A Associação Desportiva Modicus Sandim é um marco desportivo não só na União de Freguesias de Sandim, Olival, Lever e Crestuma, como em todo o município gaiense. Fundada a 4 de agosto de 1975, conta hoje com cerca de 370 sócios e conquistou o seu espaço no universo do andebol e do futsal.

Em entrevista para o Jornal Audiência GP, António Quelhas, presidente do clube à cerca de 15 anos, contou os sonhos, ambições e receios que tem para o clube em pleno ano 2020. Do corte de 25% no orçamento para a nova época, à proibição da federação para que os jogos se realizem no pavilhão do clube em Sandim, passando pelas saídas de jogadores de renome e os novos reforços das equipas seniores para a época 20/21.

O presidente do Modicus frisou ainda a aposta forte na formação como serviço à comunidade local e falou com orgulho da equipa que joga entre as melhores das melhores no mundo do futsal. António Quelhas garante que não está cansado e não está para breve o seu afastamento da liderança do clube, ainda assim, há sonhos por concretizar: ganhar a Taça de Portugal ou a Taça da Liga será um deles, mas o maior passa pelo alargamento do pavilhão do clube, para que este possa, de forma condigna, receber equipas e público no local que se orgulham de chamar “casa”.

 

 

 

Como surgiu e quando o seu envolvimento com a Associação Desportiva Modicus, nomeadamente com o papel de presidente que exerce hoje?

Numa fase inicial, eu jogava futebol de onze nos Dragões Sandinenses e depois numa determinada fase, por razões profissionais, tive de deixar de jogar futebol. Nessa altura havia aqui o Modicus e este realizava torneios de verão, na altura de futebol de salão. Nesses torneios acabei por, de alguma forma, me destacar como goleador e, como tal, ganhei um bocadinho o gosto ao futsal. No seguimento disso, o Modicus tinha cá futsal federado, mas existiu um determinado momento em que estava para ser extinta a secção do futsal. O andebol era na altura a modalidade com maior visibilidade, com melhor estatuto dentro do clube e com mais solidez e houve três ex-atletas, o  Zé Luís, o Costinha e o Luís Nel, que me convenceram, de certa forma, a pegar um pouco nisto, a não deixar cair o projeto do futsal. Depois de alguma persistência e de algumas promessas deles, no sentido de colaborar e ajudar, eu com maior ou menor dificuldade acabei por aceitar e, pronto, tomei conta da secção de futsal, ou melhor, dei aqui algum espaço para que essa secção pudesse continuar. Nessa altura entrei aqui como colaborador, como dirigente, havia uma direção e eu assumi, de alguma forma e numa situação transitória, o futsal.

A partir daí foi o caminho que se fez até hoje…Depois entrei para vice-presidente da direção, a convite do antigo presidente, o engenheiro Rui Rocha, com a função mesmo de desenvolver o projeto do futsal e foi isso que acabou por acontecer, ano após ano. Penso que a modalidade começou a ter sucesso, começou a crescer, começou a ter atletas, escalões, até que a uma determinada altura, penso que ao fim de cinco ou seis anos, foi-me novamente lançado o desafio, com alguma persistência pela direção que atuava na altura, nomeadamente do engenheiro Rui Rocha e de outras pessoas, que me pressionaram de uma forma muito ativa a assumir o clube. Acabou por acontecer, com alguma naturalidade, e a partir daí mantive-me como presidente até hoje, penso que na qualidade de presidente já serão mais ao menos 14/15 anos.

O futsal continuou a crescer, o andebol manteve aquilo que tinha. É lógico que o futsal começou praticamente do zero, foi crescendo e, neste momento, penso que é a modalidade principal do clube, sem perder de vista, como é óbvio, e sem deixar que o andebol perdesse o seu espaço, afinal de contas é uma das modalidades fundadores do nosso clube e, como tal, merece o nosso respeito e a nossa consideração. Toda a gente que tem trabalho aqui connosco na área do andebol foi e é para manter este projeto de pé, até porque é uma modalidade que faz falta aqui à nossa zona e acho que há espaço para tudo, como eu costumo dizer, tanto para o andebol, como para o futsal, o futebol, o basket; é preciso é haver condições e nós, com maior ou menor dificuldade, pelo menos estas duas modalidades temos mantido. Fiiz sempre intenção de nunca acabar com nenhuma das duas modalidades, independentemente de termos uma mais abaixo e outra mais acima, uma com maior visibilidade e outra com menos; já teve o andebol, agora tem o futsal, quem sabe daqui a meia dúzia de anos volta a ter o andebol.

O que interessa é que ambas as modalidades continuem, independentemente do sucesso desportivo porque penso que colmata de alguma forma uma lacuna que existe aqui no interior do concelho, porque há pouca capacidade e possibilidade de haver clubes que tenham estas modalidades, de alguma forma, secundárias, uma vez que o futebol é principal. Temos clubes de futebol em qualquer lado, mas em termos de modalidades de pavilhão, aqui na nossa zona, temos muito pouco, de modos que se faltasse as nossas, acho que deixava aqui um vazio muito grande na nossa zona e penso que é essencial fazermos um esforço e sacrifício, que por vezes é muito duro, muito complicado, porque como digo, estamos num meio muito afastado do centro, muito afastado das decisões, muito afastado do grande núcleo habitacional, e como tal as dificuldades são sempre maiores, seja em termos até de transportes, atletas, treinadores…cria-nos aqui muitas dificuldades, mas nós temos sido persistentes e lutadores nesse aspeto e temos conseguido ano após ano manter, se não até melhorar, em termos competitivos, as nossas equipas e tal como já disse, colmatar a falta destes desportos secundários no interior do concelho. É bom esta franja da juventude ter um espaço para praticar, no caso, andebol e futsal, estou mesmo a falar e a pensar na formação, que entre meninos e meninas são muitos, temos cerca de 270 atletas, o que na nossa zona, para a freguesia que tem cerca de sete mil habitantes, é muito significativo.

Esta é a nossa luta do dia a dia, ter as condições mínimas para termos os nossos atletas a treinar e a praticar desporto com alguma satisfação e sempre com espírito de vencer, acho que é essa a nossa função e tem sido esse o meu lema. Enquanto tiver força e disponibilidade, será esse o objetivo do clube.

 

São muitos anos ligado ao clube. O balanço de todos estes anos é então positivo?

Sim, é muito positivo, eu penso que, acima de tudo, como eu estava a dizer, o espírito é mais servir a população e servir a população mais jovem para ter aqui um espaço para poder praticar desporto, divertir-se e ter aqui um passatempo, mas é óbvio que temos a competição que costumo dizer que é o sumo disto tudo, é o que nos move de certa forma, fim de semana após fim de semana, para nós ganharmos força para continuar mesmo com as dificuldades que vão surgindo no dia a dia. Tem de existir um pouco aquele espírito de competição, aquele espírito ganhador, para dar um incentivo extra não só aos atletas mas também aos próprios dirigentes. Os resultados têm sido positivos. Aumentamos o número de atletas, o número de equipas, aumentamos as condições das nossas instalações, conseguimos chegar com o futsal à primeira divisão nacional que é um feito excepcional e histórico para o clube, a nível até do concelho. Nós temos uma equipa de andebol sénior na segunda divisão nacional, também com algum prestígio, temos uma equipa de futsal sénior feminina também no distrital e temos uma equipa de andebol sénior feminina, ou seja, acabamos por ao longo destes últimos anos, granjear com a nossa formação estas equipas seniores, que acaba por nos dar aqui algum alento. Os resultados têm sido realmente muito positivos e com alguma visibilidade, como se nota pela equipa sénior masculina de futsal que tem já uma visibilidade enorme a nível nacional e isto é fruto deste trabalho todo. E são estes resultados desportivos que nos movem, além da parte social que já referi, estes resultados incentivam a continuar o trabalho. Ao sábado ou ao domingo quando surge uma vitória, no final do dia estamos mais satisfeitos e dá-nos mais forças para trabalharmos durante a semana. Os resultados sendo negativos, não quer dizer que se desista e que não se continue a trabalhar mas é mais difícil.

 

Apesar do patamar elevado em que a equipa sénior masculina de futsal está a trabalhar, conta ainda com algumas pratas da casa. No fundo, é disso que falávamos também, da importância da formação para compôr as equipas séniores?

Sim e não é por acaso que temos neste momento duas equipas de juniores no nacional, tanto a equipa de futsal masculino como a equipa de futsal feminino. No futsal feminino, em termos de formação, somos o clube com mais títulos e a nossa equipa consegue chegar praticamente a todas as finais a nível da Associação de Futebol do Porto. É lógico que aos poucos vamos chegando com maior persistência porque uma coisa é termos equipas da formação, principalmente os juniores, no distrital, para subir a seniores que jogam no Nacional…é muito complicado, muito difícil. Conseguimos nos últimos anos, até porque há um compromisso de dois jogadores dos juniores terem de integrar as equipas seniores, mas depois é difícil eles conseguirem entrar…conseguiu o Oscar, o Trapa que também já faz parte e temos tido um ou outro que tem jogado mas assim com mais consistência foi o Óscar, digo o Óscar porque é das tais situações que vinha dos campeonatos de formação distritais, e que é muito mais difícil passar para o nacional. Agora, há cerca de dois ou três anos conseguimos atingir os nacionais no escalão de juniores que nos leva a crer que daqui a mais uma ou duas épocas iremos com certeza ter mais facilidade em ter mais atletas da formação porque já vêm com uma ótima qualidade e ritmo. Neste momento temos o Trapa, o Tiago que é júnior e que também vai fazer parte da equipa sénior, temos o Oscar, temos o Careca…por isso, nesta época, vamos ter pelo menos quatro ou cinco jogadores da nossa formação, o que vem dar resposta ao que eu estava a dizer, já se começa a notar mais um bocadinho de ano para ano a presença de jogadores dos juniores e cada vez com mais consistência porque vêm com outra preparação e esse é o objetivo como é óbvio: termos alguma vantagem das nossas equipas de formação para as equipas séniores. O meu gosto seria ver no futuro uma equipa sénior de futsal só com atletas da nossa formação, não é fácil, mas era o ideal.

No que diz respeito ao andebol, há cerca de 15 anos, tivemos uma equipa de juniores que foi campeã nacional e essa equipa é que catapultou o andebol, em termos daquilo que foi a sua solidez, a manter-se, desceu um ano ou outro, mas praticamente sempre manteve-se na segunda divisão nacional e isso teve a ver com essa formação e essa fornada de jogadores, estou a lembrar-me do Nuno Edgar, o João Ferreira, do falecido Filipe Mota e mais uma série de jogadores. Um dos últimos que é o Nuno Edgar, dessa fornada, ainda está a jogar na equipa sénior, é o nosso capitão. Mas também temos aqui, neste momento, outro rapaz da nossa formação, o esquerdino Rubén e que é um dos melhores jogadores da nossa equipa sénior. Conclusão: nós temos feito algum bom uso, também no andebol, aliás, essencialmente no andebol, da nossa formação.

 

É inevitável falar deste momento difícil que o país e o mundo atravessa. A época passada foi interrompida, os jogadores estão há alguns meses parados. Avizinha-se um arranque diferente e difícil?

Quase de certeza que sim, que se tratará de um arranque diferente, cheio de imposições, de regras da DGS, vai haver muita dificuldade, principalmente naquilo que é a questão do distanciamento social e depois a obrigação que há de fazer a desinfecção, as máscaras e tudo isso. É uma situação completamente diferente e que nos põe numa posição de não saber o dia de amanhã. Isto é, temos de viver com aquilo que é o presente e aquilo que nos surge no momento. Temos de ter muita atenção, principalmente os dirigentes, temos de precaver o maior cuidado possível com os treinos dos jogadores, e mesmo os próprios jogadores não sei como vão reagir em termos daquilo que é o treino, daquilo que é o jogo. É uma situação muito difícil, não é expectável que se saiba o que vai acontecer daqui a uma semana. O que costumo dizer é que temos de viver o dia a dia, como se tudo fosse normal, na incerteza porém, que podemos chegar ao dia seguinte e dizer que não pode haver treino, por exemplo, ou que não pode haver jogo, que ninguém se pode equipar por este motivo ou por aquele. Temos de estar preparados para esta incerteza que vai ser constante no dia a dia. Acredito que vai ser uma época um bocadinho atípica, vai pairar sempre no ar aquela expectativa de que podemos fazer um jogo ou dois e terminar, ou meia dúzia de jogos e terminar…enquanto não houver uma vacina e isto tiver terminado, vamos viver na incerteza. No que diz respeito ao desporto e à competição há outra situação que me deixa um bocadinho perturbado, porque quer queiramos quer não, eu penso que o desporto e a competição sem público fica manca…

 

Essa é uma questão que eu gostava de frisar. O Modicus refere sempre que jogar em casa e neste campo, com o público tão próximo, é um ponto a mais, uma vantagem. A possibilidade de poder regressar sem o público, pode abalar os jogadores e as equipas?

O nosso pavilhão tem características muito próprias, nomeadamente a proximidade do público, e principalmente no futsal, que é mais bairrista e move mais gente. Penso que ao longo destes últimos anos tem sido a grande vantagem do Modicus, até porque as estatísticas mostram que as nossas maiores vitórias são em casa, nós estamos na primeira divisão com o maior número de vitórias em casa. De forma que o nosso pavilhão, nesse aspeto, tem essa vantagem. Eu vejo com alguma dificuldade essa situação, até para os próprios jogadores.

Mesmo agora, eu costumo dizer, temos o futebol, temos a Liga dos Campeões, mas parece que passa ao lado, as pessoas parece que nem se apercebem, não há aquele entusiasmo, é quase como estar a fazer uma refeição sem sal. A questão do público é fundamental, e enquanto isso não existir, enquanto não tivermos o público na bancada, vai ser penoso fazer os jogos do campeonato…mas se tiver de ser, tem de ser.

 

Falemos um bocadinho dos plantéis deste ano e das alterações, nomeadamente de quem vai embora e de quem chega de novo a Sandim, bem como do orçamento reservado a esta época.

Nós o ano passado acabamos por nos últimos meses, acabou o campeonato e fizemos um acordo com todos os atletas e treinadores, porque não era possível pagarmos na totalidade e acho que toda a gente compreendeu isso. Lá está, é a vantagem de sermos um clube do interior, um clube bairrista, um clube onde, mais uns menos outros claro, mas as pessoas sentem o trabalho que nós fazemos e nesse aspeto foram todos compreensivos, e apraz-me registar isso, até eu fiquei surpreendido, as pessoas aceitarem com naturalidade, contrariamente a muitos casos que se conhece. A época passada resolvemos dessa forma, também não conseguimos doutra, porque a partir do momento em que houve confinamento, nós não tivemos mais hipóteses de receitas, nem patrocínio nem nada, portanto, ficou tudo pelo caminho. Conseguimos terminar a época com estes acordos, resolvemos o problema e foi dado a conhecer a toda a gente que vai fazer parte, que este ano ia haver uma redução de 25% no nosso orçamento, portanto, toda a gente ficou a contar com isso. Nós negociamos com toda a gente, com quem tínhamos de negociar, claro que fomos buscar alguns jogadores, saíram também alguns atletas do plantel sénior, nomeadamente o jogador [Joel] mais categorizado que teve no Modicus até hoje mas que também significava um encargo muito grande…estando ele também no fim de carreira, portanto, tivemos de analisar tudo e com a saída também do Tiaguinho e do Porfírio. Em termos daquilo que eram as nossas contenções orçamentais, nós acabamos por,de alguma forma ir buscar três ou quatro jogadores, pelo menos três que vêm do Braga, que nos vão dar algumas garantias em relação  àquilo que era o plantel do ano passado, penso que acabam por colmatar as referidas saídas.

A meu ver, dentro daquilo que é a contenção do nosso orçamento, penso que vamos ter, tanto no andebol sénior, e eu estou-me a referir mais às equipas do nacional, tanto o futsal sénior como o andebol sénior, penso que vamos ter equipas competitivas este ano a par daquilo que foram as épocas anteriores. Acho que temos os plantéis equilibrados, medindo as saídas e as entradas, e por isso agora temos tudo para fazer boas épocas e mantermo-nos nos lugares que fizemos na época passada, que foram bons. O ano passado, o futsal masculino sénior ficou em terceiro lugar e o andebol acabou por estar já a disputar uma fase em que estava livre da descida, ou seja, foram os objetivos concretizados da época passada, agora é seguir o mesmo caminho, com a mesma exigência e a mesma ambição.

 

Há algum sonho por concretizar no Modicus?

Há! É óbvio que toda a gente sabe que nós temos em marcha um projeto que é do alargamento do nosso pavilhão, porque neste preciso momento, apesar de ainda não ser definitivo, porque eu ainda tenho a esperança que possa reverter isso, mas o Modicus no momento não pode jogar no nosso pavilhão, não vai poder fazer aqui a Liga Placard esta época por imposição da federação, relativamente às condições de segurança e mesmo para as transmissões. Nos anos anteriores acontecia apenas nos jogos com o Sporting e o Benfica por causa das transmissões televisivas, mas este ano é diferente, eles não deixam fazer os jogos no nosso pavilhão porque as regras, mesmo com isto do Covid19, foram muito alteradas e a federação disse que o Pavilhão do Modicus não tem condições para receber e Liga Placard, portanto, tivemos de indicar outro pavilhão. Eu ainda tenho a esperança de ter uma conversa, muito em breve com o presidente da federação para o sensibilizar, para nos dar aqui alguma folga, ou seja, pelo menos esta época, para nos manter aqui a jogar porque isso é essencial. A mudança será muito complicada, muito difícil e poderá pôr em causa o projeto do Modicus na Liga Placard o facto de ter de ir treinar e jogar para um pavilhão em Gaia. Altera tudo, além da logística, aquilo que eu dizia e falávamos à pouco; este pavilhão tem características próprias, logo, não tem nada a ver jogar aqui ou num pavilhão em Gaia. Eu espero sinceramente e terei uma conversa muito pessoal com o presidente da federação, até porque ele conhece o nosso clube, já cá esteve, está sensibilizado com isto…é óbvio que nós sabemos que, muitas vezes em termos jurídicos da própria federação, por muita vontade que o presidente tenha, é difícil abrir uma excepção.

Nós temos em marcha um projeto já na Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia e há também uma vontade da câmara municipal de fazer aqui as obras no pavilhão, portanto, penso que isto é uma questão de tempo. É óbvio que eu gostava que isto já tivesse mais adiantado e que já tivessem as obras em curso, mas que esteja o mais breve possível para podermos jogar aqui e ter aqui a nossa casa, para receber aqui as equipas. Até porque na eventualidade do presidente da federação autorizar jogar aqui, será só mais esta época, na próxima já não poderemos de certeza e temos de ter um pavilhão condigno para poder jogar, até porque em Gaia, com uma equipa que está na Liga Placard e que tem todas essas exigências, é essencial e penso que a câmara também estará atenta a isso. Nós temos de, no mais curto prazo de tempo e com a ajuda da autarquia, concluir estas obras para ficarmos com um pavilhão condigno. O nosso pavilhão foi feito à muito anos atrás, foi feito numa altura em que a projeção não é a que o Modicus tem neste momento, mas nós estamos habituados ao nosso pavilhão, apesar de ser óbvio que ele está condicionado a todos os níveis, seja de estacionamento, seja de circulação…Apesar de alguns melhoramentos que temos feito, acaba sempre por não chegar para uma Liga Placard, que já tem uma dimensão grande em termos de transmissões.

Esse, neste momento, é o sonho! Até porque em termos desportivos, se conseguirmos manter aquilo que temos, acho que já não é de exigir mais. Mas nós com outro pavilhão, com outras condições, eventualmente podemos pensar em ter também o andebol numa primeira liga. Isto era ouro sobre azul

 

Conquistar o título de campeão no futsal masculino é um sonho difícil de alcançar ou nem chega a ser um sonho?

Não, não chega a isso, não chega a ser um sonho. Eu costumo dizer que isso é impossível porque há uma disparidade muito grande entre aquilo que é os clubes Sporting e Benfica e nisto depois pesa o orçamento…estamos a falar em orçamentos de dois milhões e dois milhões e meio de euros, tanto o Sporting como o Benfica trabalham dentro destes valores e estamos a falar do Modicus que gasta 100, 150 mil euros, portanto, é díspar. É impossível, para além de todas as condições, mesmo a própria camisola em si, quando chega a hora da verdade, conta. E é impossível também pelo formato das competições, para sermos campeões tínhamos de ganhar quatro ou cinco vezes seguidas ao Benfica ou ao Sporting, e isso é impossível.

Aqui só há uma hipótese e que será aquilo que eu tenho posto todos os anos e vou continuar a pôr e vai haver um ano em que o Modicus vai conseguir, isso sim é um sonho, eu não queria sair do Modicus sem ter um título desses, que é a Taça da Liga ou a Taça de Portugal. Aí é possível, é um jogo, que eu costumo dizer, e como já tem acontecido, pode calhar melhor ou pior a uma equipa e como é só um jogo pode haver essa possibilidade. O Sporting e o Benfica perdem sempre um jogo ou outro, portanto, pode chegar a uma final e isso também acontecer. Estou a lembrar-me, por exemplo, do ano 2012 em que tivemos uma final que foi das melhores finais que houve da Taça de Portugal, que foi em Oliveira de Azeméis. Tínhamos seis jogadores, que eram intitulados  “os Guedes” e o Benfica tinha aquele potencial todo e nós perdemos 2-1, mas o Benfica teve de suar mesmo e teve de vestir o fato de macaco por isso, conclusão, podia ter caído para o nosso lado. Estamos a falar de 2012, tínhamos um grupo pequenino, seis jogadores, contra o poderoso Benfica e com um bocado de sorte podíamos ter chegado lá por isso, aí sim, acho que temos condições atualmente, até pelo que temos feito nos últimos anos, temos condições para chegar a uma final, não é fácil, mas chegar lá e poder, com uma equipa destas, ganhar e é esse título que nós temos como objetivo, agora campeonato penso que nos próximos anos é impossível.

 

Estamos inseridos no município de Gaia. Enquanto presidente de um clube que tem este peso no desporto nacional, acha que o Município de Vila Nova de Gaia apoia o desporto e, em específico, no caso, o futsal e o andebol?

Eu penso que o município nesse aspeto, e o atual presidente de câmara, contrariamente ao que muitos esperariam, teve um bocado mais de sensibilidade naquilo que é o desporto no geral, ou seja, ele manteve o pagamento das inscrições que já vinha de anteriores mandatos, criou aqui mais um apoio que foi um valor que ele atribui a cada atleta por clube. Depois, ele está a criar algumas infra estruturas no concelho, em termos de pavilhões, penso que já estão planeados mais meia dúzia que pavilhões, que vêm dar resposta àquilo que é uma necessidade em Gaia. Aqui próximo está previsto um nas escolas de Olival, que também servirá certamente o Modicus.Nesta perspectiva, estamos esperançados que o pavilhão do Modicus possa também ser remodelado, penso que é uma necessidade, e o presidente da câmara também está sensibilizado para tal. O primeiro passo já foi dado que foi a compra do terreno aqui ao lado para o alargamento, uma vez que a nossa única hipótese de alargar o pavilhão era adquirir o terreno vizinho, ele já foi adquirido, agora é mesmo só executar as obras.

Há também um apoio suplementar que o Município de Vila Nova de Gaia dá todas as épocas às equipas que estão na primeira divisão, que era um pedido que os clubes que estão nesse patamar já faziam à vários anos, porque penso que tem de existir aqui uma discriminação positiva, porque as equipas que estão na primeira divisão têm deslocações mais longas, por exemplo, têm alojamentos, têm outra logística que não existe a nível distrital. Nós não podemos meter todos na mesma balança, penso que aqui as equipas da primeira divisão, independentemente de quem sejam, devem ter esta discriminação positiva, e o presidente tem-na feito. Espero e pensamos continuar a poder contar com isso do município, porque é uma ajuda e todas as ajudas são bem vindas…e neste momento, em Gaia, estamos a falar de quatro equipas: é o futsal masculino do Modicus, o andebol masculino do FC Gaia, o andebol feminino do Colégio de Gaia e o futebol feminino do Valadares.

É lógico que isto não pode ser tudo duma vez, mas tem dado passos num crescendo em termos de apoio e nesse aspeto temos de estar agradecidos porque tem havido uma atenção e um aumento em termos daquilo que é o apoio financeiro aos clubes com a entrada deste executivo.

 

A população da União de Freguesias de Sandim, Olival, Lever e Crestuma, mas até mais especificamente de Sandim, é orgulhosa do seu Modicus?

É orgulhosa, mas eu sinceramente penso que se calhar devia ser mais. Eu costumo dizer, é óbvio que nós temos o futebol que é a bandeira, e o futebol, seja aqui na freguesia, seja a nível nacional, é o que cativa mais gente e continua a ser o desporto-rei e numa freguesia pequena como a nossa, com cerca de sete mil habitantes, os Dragões Sandinenses acabam por aglutinar um bocadinho tudo, até em termos de atletas. Há uma franja grande de amantes do andebol e do futsal que nos acompanham e nos apoiam de uma forma contínua, mas eu acho que podia ser um bocadinho mais alargado. Eu não tenho dúvida que se em vez de sete mil habitantes, tivéssemos 50 mil, tínhamos mais gente. É uma freguesia pequena, mas as pessoas, neste momento, com a projeção, essencialmente nos últimos anos, estamos a falar porque o Modicus o ano passado teve sensivelmente nove transmissões televisivas, nós recebemos cada vez mais contatos e mensagens, o Modicus neste momento é um clube de ouvido, já é conhecido a nível nacional, não só em Sandim. Ouvimos muitas vezes pessoas a falar que viram na televisão, e a população tem orgulho, como é óbvio, quer queiramos quer não, a televisão tem este impacto. Com maior ou menor indiferença, vendo o Modicus na televisão ou ouvindo alguém falar no Modicus deixa-nos com orgulho seja a quem for. E depois, há o facto de estar na primeira divisão, tudo bem que não é o futebol, é uma modalidade mais secundária, mas quem é primeiro é primeiro, é o topo da pirâmide, são os melhores dos melhores, e isso orgulha e prestigia, por isso diria que 70 ou 80% das sete mil pessoas têm orgulho no que se está a fazer aqui.

 

Podemos continuar a contar com o senhor presidente para liderar este clube?

Também por aquilo que se tem feito nos últimos anos, é como eu estava a dizer, eu sinto um bocadinho este trabalho todo como meu. Eu sinto que isto é uma criança e eu sou o pai desta criança e nessa perspectiva, nós temos sempre aquela pena de sair e poder deixar ali a criança órfã. Eu penso que quando houver uma altura em que, e eu tenho feito por isso nos últimos anos, alguém com capacidade que possa dar continuidade a este trabalho, eu sairia mais em paz e mais satisfeito, mas também não vou dizer nem entrar naquele discurso do “estou cansado, quero ir embora”, não. Eu estou aqui, tenho-me sentido bem e não estou cansado. Eu só iria embora, numa perspectiva de haver outra alternativa, até onde houvesse condições de eu poder vir aqui e ajudar e saber que estava aqui alguém capaz. Quando isso acontecer, saio de livre vontade e satisfeito, mas, neste momento, o que não quer dizer que para o ano, ou daqui a dois anos, que é natural, não diga até que estou cansado, ou até desanimar ou qualquer coisa do género e então querer sair…neste momento, sinceramente, eu sinto-me bem com aquilo que faço, sinto-me com capacidade e força para continuar a fazer, portanto, não vou fugir nem fechar a porta, até por estas dificuldades que estão a acontecer, penso que é o momento em que devemos estar mais ativos e com maiores expectativas e mesmo criar melhores expectativas nos treinadores e dirigentes. O mais fácil era chegar aqui, fechar a porta e ir embora mas não. Eu vejo outros dirigentes cansados, mas eu penso que aquilo que nós temos feito até agora, tem tido um crescendo passo a passo, nós viemos da segunda divisão, descemos, subimos; os resultados têm sido muito animadores e nós acabamos por ir um bocado envolvidos por estas vitórias e o que nos motiva muito durante a semana é perspetivar que vamos jogar o próximo jogo no sábado ou no domingo e chegarmos lá e ganharmos e depois queremos mais e mais. Aqui há uns tempos falávamos de lutar para o Modicus não descer, agora falamos em ganhar uma Taça de Portugal, se calhar daqui a dez anos queremos ser campeões nacionais. Por aí, sinceramente, tanto nas modalidades do andebol como do futsal, tem sido reconfortante e, por isso, vou-me sentindo bem e continuo a gostar daquilo que estou a fazer. Eu costumo dizer a muita gente, enquanto eu gostar e não estiver cansado e me sentir bem no Modicus, vou continuar porque penso que estou a servir bem o clube, e é destas pessoas que o clube precisa, havia de haver muitos mais…Para já vai ser este o caminho, depois logo se vê, para o ano, ou daqui a dois ou três…logo se vê.

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