A Ribeira Grande brilhou mais uma vez em terras canadianas, pela realização do décimo sexto convívio de naturais e amigos do concelho, em Brampton, Ontário. O evento, que se realizou como habitualmente no salão da Igreja de Nossa Senhora de Fátima, no sábado, 19 de outubro, reuniu cerca de 400 pessoas, e teve como convidado de honra o presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, Alexandre Gaudêncio, o homem de quem mais se fala nos dias que correm no arquipélago açoriano.

 De New Bedford, Fall River e East Providence, nos Estados Unidos, vieram cerca de cinquenta pessoas, praticamente o mesmo número  daquelas que visitaram as terras do Tio Samuel, no primeiro fim de semana deste mês, da província de Ontário, para participarem no vigésimo sétimo encontro de seus conterrâneos. Aliás, estas visitas entre ribeiragrandenses da Nova Inglaterra e do Canadá tiveram o seu início há duas décadas, quando em 1999 os Amigos da Ribeira Grande-USA conseguiram convencer Duarte Farias, de Montrèal, a organizar naquela cidade uma confraternização de naturais e amigos daquele concelho micaelense.  Cerca de quatro anos depois também os ribeiragrandenses de Ontário foram convencidos a fazer a sua festa, depois de alguns amigos se terem deslocado propositadamente à Nova Inglaterra, para participar na romaria de saudade que ali já se organizava há vários anos. Para o leitor mais descuidado lembramos que a Nova Inglaterra é uma área geográfica do nordeste dos Estados Unidos, que engloba seis estados. A saber: Massachusetts, Rhode Island, Connecticut, Maine, New Hampshire e Vermont. Estes encontros de ribeiragrandenses têm-se realizado, na sua maioria esmagadora, pelo mês de outubro. Por isso, como já se disse, outubro devia ser proclamado na América do Norte como Mês Ribeiragrandense.

 No decorrer da hora social os convivas deliciaram-se com variados aperitivos, onde não faltou rodelas de morcela frita e chouriço nas mesmas condições, cubinhos de queijo de vários tipos, o inigualável pé-de-torresmo e os pastéis de bacalhau. A seguir houve na sala uma invasão inesperada de políticos, visto que estávamos a dois dias de eleições. Por pouco, pensámos que a festa estava estragada. Além do mais, da parte daquela meia dúzia de políticos, depois dos seus breves discursos que empataram cerca de meia hora, houve o descaramento de percorrerem as mesas e distribuir folhetos. Afinal, isto é uma confraternização entre pacientes da saudade, ou um comício político, ou centro de campanha eleitoral? Graças a Deus, ao findar esta intervenção, que ninguém esperava, Luís Pacheco falou rapidamente e o convidado de honra, no seu discurso foi, como sempre “sweet and short”.

  Ao ser anunciada a realização deste evento, foi prometido pelos seus organizadores que todo o lucro reverteria a favor das obras da Igreja Matriz da Ribeira Grande. Já no passado dia 5 de outubro, em Swansea, Massachusetts, os Amigos da Ribeira Grande-USA ofereceram cinco mil dólares para este fim, e passados trinta minutos da entrega do cheque, um grupo de convivas percorreu a sala com uma bandeira nas mãos, conseguindo arrecadar mais dois mil e quinhentos. As obras da matriz foram orçadas em mais de seiscentos mil euros e só terão menos de um terço em apoios governamentais. Por isso existem várias manifestações de apoio para esta nobre causa, quer na terra de origem, quer na diáspora. E por esta mesma razão, a festa dos ribeiragrandenses de Ontário esteve este ano mais virada à obtenção de fundos, mas nem por isso a alegria deixou de vibrar na sala e arredores, porque enquanto as arrematações das ofertas se iam fazendo os grupinhos da cavaqueira e das lembranças que a saudade transborda eram notórios nos cantos da sala, na área do bar e ao ar livre, havendo por vezes a desculpa de se ir fumar uma cigarro, lá fora, para se falar com este e com aquele. No entanto, as arrematações, ao que parece correram bem. Falando na generosidade da nossa gente, damos o exemplo do senhor Fernando Ferreira, que deu um ar de felicidade enorme à sua esposa, Senhora Maria Ferreira, ao ganhar no leilão a imagem de Nossa Senhora da Estrela pela quantia de duas mil dólares. Pela fotografia, exclusiva para este jornal, pode ver-se a felicidade de ambos.

  Aproveitando a sua estadia no Canadá, Alexandre Gaudêncio para além de ser alvo na imprensa local, reuniu-se com alguns líderes comunitários. Dois dias antes do convívio o presidente da Câmara da Ribeira Grande juntou-se com o novo “Mayor” de Brampton, Patrick Brown, sendo o assunto principal da reunião a geminação das cidades que ambos representam. Ou seja: a conclusão do processo iniciado pela anterior “Mayor”, Linda Jeffrey e pelo próprio Alexandre Gaudêncio.

 No entender do autarca micaelense, esta geminação é muito importante, uma vez que Brampton tem uma enorme comunidade portuguesa, na qual pesa bastante a parte micaelense, de onde ressalta maior volume o número de pessoas oriundas do concelho da Ribeira Grande. Será benéfica para ambas as partes, e é uma porta aberta a futuras parcerias que vão ao “encontro da projeção que a Ribeira Grande pretende alcançar além fronteiras.” Gaudêncio afirma ainda que “os reforços dos relacionamentos estratégicos com as comunidades emigradas tem vindo a acentuar-se nos tempos mais recentes e é com o intuito de cimentar novos laços e expandir as relações económicas, sociais e culturais que pretendemos firmar o acordo de geminação com Brampton.”

 Faz-se votos para que estes convívios regionais continuem, e mais uma vez congratulamos Luís Pacheco e toda a sua equipa por mais um sucesso alcançado.

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com