muito grande de música, também fomos aos Estados Unidos da América, a Nova Iorque, quando tivermos também um convite para fazermos um concerto no Carnegie Hall, que é um auditório de referência de Nova Iorque. Portanto, estes concertos e estas oportunidades, também, são uma mais-valia para os nossos alunos.

 

No seguimento do que referiu, ao longo de cerca de 42 anos de história, foram inúmeros os alunos formados na Academia de Música de Vilar do Paraíso, que singraram no mundo artístico e que, inclusivamente, no caso do teatro musical, até integraram a companhia de Filipe La Féria. A seu ver, é, para si, um motivo de orgulho o facto de alguns antigos alunos serem, hoje, profissionais reconhecidos a nível nacional e internacional?

Sim, claro que sim, aliás é, para nós, um orgulho muito grande. No campo da música, enfim, já saíram da Academia de Música de Vilar do Paraíso dois grandes maestros, que é o Cesário Costa, que é um maestro, portanto, que tem percorrido, também, vários países, com direções de orquestras, e o Rui Massena, da mesma forma, também. Portanto, depois, no campo de instrumentistas e de professores, também, são inúmeros, porque existem professores da Escola Superior de Música do Porto que são dão aulas na Academia, como também dão professores do Conservatório de Música do Porto. Posso dizer-lhe que a pianista residente no Teatro Nacional de São Carlos, Joana David, foi nossa aluna, também, que a Raquel Lima, que é uma grande flautista e que está, portanto, na ESMAE, também estudou na Academia, tal como o pianista Vitor Pinho, o António Manuel Oliveira e o Jorge Castro Ribeiro. No teatro Musical, o Diogo Santos Silva, o João Guimarães e o irmão, Artur Guimarães, como pianista, que, também, está em Lisboa e é um músico que compõe muito para teatros musicais, enfim, há vários. Também é com orgulho que eu digo que um terço dos professores do ensino artístico que a Academia tem foram, também, antigos alunos. Portanto, é um orgulho, para nós, muito grande. Nós somos uma escola e, com vaidade e sem falsas modéstias, eu digo que somos uma escola de referência no país.

 

Qual é o segredo para o facto de ser uma das escolas, de onde têm saído mais alunos, para seguirem a carreira artística?

Aquilo que nós temos feito, o bom ambiente que temos, o estímulo que damos aos nossos alunos, portanto, com muitas audições, que lhes permitem ter algum traquejo, para poderem enfrentar as plateias e isso tudo, o gosto que lhes criamos pela música e pelo estudo do instrumento em geral, são um grande incentivo para os nossos alunos. Posso dizer-lhe que, hoje, na Academia, os alunos do ensino integrado, para além das aulas normais, também têm uns momentos de estudo em instrumento, nas suas salas, onde estão, portanto, acompanhados por um professor, ou um mestre que os vai ajudando e isso cria, realmente, nos alunos o gosto pela música. Eu não estou a falar só daqueles alunos que seguiram, efetivamente, a área da música, mas de outros que concluíram o curso secundário de música e que fazem música amadoramente e de outros que, também, não chegando lá, tiraram o curso secundário, mas são, hoje, bons ouvintes e vão a muitos concertos, o que, também, é muito, muito, importante.

 

De que forma é que a Academia de Música de Vilar do Paraíso tem sentido o impacto causado pela proliferação da covid-19 em Portugal e no mundo? Quais têm sido as maiores dificuldades e os desafios impostos pela pandemia?

Realmente, o que está a acontecer no mundo inteiro é uma coisa assustadora, que provocou uma preocupação muito grande em todos os seres humanos. Nós, a Academia e os seus alunos, tivemos um cuidado muito grande, quando a pandemia começou a proliferar-se em Portugal, tanto que, fechamos a escola um dia antes de o Governo decretar o encerramento das escolas. Portanto, um dia antes, já tínhamos fechado a Academia, para nos precavermos desse grande mal. Depois, ao nos precavermos, tentamos munir-nos, para que os nossos alunos tivessem, sempre, o acompanhamento e temos dado sempre aulas via online, desde o encerramento das escolas, possibilitando, também, aos nossos alunos, todo o apoio necessário, para que eles possam progredir nos seus estudos, quer no ensino geral, quer no ensino artístico e nós temos tido o feedback dos pais, que nos têm elogiado bastante nesse aspeto, pela forma como temos ministrado essas aulas. Portanto, temos dado um apoio mesmo muito grande aos alunos, mesmo quando, agora, o Governo decretou esta interrupção letiva, nós mantivemos os nossos alunos ativos, dando-lhes peças para eles estudarem em casa e os professores têm estado sempre a acompanhá-los, para que eles não percam o ensino e tenham ocupação durante o dia, porque nós, também, sentimos que os nossos alunos têm muita pena de estarem em casa, eles não queriam estar em casa, eles queriam ir para a escola, porque o convívio com os amigos, também, é muito importante.

 

Agora, que a situação pandémica agravou-se, o país voltou a entrar em confinamento e as escolas, incluindo as escolas de música, voltaram a parar, pelo menos, presencialmente. Como vê o futuro deste ensino vocacional artístico?

Relativamente ao futuro, claro que há muitas expectativas relativamente ao ensino artístico, porque tem existido uma evolução, mesmo, muito, muito grande no ensino artístico em Portugal e nós podemos ver que as nossas orquestras, antigamente, eram preenchidas por um grande número de músicos estrangeiros, mas, atualmente, já não é assim, quando há concursos para a ingressão de orquestras, os nossos jovens músicos formados, já ganham esses concursos, para, portanto, o preenchimento das nossas orquestras. Logo, tem havido uma evolução muito grande e mesmo no facto de irem músicos nossos para orquestras estrangeiras, também, com o grande valor que têm. Sobre isso, eu vejo, realmente, que há uma evolução grande em Portugal, no que respeita ao ensino artístico. Todavia, ainda tem de se fazer mais, claro que sim e esta pandemia tem criado muitas expectativas sobre o que é que vai acontecer? Quanto tempo é que isto vai demorar? Quanto tempo é que vamos estar sem aulas presenciais? E tudo isto é uma incógnita muito grande que, enfim, é o nosso dia-a-dia, praticamente, e nós temos de esperar para ver o que é que vai acontecer.

 

A AMVP foi distinguida, recentemente, com o selo Escola Saudavelmente – Boas práticas em Saúde Psicológica, Sucesso Educativo e Inclusão, atribuído pela Ordem dos Psicólogos Portugueses. O que representou e o que significa este galardão?

Quando eu falo destas coisas, eu emociono-me sempre, porque são coisas boas e isto demonstra, realmente, o empenho e a dedicação que todos têm, quer professores, quer o corpo docente e não docente, quer os auxiliares e todos os funcionários, à Academia. Portanto, esse prémio e outros que temos recebido são, realmente, o reconhecimento daquilo que a Academia tem feito no seu dia-a-dia, com o empenho e dedicação de toda a gente e dos próprios pais, também, que colaboram imenso com a escola. Enfim, é como eu lhe digo, nós tentamos sempre que a escola seja a segunda casa dos alunos, que seja um local onde eles se sintam bem e é por isso que, quando saem da Academia, continuam a visitá-la e que aqueles que seguem música continuam a querer ir estudar para a Academia e, inclusivamente, pedem, às vezes, para irem estudar para a Academia, até, ao domingo. Portanto, nós temos as portas, totalmente, abertas, para os nossos alunos. Como tal, é um orgulho muito grande, particularmente, para mim, que fundei a Academia.

 

O Hugo Berto Coelho, também, já recebeu varias distinções, nomeadamente, o Troféu AUDIÊNCIA Personalidade do Ano. O que significou para si tal galardão?

Posso dizer-lhe que, foi, para mim, uma honra e um orgulho muito grande receber o Troféu AUDIÊNCIA, sem dúvida. Foi uma coisa que eu não esperava e, portanto, agradeço imenso ao diretor do Jornal AUDIÊNCIA, ao senhor Ferreira Leite, porque, realmente, foi uma honra, para mim, muito grande. Eu já recebi várias distinções, inclusive, do Rotary Club de Espinho, da Câmara de Gaia, da Junta de Freguesia de Mafamude e Vilar do Paraíso e da Federação das Coletividades de Vila Nova de Gaia e acredito que todas as distinções são o reconhecimento de algum valor que eu possa ter, da forma como eu posso ter colaborado para o bem da música, quer em Vila Nova de Gaia, quer no país, por isso todos os galardões são honras que eu tenho e que me deixam muito, muito, muito feliz.

 

Como vê o desenvolvimento da Academia de Música de Vilar do Paraíso desde a sua fundação, até à atualidade?

A Academia teve a sua evolução normal, como eu lhe disse, tentando sempre contratar professores de qualidade, para ministrarem as aulas, tentando ter sempre um ensino de qualidade, incentivando sempre os nossos alunos e, no dia-a-dia, sempre nos preocupamos em ministrar aulas com qualidade, dentro de um ambiente musical bom, também. Neste seguimento, eu recordo-me de uma frase que o maestro José Atalaya disse quando aceitou o nosso convite e esteve presente na celebração dos 20 anos da nossa Academia, que foi “entra-se aqui dentro e respira-se, realmente, música. Até as próprias paredes têm música aqui dentro”. Depois, quando a Academia celebrou 25 anos de existência, também foi um marco histórico para nós, porque a Orquestra Nacional do Porto realizou um concerto comemorativo dos 25 da Academia de Música de Vilar do Paraíso, no Auditório Municipal de Gaia e, nessa altura, eu disse que gostava que a Orquestra fosse dirigida pelo maestro Rui Massena e que tivesse como solistas dois antigos alunos, que hoje são professores na Academia, que é a Elsa Silva, que é uma grande pianista cá em Portugal, e o professor Augusto Pacheco, em guitarra. Portanto, esses 25 anos foram celebrados com a Orquestra Nacional do Porto, dirigida pelo Rui Massena e que teve como solistas a Elsa Silva e o Augusto Pacheco, logo, isso, também, foi um marco histórico para a Academia.

 

Os seus filhos fazem parte da estrutura desta Academia. Acredita que eles vão levá-la a bom porto?

Sim, não tenho dúvidas nenhumas disso, porque eu digo-lhe uma coisa, eu reformei-me aos 70 anos, tenho 75 anos e, embora vá todos os dias à Academia, a Direção da Academia de Música de Vilar do Paraíso está, praticamente, entregue aos meus filhos, mais especificamente à Luísa, com a parte pedagógica toda, e ao Vítor, com a parte logística. Portanto, são os meus dois filhos que, realmente, gerem, neste momento, a Academia, se bem que eu ainda estou por trás e, muitas vezes, ainda lhes dou os meus conselhos e ideias, quer sobre concursos de música que temos feito e incluímos aqui o Concurso Nacional Cidade de Gaia, em colaboração com a Câmara de Gaia, particularmente, no concurso de piano, guitarra e canto. De referir, também, que o Rotary Club de Gaia Sul, também, instituiu um prémio para o melhor aluno da Academia. Portanto, um prémio, realmente, que, também, incentiva bastante os alunos e, portanto, quer o Vitor, quer a Luísa, não tenha dúvidas de que eles são pessoas que estão à frente da Academia, dirigem a Academia e irão levá-la, de certeza absoluta, a bom porto, sempre.

 

Quais são os seus anseios, projetos e ambições para a Academia de Música de Vilar do Paraíso?

Relativamente aos meus anseios e projetos, eu gostava, portanto, que o ensino integrado fosse a partir do 1º ano de escolaridade e não apenas a partir do 5º ano, porque eu tenho a certeza absoluta de que havia muito interesse dos pais e seria, realmente, muito bom os jovens já estarem dentro de uma escola só a partir do 1º ano de escolaridade, mas, enfim, nem tudo é possível. Nós, para isso, temos de ampliar as nossas instalações, mas, quem sabe, daqui por alguns anos, também possamos ter a Academia de Música de Vilar do Paraíso como uma escola superior de música, o que também era uma das coisas que estava no projeto. Todavia, já é um bocadinho difícil, mas é um sonho, tal como eu tive o sonho de fundar a Academia e, na altura em que eu era professor do ensino doméstico, quando eu ia a casa dos alunos eu dizia-lhes isso mesmo, que um dia, se calhar, teríamos uma escola de música e que, se calhar, ela seria uma das melhores escolas de música que existiria no nosso país. Eu dizia isto e, realmente, isso veio a concretizar-se.

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